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Lagarde assegura que BCE tem diferentes opções para reagir ao choque energético

Instituição refere que não agirá "antes de ter informações suficientes sobre a magnitude e a persistência do choque, bem como sobre a propagação" do mesmo.

25 de março de 2026 às 12:06

O Banco Central Europeu dispõe de diferentes opções para reagir ao choque energético relacionado com a guerra no Irão, medidas que serão adaptadas em função da amplitude e duração da mesma, assegurou esta quarta-feira a presidente da instituição.

O BCE não será "paralisado pela hesitação" e dispõe de um "leque graduado de opções de resposta" em termos de política monetária, disse Christine Lagarde, sem especificar, no entanto, quais.

A instituição não agirá "antes de ter informações suficientes sobre a magnitude e a persistência do choque, bem como sobre a propagação" do mesmo, acrescentou.

Segundo Lagarde, tudo será feito para manter a inflação em 2%, um compromisso que permanece "incondicional", enquanto um aumento duradouro dos preços dos hidrocarbonetos poderia provocar uma aceleração da subida dos preços.

Na semana passada, o BCE manteve as taxas diretoras, como desde julho, e publicou uma série de cenários económicos mostrando que os riscos que pesam sobre a inflação não são lineares: quanto mais o choque durar e se intensificar, mais os preços e salários aceleram, com um desvio crescente em relação à meta de 2% se o BCE não reagir.

Assim, choques de oferta de pequena magnitude, pontuais e de curta duração podem ser ignorados, mas "à medida que os desvios esperados em relação ao nosso objetivo de inflação se tornam mais significativos e persistentes, a necessidade de agir torna-se mais forte", insistiu.

A política monetária "não pode fazer os preços da energia caírem", mas o BCE vai monitorizar o risco de ver o atual aumento dos preços do petróleo e do gás provocar uma "inflação generalizada".

A esse respeito, o choque inflacionista provocado em 2022 pela invasão pela Rússia da Ucrânia "deixou marcas", segundo Lagarde.

A situação atual é, no entanto, diferente, explicou Lagarde: no início de 2022, a inflação já estava em 5% num contexto de uma forte procura e escassez pós-Covid, enquanto esta quarta-feira a recuperação é moderada, a inflação está próxima de 2%, as políticas orçamentais são menos acomodatícias e as taxas do BCE, em 2%, mantêm um caráter restritivo para a economia.

Lagarde disse que a entidade monetária atuará se a inflação na zona euro subir muito e se afastar consideravelmente do objetivo de 2% a médio prazo como consequência da guerra contra o Irão.

Se a inflação se desviar muito do objetivo de forma sustentada, a atuação da política monetária deve ser enérgica para evitar que esse aumento da inflação se incruste, acrescentou.

A nova informação dará ao BCE mais clareza sobre como o conflito evolui e como a economia responde.

Na zona euro, a inflação aumentou até situar-se em 8,4% em 2022, depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, em comparação com 2,6% em 2021.

O BCE prevê agora vários cenários económicos dependendo de quanto subam os preços da energia e quanto tempo dure a guerra no Irão e a violência no Médio Oriente, explicou Lagarde.

Em projeções de referência, o BCE antecipa preços do petróleo em torno de 90 dólares por barril e do gás de 50 euros por megawatt-hora (MWh) no segundo trimestre de 2026, que diminuirão posteriormente.

Mas também contempla a possibilidade de que a situação seja adversa se os preços do petróleo e do gás atingirem um máximo de 119 dólares por barril e 87 euros por MWh, respetivamente, no segundo trimestre de 2026.

O cenário severo contempla preços do petróleo de 145 dólares por barril e do gás de 106 euros por MWh no segundo trimestre de 2026, e que depois cairão a um ritmo muito mais lento e se manterão muito altos.

A inflação seria mais elevada e o crescimento mais baixo nos cenários adversos e severo.

A inflação será em 2026 de 2,6% segundo o cenário de referência, de 3,5% no cenário adverso e de 4,4% no severo.

Nos dois primeiros cenários, a inflação deverá regressar a 2% em 2027, mas no severo deverá disparar para 4,8%.

O crescimento será em 2026 de 0,9% no cenário de referência, de 0,6% no adverso e de 0,4% no severo.

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