Presidentes executivos dos bancos demarcaram-se também de eventuais processos de consolidação em Portugal.
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Os presidentes executivos (CEO) do Millennium BCP e da Caixa Geral de Depósitos (CGD) demarcaram-se esta sexta-feira de possíveis fusões ou aquisições na banca em Portugal, mas admitiram vir a ponderá-las se eventualmente surgir uma boa oportunidade.
"A nossa estratégia é muito clara: queremos crescer organicamente, portanto não temos nenhuma intenção de fazer parte ativa de processo de consolidação em Portugal, não está no nosso plano estratégico fazê-lo", começou por afirmar o CEO do BCP, Miguel Maya, durante a conferência 'online' "A Banca no pós-covid-19", promovida pelo Dinheiro Vivo e TSF.
Ainda assim, acrescentou de seguida: "Não vou às compras, mas ando na rua e portanto, se vir alguma peça pendurada que possa ser do meu interesse olho para ela, analiso e tomarei as decisões. Mas não tenho nenhum interesse nisso".
Garantindo que o Millennium já não tem "aquele interesse que tinha há três ou quatro anos se tivesse essa possibilidade (e não tinha)", o banqueiro disse que "hoje o banco pode fazê-lo se o quiser, mas não tem nenhum interesse especial em fazê-lo".
"Se houver uma oportunidade excelente, olharemos para ela e tomaremos essa decisão", rematou.
Também no que respeita a possíveis operações de concentração 'crossborder' (além fronteiras), Miguel Maya garantiu que não lhe "tiram o sono".
"Tenho uma estrutura acionista que acredita no trabalho que estamos a fazer e a minha preocupação é valorizar o banco. Depois os outros arranjos, quando vierem, se for bom para o país, se for bom para o banco e para os acionistas, a gente fala deles. Como estratégia, não seguramente", disse.
Para o administrador executivo da CGD José João Guilherme, na banca "os temas das fusões e das aquisições tiveram custos muito bem definidos e proveitos totalmente indefinidos".
"Geralmente fusões são confusões e o custo de extração que uma fusão toma é de tal maneira grande que dilui-se no tempo e traduz-se, até, em perda de valor", sustentou.
Garantindo que "aquilo em que a Caixa continuará a trabalhar é em baixar o custo de servir os seus clientes", o administrador não deixou, contudo, de admitir: "Se um dia passarmos por uma montra e tivermos de comprar alguma peça de roupa, não digo que sim nem que não".
Os representantes do BPI e do banco Santander na conferência, demarcaram-se também de eventuais processos de consolidação em Portugal, afirmando-se "confortáveis" com a posição que atualmente ocupam.
"Acho que há um consenso geral que o tema da consolidação bancária, porque é um negócio de margens muitíssimo esmagadas, irá continuar, e por vários fatores, incluindo a capacidade de investimento e de capital. Mas o meu foco em termos de gestão não é minimamente trabalhar nesse assunto, faço parte de um grupo que está num movimento de consolidação fortíssimo em Espanha, e que já tem uma dimensão enorme, por isso não é o meu foco de gestão", disse o presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa.
Já o administrador executivo do Santander Miguel Belo de Carvalho garantiu que o banco "está muito confortável com a posição de liderança no mercado" que tem: "Fizemos um caminho até aqui, participámos no processo de consolidação, não estamos à procura em montras nenhumas de peças penduradas", garantiu.
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