A poucos quilómetros de Montemor-o-Novo, na freguesia de Foros de Vale Figueira, um jovem agricultor está a produzir na herdade Freixo do Meio, desde 1996, perus pretos biológicos.
A experiência com esta espécie avícola, que durante o crescimento apenas se alimenta do que a natureza lhe proporciona (insectos, plantas, sementes, azeitonas ou bolotas), tem sido bem sucedida e a aceitação dos consumidores tem vindo a crescer.
“As pessoas sabem que estes perus não levam qualquer tipo de antibiótico a não ser uma vacina quando são pequenos. Por isso, são criados em oito meses e os de aviário em 45 dias”, referiu ao Correio da Manhã, o agricultor e um dos proprietários da herdade, Alfredo Sendim.
Na primeira experiência foram criados apenas 50 perus para vender no Natal. O ano passado a produção aumentou para 500.
Este ano, a exploração já está a criar perus para todo o ano e na próxima semana vão chegar da França mais dois mil, para serem comercializados no próximo Natal.
“As aves chegam aqui com um dia de idade. São acompanhadas por um certificado sanitário emitido pelos Serviços Veterinários Franceses. Depois são vacinadas contra a doença de Newcasttle e nos primeiros 45 dias de vida permanecem em instalações fechadas. Nesta primeira fase alimentam-se de ortigas e malvas escaldadas com mistura de farelo de trigo e milho produzido na herdade”, disse o produtor, continuando: “Depois passam para um parque e durante o dia pastoreiam”.
ENCHIDOS BIOLÓGICOS
Com a designação certificada de “Peru Preto do Alentejo”, estas aves são abatidas e embaladas num matadouro em Alenquer, sendo o seu destino os hipermercados, restaurantes e mercados. “Têm menos volume do que um peru de aviário. As carcaças destes pesam seis/sete quilos e os de aviário 20. A carne é mais dura, tem outra cor e um sabor diferente”, explicou Alfredo Sendim.
Esta empresa familiar (Sousa Cunhal), que emprega na herdade 13 pessoas, equaciona agora passar a experiência dos perus para os outros animais. Pelos 1700 hectares da propriedade passeiam-se mais de quatro mil ovelhas por ano, dois mil porcos pretos alentejanos, 50 vacas barrosãs e 50 cabras serpentinas.
“Por enquanto não é possível, mas já estamos a fazer a conversão dos terrenos para que, de futuro, possamos criar porcos pretos, ovelhas e outros animais biológicos”, sublinhou, acrescentando ainda que é sua intenção transformar os enchidos produzidos na salsicharia da herdade em produtos biológicos: “Matamos 10 porcos por semana e já temos uma boa produção. Pensamos em ampliar a unidade e fazer também uma experiência com enchidos biológicos”.
As vendas do peru preto biológico têm vindo a subir, mas não tanto como o produtor, Alfredo Sendim, esperaria.
Contra, está o facto de o preço por quilo de carcaça ser quatro vezes superior ao praticado na venda dos perus de aviário.
“Este tipo de produção é completamente diferente e traz custos muito maiores do que a produção intensiva. O peru biológico é criado em oito meses e o de aviário em pouco mais de dois. Por isso, o peito de peru biológico custa 15 euros o quilo e o de aviário apenas quatro”, referiu.
Este agricultor indicou ainda que “essa diferença não se traduz em lucro, porque é para pagar o custo de produção”.
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