Líder parlamentar do PCP sugere que a nova ligação tenha três cais de cargas e descargas no distrito Évora.
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O PCP propôs esta quarta-feira que a futura linha ferroviária entre Sines e a fronteira do Caia, perto de Elvas, contemple o transporte de passageiros e tenha três cais de cargas e descargas no distrito Évora.
"Este investimento deve ser considerado, projetado e concretizado de forma a que a região não fique a ver passar comboios", afirmou o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, numa conferência de imprensa realizada em Évora.
Segundo o parlamentar comunista, estas e outras propostas sobre a nova infraestrutura ferroviária estão incluídas em dois projetos de resolução que o PCP vai entregar hoje na Assembleia da República.
João Oliveira adiantou que um dos projetos de resolução recomenda ao Governo do PS que tome as "medidas necessárias para garantir os transporte de passageiros" na futura linha ferroviária entre Sines e o Caia, junto à fronteira com Espanha.
"Para lá das mercadorias, que possa ser considerado também o transporte de passageiros", através da "instalação de estações de passageiros onde a sua localização se revele mais adequada", disse.
Para o parlamentar, deveria ser definido "um plano para o desenvolvimento do transporte ferroviário de passageiros no plano regional", sugerindo a "articulação do novo eixo ferroviário com a rede ferroviária existente no distrito" e, até, "a possibilidade de reativação" de linhas.
"Julgamos que pode ser uma forma de garantir um aproveitamento integrado do investimento e que este investimento ferroviário não fica apenas limitado ao trânsito de Sines para Espanha e de Espanha para Sines", referiu.
O deputado eleito pelo círculo de Évora indicou que o outro projeto de resolução propõe a "possibilidade de carga e descarga de mercadorias em três pontos essenciais" no distrito, nomeadamente Vendas Novas, Évora e Alandroal.
"Que se identifique tecnicamente o que é mais adequado e corresponde melhor às necessidades do transporte de mercadorias em cada um dos pontos", reivindicou, sublinhando que a solução deve "passar pela construção de uma estação ou aproveitamento de uma estação técnica como pela criação de um cais".
João Oliveira justificou as paragens em Vendas Novas e Évora devido às suas "componentes de produção industrial, mas também agrícola", e em Alandroal porque "poderia ser muito positivo" para o setor do mármore e das rochas ornamentais.
Também no caso das mercadorias, realçou, deveria ser elaborado "um plano de desenvolvimento", que considere "todo o impacto e dimensão regional de aproveitamento deste investimento" e a possibilidade de "reativação, recuperação ou ampliação da rede ferroviária já existente".
O líder da bancada comunista defendeu também o aproveitamento do material depositado nas escombreiras das pedreiras da região para a construção da linha ferroviária, dando, assim, "um contributo" para a economia local e para a resolução de um problema ambiental.
De acordo com a IP, o troço da nova linha ferroviária, entre Évora e a fronteira do Caia (Elvas), no distrito de Portalegre, que integra o Corredor Internacional Sul, terá uma extensão total de cerca de 100 quilómetros, 80 dos quais de construção nova, em via única eletrificada sobre plataforma para via dupla e preparada para receber a bitola europeia.
O projeto é apoiado por fundos comunitários através do programa Mecanismo Conectar Europa, ao abrigo de contratos de cofinanciamento com comparticipações que variam entre 40 e 50%.
A nova ferrovia entre Évora e a fronteira de Caia custará, ao todo, nos próximos anos, mais de 500 milhões de euros.
A obra de construção da nova linha deverá começar até março de 2019 e a conclusão está programada para o primeiro trimestre de 2022, num custo de 509 milhões de euros (quase metade provenientes de fundos europeus), segundo o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas.
O Plano Ferrovia 2020, que promove as ligações com Espanha e a modernização dos principais eixos ferroviários, engloba, no total, um investimento superior a dois mil milhões de euros, dando especial destaque ao transporte de mercadorias e ao transporte público de passageiros.
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