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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

SATA pagou cinco milhões de euros de comissões iniciais num empréstimo de 65 milhões

Empréstimo contraído em dezembro de 2018.

13 de janeiro de 2020 às 13:49

A SATA Air Açores, que opera dentro do arquipélago, pagou cinco milhões de euros em "comissões iniciais" num empréstimo obrigacionista de 65 milhões de euros contraído em dezembro de 2018, sinalizou o Tribunal de Contas (TdC).

No relatório sobre a apreciação à Conta da Região de 2018, publicado recentemente, o TdC refere que, de acordo com a informação divulgada no anexo às demonstrações financeiras da companhia aérea, o empréstimo obrigacionista, no montante de 65 milhões de euros e efetuado através do Deutsche Bank, resultou no dispêndio de "cerca de cinco milhões de euros só em comissões iniciais".

Esse custo da operação financeiro é 10 vezes superior àquele que o Governo dos Açores divulgou, na ocasião, na resolução n.º 137/2018, publicada em 17 de dezembro de 2019 no Jornal Oficial e assinada pelo vice-presidente, Sérgio Ávila.

O documento refere apenas um valor de 450 mil euros a título de "comissão de montagem".

O empréstimo dos 65 milhões de euros, contraído pelo período de 10 anos, com aval do executivo regional, apresentava uma taxa de juro de 2,7%, sendo o pagamento dos juros feito anualmente, de acordo com a ficha técnica publicada em anexo à referida resolução.

Questionado sobre esta divergência de números, o vice-presidente do Governo dos Açores, que tutela a área das Finanças, explicou que os valores em causa se referem a "duas coisas diferentes": "Uma coisa são os custos da comissão de montagem definidos previamente pelo banco; outra coisa é o pagamento de parte dos juros, que foi feita à cabeça, por parte da SATA".

Segundo o governante, a emissão das obrigações foi feita "abaixo do par", ou seja, com desconto, no sentido de ser mais atrativa para os investidores, mas em contrapartida fez com que a companhia aérea tivesse de pagar "à cabeça" parte dos juros do empréstimo.

"Nesse sentido, em vez de a SATA vir a pagar 2,7% de juros por 10 anos, irá pagar apenas 2,5%", esclareceu Sérgio Ávila, em declarações à agência Lusa.

Independentemente de esta operação ter sido mais ou menos vantajosa para a companhia aérea, o TdC revela, no relatório da Conta da Região de 2018, preocupações com o aumento "substancial" dos encargos com as dívidas da transportadora açoriana.

"Não restou ao grupo SATA outra alternativa senão a de intensificar o recurso ao crédito para colmatar as respetivas necessidades de financiamento, o que acabou por projetar a respetiva dívida total para 292,3 milhões de euros -- um agravamento de 38,7 milhões de euros face a 2017", refere a entidade.

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