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Sonae admite reduzir margens para minimizar subida dos preços

Presidente executiva considera que tudo irá depender do tempo que durar o conflito no Médio Oriente.

19 de março de 2026 às 14:01

A presidente executiva (CEO) da Sonae destacou esta quinta-feira a evolução geopolítica como atual "maior incógnita" para o negócio do grupo, que admite vir a reduzir margens para minimizar eventuais impactos da escalada do petróleo nos preços do retalho alimentar.

"A geopolítica é, de longe, a maior incógnita que temos", afirmou Cláudia Azevedo durante a apresentação das contas de 2025 da Sonae, salientando que "os principais cenários [em cima da mesa] são à volta do preço do petróleo e de como é que a cadeia [de abastecimento] afeta os vários negócios" do grupo, na sequência da guerra no Irão.

A CEO destacou que toda a cadeia de valor do negócio de distribuição alimentar "é muito afetada pelo preço do petróleo", como foi já visível com a guerra na Ucrânia, mas considerou que tudo irá depender do tempo que durar o conflito no Médio Oriente.

"É muito diferente se a guerra durar mais uma semana ou durar mais um mês, dois meses ou dois anos. Portanto, são cenários à volta disso [que estão em estudo] e como é que nos podemos adaptar para tentar que a proposta de valor ao nosso cliente seja a mais apetecível possível nas circunstâncias destas subidas de preços", sustentou.

Por sua vez, o administrador financeiro (CFO) da Sonae, João Dolores, notou que a inflação que se tem vindo a registar recentemente no retalho alimentar "é uma inflação controlada, relativamente baixa", em torno dos 3% no início do ano, "até algo inferior" à verificada durante o ano de 2025 (cerca de 4%).

"Os clientes ainda não estão a sentir, na globalidade dos produtos, uma aceleração da inflação", afirmou, embora considerando "natural que se esta situação persistir no tempo essa pressão inflacionista comece a surgir também na cadeia de abastecimento e nos fornecedores do grupo", havendo já "alguns ecos de que isso esteja a acontecer".

"Já foi assim no passado, quando tivemos a última crise inflacionista, e nós fizemos o nosso papel, baixámos as nossas margens, acomodámos e amortecemos o impacto nos consumidores nessa altura, e é isso que podemos garantir também agora", enfatizou João Dolores.

Relativamente a medidas de apoio a tomar pelo Governo para apoiar as empresas e os consumidores, a CEO da Sonae considerou que poderiam vir a ser replicadas as tomadas na última crise inflacionista, que "demoraram algum tempo a chegar à cadeia de valor, mas no fim foram equilibradas".

"Todos os 'players' da cadeia de valor têm de ter o seu papel e o Estado, obviamente, é um deles. Acho que da outra vez o fez de uma forma responsável e acho que desta vez também vamos encontrar uma solução todos em conjunto que beneficie o cliente final e tente atenuar o choque", defendeu Cláudia Azevedo.

Questionada sobre se defende um eventual regresso do cabaz de produtos com IVA zero, a líder da Sonae gracejou, dizendo: "Obviamente [é uma medida da qual] gostamos muito".

No que diz respeito ao impacto financeiro na Sonae do mau tempo que há algumas semanas assolou a região centro, e na sequência do qual uma loja do grupo continua encerrada, João Dolores disse que está ainda a ser avaliado, mas avançou que "seguramente são mais de 10 milhões de euros".

"Temos situações em que temos seguros que cobrem danos patrimoniais nas nossas lojas e de perda de exploração - mas não em todos os casos - e, naturalmente, estamos a acionar essas apólices para recuperar aquilo que conseguirmos", disse.

Com o atual mandato à frente da Sonae a terminar este ano, quando questionada sobre se pretende continuar na presidência executiva, Cláudia Azevedo afirmou apenas ser "muito feliz como CEO da Sonae".

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