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Submarinos: "Nenhum decisor levou um tostão da ESCOM"

Os valores pagos foram para "pessoas e contas indicadas pelo conselho superior" do GES.

15 de janeiro de 2015 às 17:25

Luís Horta e Costa, administrador da ESCOM - empresa que prestou consultoria aos alemães da Man Ferrostaal no concurso para a compra de dois submarinos pelo Estado português - a empresa que gere não pagou luvas a decisores políticos no negócio.

 

"Nenhum decisor político levou um tostão da ESCOM", garantiu na comissão de inquérito ao BES. 

"Se houve corrupção em Portugal eu não ponho as mãos no fogo, mas usando a ESCOM como veículo para esse tipo de prática não aconteceu", afirmou o gestor da ESCOM. Mais irritado, voltou a insitir que "nenhum decisor ligado ou não ligado a aquisição de equipamento militar em que a ESCOM tivesse sido consultora recebeu comissões".

 

Ainda assim, Luís Horta e Costa não exclui a possibilidade de a Ferrostaal ter tentado corromper pessoas em Portugal, a exemplo do que aconteceu na Alemanha. E lembrou: "Tivemos de rescindir unilateralmente o contrato com a Ferrostaal quando achámos que os caminhos que estava a percorrer não eram os melhores".

Submarinos: "O homem que falta nas contas é Miguel Horta e Costa"

Luís Horta e Costa, administrador da ESCOM e um dos homens que recebeu comissões resultantes da venda dos submarinos ao Estado português, afirmou no Parlamento que o muito questionado "sexto homem" que recebeu uma parte das 'luvas' no negócio era o seu irmão, Luís Horta e Costa, consultor da ESCOM que conseguiu o negócio de assessoria com os alemães da Man Ferrostaal.

 

"O contrato da Ferrostaal com a ESCOM levou várias evoluções, ou seja , vários cortes", começou por contar o gestor. E acrescentou: "Chegámos a um valor próximo dos 27 milhões, dos quais uma parte substancial, que foi vista pelo Ministério Público, foi gasto com a operação em si. Depois, houve uma parte substancial que foi gasta com distribuição de dividendos ou antecipação de bónus, como lhe queiram chamar, ao conselho superior [do Grupo Espírito Santo]. O restante foi distribuído equitativamente pelos ex-administradores da ESCOM e por um consultor que propôs o negócio."

 

Sempre em tom irónico, Luís Horta e Costa continuou a explicação dos pagamento, aludindo também a uma conversa do conselho superior do GES em que Ricardo Salgado apelidou os administradores de "aqueles tipos", dizendo de seguida que estava rodeado de "aldrabões".

 

"Somos três administradores, que são os tipos da ESCOM, e temos um quarto que não é administrador mas foi arguido", adiantou. Segundo Luís Horta e Costa, "quando Ricardo Salgado, num desabafo à família, em 2013, resolve explicar uma coisa que recebeu em 2015, talvez se tivesse esquecido [de quem era o sexto homem]".

 

"Tal como foi acordado com a Espírito Santo Resources, os acionistas, a administração da ESCOM e consultor receberiam partes iguais. O tal homem que falta, nas minhas contas sempre foi Miguel Horta e Costa [o consultor]. Na cabeça de Ricardo Salgado não sei quem era o sexto homem."

 

Luís Horta e Costa adiantou ainda que os valores pagos foram para "pessoas e contas indicadas pelo conselho superior" do GES.

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