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TCE alerta para riscos de rastrear verbas nas alfândegas em novo orçamento da UE

Em causa está um programa que vai juntar cinco atuais instrumentos da UE.

17 de fevereiro de 2026 às 16:09

O Tribunal de Contas Europeu (TCE) alertou esta terça-feira para o risco de rastrear verbas nos novos programas sobre mercado único e alfândegas no próximo orçamento da União Europeia (UE) a longo prazo, sugerindo "regras mínimas" para evitar fraudes.

"A variedade do programa cria riscos para a prestação de contas e para se seguir o rasto ao dinheiro. São precisas regras mínimas para rastrear as verbas e comunicar informações e também que haja uma ligação clara entre os pagamentos e os resultados [já que] esta questão não pode ficar só à espera de futuras decisões de execução ou de controlo interno", refere o TCE em comunicado.

No dia em que publica um parecer sobre o novo Programa Mercado Único e Alfândega, no âmbito do novo orçamento da UE a longo prazo para 2028 a 2034, o auditor comunitário assinala que "a proposta traz muita flexibilidade, mas a falta de regras e prioridades específicas pode pôr em risco o financiamento de sistemas informáticos fundamentais para os impostos e o combate à fraude".

"Estes sistemas precisam de investimento a longo prazo, mas dependem muito de decisões de programação anuais", acrescenta.

Em causa está um programa que vai juntar, num único conjunto de regras, cinco atuais instrumentos da UE: partes do antigo programa do Mercado Único, o Programa Alfândega, o Instrumento de Apoio Financeiro aos Equipamentos de Controlo Aduaneiro, o Programa "Fiscalis" e o Programa Antifraude.

A ideia de Bruxelas é resolver a dispersão dos atuais fundos que apoiam o mercado único, a união no domínio das alfândegas, a cooperação nos impostos, a coordenação na luta contra a fraude e as estatísticas europeias.

Ao todo, Bruxelas propõe para esta matéria um total de 6,2 mil milhões de euros para 2028-2034, ou seja, cerca de 0,31% do novo orçamento a longo prazo (que é de quase dois biliões de euros no total).

"São muito mais fundos do que tinham as partes correspondentes dos cinco programas anteriores", observa o TCE.

Acresce que, para o tribunal, "não é claro como os gastos do programa vão ao encontro das prioridades estratégicas da UE" pois questões como a digitalização das alfândegas e impostos "não são regras obrigatórias".

Além disso, também faltam "regras claras para se definir prioridades, gerir o orçamento de maneira transparente e garantir o rigor nos contratos", adianta o TCE, falando numa "falha é preocupante".

Em julho passado, a Comissão Europeia propôs um novo orçamento da UE a longo prazo, para 2028-2034, de dois biliões de euros, acima dos 1,2 biliões do atual quadro, que inclui mais contribuições nacionais e três novos impostos.

O executivo comunitário propôs que Portugal receba no novo orçamento 33,5 mil milhões de euros, incluindo para a coesão e agricultura, no âmbito do plano de parceria nacional e regional ao abrigo do novo orçamento da UE até 2034.

Este montante enquadra-se em 865 mil milhões de euros propostos pelo executivo comunitário para investimentos e reformas nos 27 Estados-membros da UE, no âmbito dos novos 27 planos (um por país) de parceria nacionais e regionais com desembolsos mediante objetivos.

No outono passado e perante críticas do Parlamento Europeu, a Comissão Europeia cedeu e apresentou compromissos relativos ao orçamento da UE a longo prazo, incluindo uma verificação regional para garantir o envolvimento das autoridades regionais, uma meta rural para reconfiguração dos territórios, a salvaguarda da Política Agrícola Comum e um mecanismo de análise para a assembleia europeia.

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