Um tribunal são-tomense ordenou o arresto de bens do National Investment Bank (NIB) e de Paulo Mirpuri, presidente da instituição, acusado de alegados crimes fiscais e de desvio de fundos da instituição, confirmou ao Correio da Manhã uma fonte local, que acompanhou a operação naquele país africano. Um comunicado, em nome do banco, desmentia ontem o arresto dos bens quer da instituição quer do ex-dono da companhia aérea Air Luxor.
“Dois oficiais de Justiça, com dois polícias, chegaram ao banco, no passado dia 1 de Agosto, com vários papéis e falaram com o responsável pela instituição”, descreveu a testemunha contactada pelo CM. A operação, que terminou com a saída de todas as pessoas e com o encerramento do banco, foi acompanhada pelo advogado dos credores, Adelino Isidro.
A decisão judicial estará relacionada com o caso da companhia Air Luxor, vendida há cerca de um ano ao Longstock Financial Group, na sequência de período conturbado que a empresa atravessou no final de 2005 e princípio de 2006, gerado pela acção de insolvência interposta pela SALE no Tribunal de Comércio.
Um comunicado enviado ontem em nome do National Investment Bank afirma que “não existem quaisquer bens confiscados, nem nenhum dos seus quadros é acusado de crime”. Por outro lado, afirma que “é também absolutamente falso que tenham sido confiscados quaisquer bens de Paulo Mirpuri, actual presidente da instituição”.
O advogado dos credores, Adelino Isidro, afirmou ao site de notícias Portuguese News Network (PNN) que Paulo Mirpuri tem “defraudado o Fisco em São Tomé, Cabo Verde, tem roubado os fundos que deveriam contribuir para pagar os custos das operações, nomeadamente os débitos realizado pela Air Luxor STP” em São Tomé.
Esta empresa deve mais de “200 mil dólares [cerca de 154 mil euros] à Empresa Nacional de Combustíveis e Ÿleos (ENCO), Ilhéu das Rolas, Hotel Miramar, Club Santana, aos sócios são-tomenses e aos sócios cabo-verdianos”, acrescentou Adelino Isidro ao site noticioso, acusando ainda o presidente Paulo Mirpuri de “estar a falsificar documentos”.
DA MEDICINA À AVIAÇÃO
O pedido de insolvência feito por uma sociedade de leasing de aviões, a SALE, ditou o princípio do fim da Air Luxor e da aposta de Paulo Mirpuri numa companhia área. Formado em medicina, com o grau de clínico geral, dedicou-se desde 1990 à aviação. Desde 1985 que tem o brevê de piloto e desde 1992 os certificados que lhe permitem pilotar os jactos executivos Citation e os Airbus A319, A320 e A321. Assumiu a presidência da Air Luxor em 1988, uma empresa que nasce de um pequeno departamento de aviação detido pela família Mirpuri. Com uma tradição de 50 anos no sector, a família decidiu apostar estrategicamente na aviação comercial quando se deu a liberalização do transporte aéreo no nosso país, há cerca de 20 anos. No entanto, a partir de 2003 os problema avolumam-se. Nesse ano começam os atrasos no pagamento do leasing dos aviões, que se acumulam em 2004 e 2005. Em 2006, a companhia perde a licença de transporte aéreo, depois de os dois Airbus terem sido arrestados no aeroporto de Paris/Orly. O Instituto Nacional da Aviação Civil multou a Air Luxor em 105 mil euros por incumprimento das obrigações de serviço público e por fim a companhia foi confrontada com o pedido de insolvência, acabando por ser vendida.
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