Banqueiro continuará a "exercer influência" como 'chairman'.
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Fernando Ulrich, que após 13 anos na presidência executiva do BPI dará lugar ao espanhol Pablo Forero, do CaixaBank, encara o novo cargo de presidente não executivo como uma oportunidade para "exercer influência" sobre a vida futura do banco.
"Vou fazer o que o presidente executivo e o acionista CaixaBank entendam [sobre] como posso ser útil", afirmou Ulrich em conferência de imprensa após a assembleia-geral de acionistas que elegeu esta quarta-feira, no Porto, com 99,77% de votos a favor, a nova administração do BPI na sequência da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo grupo espanhol, que lhe conferiu 84,51% do capital do banco português.
Questionado pelos jornalistas sobre com encara as novas funções como 'chairman', Fernando Ulrich disse que irá "procurar influenciar os acontecimentos da forma mais positiva possível para o banco, mas sem qualquer tipo de parecença com funções executivas".
"Vejo que no futuro o que o presidente do Conselho de Administração não executivo ['chairman'] pode e deve fazer é - se for suficientemente respeitado pelas pessoas que trabalham no banco, pelos restantes membros do Conselho de Administração, pelos clientes e pelas autoridades - exercer uma influência", afirmou.
Descrevendo esta nova fase da sua carreira como uma "etapa diferente" e "interessante", que considera um "desafio", Fernando Ulrich revelou que continuará no BPI em regime de "dedicação exclusiva", não contando ter "grande tempo livre", mas antecipou "menos pressão" nas novas funções: "Vou ter vida mais tranquila, graças ao Pablo Forero. Será vida menos stressante e preocupante do que até agora", disse.
Relativamente ao controlo espanhol do BPI -- fundado na década de 1980 por Artur Santos Silva com a ideia de um banco de capitais maioritariamente portugueses, assente no equilíbrio de vários acionistas -- Ulrich disse encará-lo "muito bem": "O Caixabank é o maior banco de Espanha, um dos maiores da Europa, e é acionista do BPI desde 1995, com uma participação de 10%. É um amigo do BPI", sustentou.
Destacando a "reputação imaculada" do CaixaBank, o futuro 'chairman' do BPI recordou que os espanhóis "sempre apoiaram" o banco e os projetos do seu Conselho de Administração e Comissão executiva, tendo prestado um "apoio incondicional" nos "momentos complexos e difíceis" da vida da instituição.
"Entendo que [o controlo pelo CaixaBank] é uma vantagem muito grande para o BPI e para todos os que trabalham para o BPI", disse.
Relativamente à atuação do futuro presidente executivo, Pablo Forero, que ainda espera a autorização do Banco de Portugal para assumir funções, Ulrich considerou que "tem excedido as expectativas": "A sua competência não estava em causa, mas a forma humana como tem atuado e interagido com as pessoas e a sinceridade e inteligência que tem demonstrado são motivo de grande satisfação para mim", sustentou.
Nos 13 anos como presidente executivo do BPI Fernando Ulrich impôs-se como um dos mais carismáticos banqueiros em Portugal.
Nascido há precisamente 65 anos em Lisboa, Ulrich frequentou entre 1969 e 1974 o curso de Gestão de Empresas no Instituto Superior de Economia de Lisboa, que não concluiu, tendo iniciado a sua carreira profissional como jornalista na secção de mercados financeiros do semanário, entre 1974 e 1974.
Nos anos seguintes trabalhou, em Paris, na delegação de Portugal junto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e foi ainda chefe de gabinete dos ministros das Finanças e do Plano do Governo de Francisco Pinto Balsemão, entre 1981 e 1983.
Em 1984 entra na Sociedade Portuguesa de Investimentos, futuro BPI, onde faz carreira até chegar à presidência da Comissão Executiva em 2004, substituindo o fundador Artur Santos Silva, que então passou a presidente não executivo ('chairman').
Nos últimos anos, Ulrich ficou célebre por algumas declarações polémicas sobre a situação económica do país, nomeadamente em outubro de 2012 quando, comentando as medidas de austeridade impostas pela 'troika' e a capacidade de resistência dos portugueses, afirmou: "Quando se pergunta se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta!".
Em janeiro de 2013 voltou a fazer uma afirmação que deu que falar usando como metáfora os sem-abrigo: "Se as pessoas que vemos ali na rua, naquela situação, a sofrer tanto, aguentam, porque é que nós não aguentamos?", disse.
Nos anos mais recentes Fernando Ulrich não perdeu este estilo solto de discurso, mas foi-se protegendo, evitando declarações passíveis de gerar mais polémica.
Em termos de gestão, nos últimos dois anos o grande desafio de Fernando Ulrich foi gerir a guerra acionista entre os espanhóis do CaixaBank e os angolanos da Santoro ('holding' liderada por Isabel dos Santos), que terminou com o grupo espanhol a controlar 85% do BPI, enquanto a empresária angolana, através da Unitel, ficou com o domínio do Banco de Fomento de Angola (BFA), criado pelo BPI e de que este é agora acionista minoritário.
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