Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
5

Ulrich deixa funções executivas no BPI

Banqueiro continuará a "exercer influência" como 'chairman'.
Lusa 26 de Abril de 2017 às 14:12
Banqueiro português Fernando Ulrich
Banqueiro português Fernando Ulrich
Banqueiro português Fernando Ulrich
Banqueiro português Fernando Ulrich
Banqueiro português Fernando Ulrich
Banqueiro português Fernando Ulrich
Banqueiro português Fernando Ulrich
Banqueiro português Fernando Ulrich
Banqueiro português Fernando Ulrich
Fernando Ulrich, que após 13 anos na presidência executiva do BPI dará lugar ao espanhol Pablo Forero, do CaixaBank, encara o novo cargo de presidente não executivo como uma oportunidade para "exercer influência" sobre a vida futura do banco.

"Vou fazer o que o presidente executivo e o acionista CaixaBank entendam [sobre] como posso ser útil", afirmou Ulrich em conferência de imprensa após a assembleia-geral de acionistas que elegeu esta quarta-feira, no Porto, com 99,77% de votos a favor, a nova administração do BPI na sequência da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo grupo espanhol, que lhe conferiu 84,51% do capital do banco português.

Questionado pelos jornalistas sobre com encara as novas funções como 'chairman', Fernando Ulrich disse que irá "procurar influenciar os acontecimentos da forma mais positiva possível para o banco, mas sem qualquer tipo de parecença com funções executivas".

"Vejo que no futuro o que o presidente do Conselho de Administração não executivo ['chairman'] pode e deve fazer é - se for suficientemente respeitado pelas pessoas que trabalham no banco, pelos restantes membros do Conselho de Administração, pelos clientes e pelas autoridades - exercer uma influência", afirmou.

Descrevendo esta nova fase da sua carreira como uma "etapa diferente" e "interessante", que considera um "desafio", Fernando Ulrich revelou que continuará no BPI em regime de "dedicação exclusiva", não contando ter "grande tempo livre", mas antecipou "menos pressão" nas novas funções: "Vou ter vida mais tranquila, graças ao Pablo Forero. Será vida menos stressante e preocupante do que até agora", disse.

Relativamente ao controlo espanhol do BPI -- fundado na década de 1980 por Artur Santos Silva com a ideia de um banco de capitais maioritariamente portugueses, assente no equilíbrio de vários acionistas -- Ulrich disse encará-lo "muito bem": "O Caixabank é o maior banco de Espanha, um dos maiores da Europa, e é acionista do BPI desde 1995, com uma participação de 10%. É um amigo do BPI", sustentou.

Destacando a "reputação imaculada" do CaixaBank, o futuro 'chairman' do BPI recordou que os espanhóis "sempre apoiaram" o banco e os projetos do seu Conselho de Administração e Comissão executiva, tendo prestado um "apoio incondicional" nos "momentos complexos e difíceis" da vida da instituição.

"Entendo que [o controlo pelo CaixaBank] é uma vantagem muito grande para o BPI e para todos os que trabalham para o BPI", disse.

Relativamente à atuação do futuro presidente executivo, Pablo Forero, que ainda espera a autorização do Banco de Portugal para assumir funções, Ulrich considerou que "tem excedido as expectativas": "A sua competência não estava em causa, mas a forma humana como tem atuado e interagido com as pessoas e a sinceridade e inteligência que tem demonstrado são motivo de grande satisfação para mim", sustentou.

Nos 13 anos como presidente executivo do BPI Fernando Ulrich impôs-se como um dos mais carismáticos banqueiros em Portugal.

Nascido há precisamente 65 anos em Lisboa, Ulrich frequentou entre 1969 e 1974 o curso de Gestão de Empresas no Instituto Superior de Economia de Lisboa, que não concluiu, tendo iniciado a sua carreira profissional como jornalista na secção de mercados financeiros do semanário, entre 1974 e 1974.

Nos anos seguintes trabalhou, em Paris, na delegação de Portugal junto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e foi ainda chefe de gabinete dos ministros das Finanças e do Plano do Governo de Francisco Pinto Balsemão, entre 1981 e 1983.

Em 1984 entra na Sociedade Portuguesa de Investimentos, futuro BPI, onde faz carreira até chegar à presidência da Comissão Executiva em 2004, substituindo o fundador Artur Santos Silva, que então passou a presidente não executivo ('chairman').

Nos últimos anos, Ulrich ficou célebre por algumas declarações polémicas sobre a situação económica do país, nomeadamente em outubro de 2012 quando, comentando as medidas de austeridade impostas pela 'troika' e a capacidade de resistência dos portugueses, afirmou: "Quando se pergunta se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta!".

Em janeiro de 2013 voltou a fazer uma afirmação que deu que falar usando como metáfora os sem-abrigo: "Se as pessoas que vemos ali na rua, naquela situação, a sofrer tanto, aguentam, porque é que nós não aguentamos?", disse.

Nos anos mais recentes Fernando Ulrich não perdeu este estilo solto de discurso, mas foi-se protegendo, evitando declarações passíveis de gerar mais polémica.

Em termos de gestão, nos últimos dois anos o grande desafio de Fernando Ulrich foi gerir a guerra acionista entre os espanhóis do CaixaBank e os angolanos da Santoro ('holding' liderada por Isabel dos Santos), que terminou com o grupo espanhol a controlar 85% do BPI, enquanto a empresária angolana, através da Unitel, ficou com o domínio do Banco de Fomento de Angola (BFA), criado pelo BPI e de que este é agora acionista minoritário.
Ver comentários