Afilhado de Paulo Vistas trava Isaltino em Oeiras

Nuno Cardoso tem a mulher a trabalhar nos serviços intermunicipalizados de Oeiras e Amadora por oito meses.

10 de agosto de 2017 às 01:30
Paulo Vistas Foto: David Martins
Paulo Vistas Foto: David Martins
Paulo Vistas, presidente, autarca, Câmara municipal de Oeiras Foto: Pedro Catarino 
Isaltino Morais Foto: Ricardo Pereira
Isaltino Morais Foto: Ricardo Pereira
Nuno Cardoso, em 2007, num convívio do PSD Foto: Direitos Reservados
Foto: Direitos Reservados
Isaltino Morais Foto: Ricardo Pereira

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A certidão de casamento do juiz que travou a candidatura de Isaltino Morais à Câmara de Oeiras atesta que o atual presidente e recandidato, Paulo Vistas, foi padrinho de casamento do magistrado. Nuno Tomás Cardoso enfrenta agora um inquérito do Conselho Superior de Magistratura.

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Mais, a mulher de Nuno Cardoso, Catarina Cardoso, trabalha no laboratório dos Serviços Intermunicipalizados de Oeiras e Amadora (SIMAS)desde 24 de maio de 2017. Segundo a autarquia, Catarina Cardoso não é funcionária municipal e apenas tem um contrato "de prestação de serviços, pelo período de oito meses", através da empresa Controlalternativo.

Ora, a autarquia diz que não há qualquer vínculo à Câmara de Oeiras ou ao SIMAS, porém os serviços em causa remeteram sempre qualquer esclarecimento para o gabinete de Paulo Vistas, por este presidir ao conselho de administração do SIMAS. Isto depois de o próprio gabinete de comunicação do autarca ter referido que as explicações teriam de ser dadas pelos serviços.

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Segundo Isaltino Morais, opositor de Vistas, trata-se de uma "teia de relações"suficientemente forte para um inquérito. Pelo contrário, o atual presidente e antigo braço direito de Isaltino fala em "jogada palaciana". Vistas assegura, aliás, que Isaltino Morais também conhece o juiz em causa.

Nuno Cardoso, afilhado de Vistas, foi o juiz de turno do Tribunal da Comarca de Lisboa Oeste a deliberar sobre todas as candidaturas em Oeiras. Apesar das relações próximas, o juiz não pediu escusa. E, segundo o despacho, não encontrou "qualquer vício que cumpra assinalar" na candidatura do padrinho Paulo Vistas. O principal reparo que o juiz fez às listas do atual presidente foi o facto de Vistas ter sido registado "sem profissão".

No BE também houve problemas com a validade do cartão de cidadão do principal candidato. Até a CDU teve problemas no registo de um suplente para a Assembleia Municipal.

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O CM contactou os tribunais que compõem a comarca de Lisboa Oeste para falar com o juiz Nuno Cardoso, sem êxito. 

PSD impugna listas   

A coligação PSD/CDS à Câmara de Ourém impugnou a elegibilidade de Paulo Fonseca (PS) para ser reeleito à autarquia, por estar insolvente. O visado diz que estão "a tentar ganhar na secretaria".

Cerimónia teve lugar na Penha Longa  

O casamento do juiz Nuno Cardoso com Catarina teve lugar em 2009, a 13 de junho, na igreja de Nossa Senhora da Saúde da Penha Longa, em Sintra.

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A cerimónia foi católica e o documento que confirma o matrimónio foi depositado na Conservatório do Registo Civil de Lisboa. 

PORMENORES 

Duas queixas

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Existem dois registos de queixas por alegadas irregularidades na subscrição da lista de Paulo Vistas à Câmara de Oeiras. Uma delas foi denunciada pelo adversário Isaltino Morais.

Comissão do PSD/Oeiras

Antes de ser juiz, o magistrado Nuno Cardoso foi membro da comissão política do PSD/Oeiras, em 2004, ao lado de Paulo Vistas e Isaltino Morais.

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Notificação de dia 8

Paulo Vistas, autarca de Oeiras, diz que só "soube quem foi o juiz que proferiu o despacho no dia 8, quando foi notificado."

Basílio enriquece com o negócio da cortiça  

O autarca e recandidato com o apoio do PS à Câmara de Sintra, Basílio Horta, tem 7,9 milhões de euros em contas a prazo, um enriquecimento feito por conta de ter começado a gerir os negócios do pai e de ter recebido "muito dinheiro" de rendimentos ligados à cortiça.

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Contudo, Basílio esqueceu-se de colocar uns zeros nas declarações entregues ao Constitucional em 2010 e 2011. Ou seja, declarou 5,6 mil euros, quando devia ter declarado 5,6 milhões. Um erro que faz toda a diferença para avaliar a fortuna pessoal nos últimos anos. Segundo o ‘Observador’, o autarca reconheceu que foi um lapso involuntário e até cedeu o extrato bancário para demonstrar a riqueza.

O caso chegou a merecer críticas de apoiantes do adversário Marco Almeida (candidato do PSD e do CDS), com suspeitas de que teria enriquecido muito rapidamente.

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