Homicida confessou o crime à PJ, mas não prestou declarações perante a juíza. Advogado diz que o detido não conseguiu falar por “estar a chorar”
Chegou a fazer cartazes a anunciar congressos que nunca existiram só para poder sair de casa e, assim, escapar ao controlo da mãe. As encenações eram habituais e conhecidas dos amigos mais próximos de Luís Castanheira, o estudante de Medicina que matou a mãe adoptiva à facada em Coimbra.
Eugénia Rosa Fernandes Madeira, médica de 58 anos, era considerada excessivamente protectora e controladora pelo filho, que adoptou em bebé. "Chateava-me a cabeça", chegou a afirmar o homicida. Terá sido por isso, e perante um avolumar de situações, que planeou matá-la. Essa foi a explicação que avançou inicialmente ao ser detido pela PJ de Coimbra, a quem confessou o crime. Mas ontem não prestou declarações sobre os factos pelos quais está indiciado perante a juíza de Instrução Criminal, que lhe aplicou a medida de coacção de prisão preventiva.
Segundo o seu advogado, José Rocha Quintal, o detido "não estava em condições de prestar declarações porque estava muito emocionado". Luís Castanheira não conseguiu falar por "estar a chorar". Apenas referiu pormenores sobre as suas condições pessoais e disse que a relação com o pai era "boa" e muito próxima. Terá ainda afirmado que o divórcio dos pais não o afastou de nenhum deles.
Ao fim de uma hora e meia, Luís Castanheira deixou o Tribunal. O seu advogado diz que "está destroçado". Mas equaciona a hipótese de vir a prestar declarações sobre o crime numa fase posterior.
O aluno do 4º ano de Medicina, de 23 anos, terá planeado o crime, executou-o na madrugada de terça-feira e encenou o assalto à casa . Depois de golpear a vítima no pescoço, regressou à Figueira da Foz, onde passava férias. Foi nesse apartamento que guardou a faca de cozinha usada no homicídio e já recuperada pela PJ.
TIRA SAPATOS PARA NÃO SER DETECTADO
Luís Castanheira rodeou-se de cuidados para não ser detectado quando entrou na casa onde residia com a mãe, em Coimbra, na madrugada de terça-feira. Ter-se-á descalçado, supostamente para evitar deixar marcas ou fazer barulho, apesar de a mãe sofrer já de um grau avançado de surdez que a obrigava a usar um aparelho auditivo. Ao dirigir-se, de madrugada, da Figueira da Foz, onde passava férias, para Coimbra não terá usado a auto-estrada para evitar o registo da sua passagem pelas portagens. Mas ao encenar o assalto deixou pontas soltas que levantaram suspeitas. A começar pela corda que atou a um pilar da varanda para simular que os ladrões teriam entrado por ali. A PJ detectou facilmente que a corda só poderia ter sido colocada naquele local por alguém que estivesse dentro da casa.
QUERIA DESISTIR DA LICENCIATURA EM MEDICINA
Numa conversa recente com uma amiga, Eugénia Madeira terá manifestado alguma preocupação porque o filho queria desistir do curso de Medicina. Mas essa tensão que existia entre ambos não terá transparecido para a maior parte das pessoas que os conheciam. Um familiar do homicida, que ontem se deslocou ao Tribunal de Instrução Criminal, garantiu nunca se ter apercebido da existência de conflitos entre os dois. Referiu até que, durante a fase do divórcio dos pais, Luís Castanheira ficou sempre ao lado da mãe.
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