O namoro homossexual estava minado por ciúmes. Um dos gays receava que o seu amante o trocasse por outro homem e decidiu assassiná-lo a tiro. Paulo Figueiredo, manobrador de máquinas de 43 anos, aguardou que o companheiro chegasse a casa, depois da meia-noite de ontem, para o executar. Mas antes, já à entrada da moradia que ambos partilhavam em Carriço, Pombal, tinha amordaçado o namorado com fita adesiva e atado os pés e as mãos com uma corda.
Depois dos dois tiros, numa mão e na cabeça, Paulo arrastou o corpo de José do Carmo, 37 anos, para o quintal. A vítima foi abatida de forma que a PJ diz assemelhar-se a uma 'execução'. A relação entre os dois era conhecida na aldeia, mas a família da vítima não assume, referindo que o homicida ' vivia num quarto arrendado'.
José do Carmo trabalhava numa empresa de reciclagem de vidro, na Gala, Figueira da Foz, e tinha um filho com dez anos, de um casamento anterior. Nos últimos oito meses partilhava a casa com Paulo Figueiredo. 'Foi uma desgraça muito grande', diz ao CM Lúcia do Carmo, irmã da vítima, que soube da tragédia pelo assassino.
'Estava a deitar-me quando o Paulinho me telefonou a chorar, dizendo para ir lá a casa por causa do meu irmão. Quando cheguei, estava deitado na relva a chorar e disse--me que ouvira o meu irmão levar dois tiros'. O corpo estava 'quase no meio do quintal, com fita adesiva amarela a tapar-lhe a boca e as mãos e os pés atados com corda'.
'Uma cena horrível, não parecia real. E era tudo muito esquisito, o Paulinho só me dizia que havia mão de muita gente nisto, mas nunca me passaria pela cabeça que tivesse sido ele, pois, além do mais, era o meu melhor amigo', explica Lúcia do Carmo. À medida que o tempo foi passando apercebeu-se de algumas incongruências no discurso de Paulo, que, ao início da manhã, confrontado com os indícios encontrados pela PJ, confessou o crime e disse onde escondera a arma.
CONFESSOU APÓS VERSÕES CONTRADITÓRIAS
A PJ de Coimbra, que desvendou o crime em poucas horas, diz que na sua origem estão 'motivos passionais'. O atirador usou uma pistola de defesa de calibre 6.35 mm para atingir o companheiro com dois tiros, numa mão e na cabeça. No entanto, José 'não morreu de imediato', disse um elemento ligado à investigação, que destacou a 'extrema violência' do caso. À medida que as horas passaram, Paulo apresentou versões 'diferentes e contraditórias', mas acabou por assumir o homicídio. 'Eles mantinham uma relação amorosa e movimentavam-se no meio de outras pessoas como eles, o que terá levado o homicida a recear que alguém estaria a tentar roubar--lhe o namorado, conduzindo ao crime', disse fonte policial. Paulo será hoje presente a tribunal e o funeral é amanhã.
'DIVIDIAM AS DESPESAS E IAM ÀS COMPRAS'
'Jamais imaginaria uma situação destas, pois eles davam-se muito bem. Iam às compras juntos, dividiam as despesas e costumavam sair à noite com amigas', disse Lúcia do Carmo, ainda incapaz de explicar a trágica morte do irmão. 'Eu perguntei ao Paulinho o que tinha visto, respondeu-me que estava na cozinha a fazer sopa e uma omeleta para o meu irmão, que, quando chegou, foi ao quintal buscar salsa. Por isso só ouviu os tiros.'
Aires Oliveira mora na casa ao lado e conhecia os dois homens: 'Eram bons vizinhos, mantinham a casa e o jardim muito bem cuidados e o quintal amanhado com aprumo.'
OUTROS CASOS
DISCUSSÃO FATAL
A discussão violenta entre dois namorados gay em Agosto de 2006, em Lisboa, terminou em homicídio. O agressor foi condenado a oito anos de prisão.
FACADAS MORTAIS
Em Maio de 2005, Rui B., 21 anos, matou à facada Arlindo Alves em Lisboa. Confessou, mas alegou legítima defesa e foi absolvido.
DONO DO 'TRUMPS' MORTO
Artur Esteves, ‘rei’ da noite gay lisboeta, foi assassinado à facada por um amante de ocasião em Setembro de 2004.
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