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Cocaína da máfia passa pelo Algarve

Rede francesa operava a partir de vivenda em Faro. Foram apanhados com 870 kg de droga, num veleiro, destinada ao crime organizado de Marselha.
5 de Julho de 2011 às 00:30
Viviam em vivenda com piscina
Viviam em vivenda com piscina FOTO: direitos reservados

O primeiro alvo da Judiciária caiu há três semanas, literalmente, num despiste de moto que lhe ceifou a vida no Algarve. Era o cérebro da rede de tráfico de droga, francês, que coordenava a chegada dos carregamentos de cocaína ao sul do País, por mar, e o posterior transporte para Marselha – onde tinha ligações à máfia local. Mas logo após o acidente a sua filha, 35 anos, tomou as rédeas do negócio – fraquejando no transporte de 870 quilos de ‘coca’ do Caribe para Portimão, há uma semana. Foi presa, com três cúmplices.

O destino da droga seria a máfia marselhesa – que domina o tráfico de droga, contrabando, e se distingue pela extorsão aos comerciantes locais. Um elemento da máfia estabelecia os contactos regulares com a mulher que chefiava a rede sediada no Algarve, agora desfeita pela investigação da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Judiciária.

Tudo se começou a desmoronar há cerca de um mês, no dia em que dois franceses se fizeram ao mar, a partir da Marina de Portimão, para uma viagem de 20 dias até ao Caribe, onde iam buscar os 870 quilos de cocaína. A PJ já sabia de tudo, deixou-os ir – e avisou a polícia local, que a 26 de Junho prendeu os dois em flagrante delito já na posse da droga. No dia seguinte, era a vez de os inspectores da PJ avançarem para a vivenda em Montenegro, Faro, onde viviam a mulher que actualmente chefiava toda a rede, desde que o pai morrera, e outro traficante francês, com 45 anos.

A este último, com um sérvio que chegara na véspera, caberia ir fazer o transbordo da cocaína para um barco semi-rígido, a 10 milhas da costa, onde estava combinado encontrar-se com a tripulação do veleiro. Antes, a PJ avançou com a operação na vivenda, comprada há uns meses em dinheiro vivo, tendo os investigadores ficado surpreendidos com a fortuna encontrada, entre dinheiro, relógios e veículos; e com a organização no crime: tinham aparelhos que apanhavam as comunicações policiais e armas, uma com silenciador.

FORTUNA EM 60 RELÓGIOS E ARMA COM SILENCIADOR

Quando entraram na vivenda em Montenegro, Faro, para prender o casal francês que controlava o negócio a partir dali, os investigadores da PJ depararam-se com uma colecção de 50 a 60 relógios de luxo, entre os quais Rolex, em que os mais baratos não valem menos de três a quatro mil euros e o mais caro está avaliado em 70 mil. Encontraram ainda 300 mil euros e 80 mil dólares em dinheiro, além de jóias, o barco semi-rígido de sete metros que iria fazer o transbordo da droga a 10 milhas da costa, cinco automóveis e quatro motos. De resto, os traficantes tinham armas, das quais uma fora roubada em Itália – um revólver .38, duas pistolas 9 mm e 7,65 mm e uma .22 com silenciador, usada para execuções ao estilo da máfia. Além de um aparelho para detecção de comunicações rádio, tinham telemóveis e documentos.

APARELHO PARA OUVIR CONVERSAS DAS POLÍCIAS

Na vivenda em Montenegro, Faro, que só recentemente era habitada pelos traficantes franceses, depois de demoradas obras quase desde o dia em que a tinham comprado, em dinheiro vivo, há uns meses, a Polícia Judiciária encontrou um sofisticado aparelho que não só permite bloquear como ouvir as comunicações entre polícias. Não foi suficiente para evitarem que a PJ reunisse todas as provas e avançasse para o casal, ele, da Córsega, com 45 anos, e ela com 35, que negaram tudo e se intitularam empresários. Recolheram à cadeia em prisão preventiva e a casa deve agora ser arrestada pela investigação.

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