Sandro ‘Bala’ coreografou cenas de luta e fez uma perninha como actor no filme português 'Marginais'.
Diz quem o conhece que 'não faz mal a uma mosca', mas é procurado pela Justiça por ter espalhado o terror na Margem Sul. Sandro ‘Bala’, o instrutor brasileiro de jiu-jitsu suspeito de liderar um gang que terá praticado vários crimes na Margem Sul e em Lisboa – e que escapou a uma megaoperação policial em Fevereiro –, é actor num novo filme português mas, agora foragido no Brasil, não deverá vir à estreia. Se o fizer, será detido.
‘Marginais’ foi rodado em Lisboa e no Seixal em 2008, faz um retrato do submundo das lutas ilegais de rua, e ‘Bala’ foi convidado pelo realizador, Hugo Diogo, para participar. Não só como actor mas ainda na qualidade de instrutor de jiu--jitsu. Além de representar – na ficção é o braço-direito de um bandido de nome ‘Cão’ (Hugo Carosa) – coreografou as cenas de luta e treinou o protagonista, José Fidalgo, que veste a pele de um líder de gang, instrutor e dono de uma escola de jiu-jitsu, como o brasileiro.
'Até prova em contrário, para mim, ele é inocente', diz José Fidalgo, recordando a 'surpresa' das notícias que dão conta de que Sandro ‘Bala’ será o cabecilha do gang detido pela polícia, na Costa de Caparica, em Fevereiro.
Também o realizador exalta o melhor do cinturão negro de jiu--jitsu, à data da rodagem também segurança do Buddha bar, em Lisboa. 'Ele foi sempre muito profissional e é muito fixe. Não é nada durão, é muito afável e respeitador', sublinha Hugo Diogo, cineasta de 30 anos que conheceu o homem a quem chamam ‘mestre’ graças a um amigo que praticava jiu-jitsu na sua escola.
Hugo frisa ainda que em nenhum momento lhe passou pela cabeça que o atleta pudesse ter ligações ao crime organizado e que 'até as meninas da produção do filme lhe chamavam ‘Teddy Bear’ [ursinho], por ele ser tão calmo e boa pessoa.'
‘Marginais’, ainda sem estreia marcada – a produtora David & Golias está em negociações com a distribuidora Lusomundo –, partiu de uma ideia de Hugo Diogo, que se inspirou numa notícia publicada há anos no CM.
A trama tem ingredientes para o sucesso: incesto, lutas ilegais de rua, sexo, paixão e vingança. Com tudo isto se faz ‘Marginais’, um filme ritmado, urbano e com temas inéditos no cinema português. E com um ‘protagonista’ que, como a inspiração da ficção, virou notícia de jornal. Na vida real...
GANGSTERS DE VERDADE NO ECRÃ
‘O Padrinho’ (1972), de Francis Ford Coppola, tinha no elencobandidos da vida real. Em destaque, Lenny Montana, o ‘Luca Brasi’ segurança de Don Corleone (Marlon Brando), chegou a ser capanga de Joe Colombo, um temido ‘cappo’ da máfia de Nova Iorque, antes da estreia no cinema. Já Michael Squicciarini, de ‘Os Sopranos’, foi acusado em 2002 de envolvimento na execução de um membro da família mafiosa em que a série se baseia, o clã DeCavalcante. Lillo Brancato, da mesma série, foi julgado (e absolvido) pela morte de um polícia num assalto em 2005. E ‘Gomorra’, filme sobre a Camorra (máfia de Nápoles), tem vários não-actores com associações ao crime organizado.
'TEM JEITO PARA REPRESENTAR': José Fidalgo, Actore protagonista de ‘Marginais’
Correio da Manhã – No filmeinterpreta um bandido, dono de uma escola de jiu-jitsu [como Sandro ‘Bala’ na vida real].
José Fidalgo – Sim, sou um bandido. Mas nem tanto assim, apesar de aproveitar a minha escola de jiu--jitsu para fins ilícitos: lutas ilegais de rua, com apostas...
– Como se preparou?
– Tive aulas na Costa de Caparica, na escola do Sandro ‘Bala’, com ele e com outros instrutores. Aprendi algumas técnicas.
– Como se deu com o Sandro?
– Ele é calmíssimo. Apesar do tamanho, é querido com toda a gente. E tem jeito para representar.
– Como reagiu quando soube das alegadas ligações criminosas do Sandro?
– Fiquei surpreendido. Ele não faz mal a uma mosca. Para mim, até prova em contrário, ele é inocente.
SUSPEITO DE LIDERAR GANG
Sandro da Silva Lima, ou Sandro ‘Bala’, nasceu no Brasil há 38 anos. Chegou a Portugal em 2000 e aperfeiçoou os conhecimentos de jiu-jitsu que já tinha. Abriu mesmo uma academia de ensino desta arte marcial, na Costa de Caparica, e arranjou emprego como segurança. No entanto, o Ministério Público acusa-o de gerir uma rede de praticantes de jiu-jitsu empregados como seguranças que, em conivência com agentes da autoridade (um deles primo do cantor Angélico), praticaram vários crimes na noite da Margem Sul. Foragido no Brasil, Sandro ‘Bala’ está acusado de homicídio tentado, associação criminosa, extorsão e ainda de segurança ilegal.
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