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Horácio Roque: A secretária milionária

Antiga secretária de Horácio Roque, Paula Caetano vivia com o empresário há oito anos. Recebeu em herança o controlo de duas seguradoras avaliadas em 100 milhões

11 de setembro de 2010 às 00:30

Horácio Roque deixou em herança mais de 100 milhões de euros à sua antiga secretária Paula Caetano, a mulher com quem vivia há oito anos. O fundador do Banif – Banco Internacional do Funchal, que morreu no passado dia 19 de Maio, tem duas filhas do seu único casamento, com a antiga dirigente da UNITA Fátima Roque.

Teresa e Cristina Roque são as herdeiras universais daquele que foi um dos dez homens mais ricos de Portugal, com uma fortuna avaliada em 532,7 milhões de euros. Mas a ex-secretária Paula Caetano foi contemplada como legatária no testamento do empresário, de origem beirã, com a propriedade da SOIL.

A sociedade anónima detém 52% da Rentipar Seguros, empresa que, por sua vez, possui a totalidade das acções da Açoreana Seguros e da Global Seguros. Os restantes 48% da Rentipar pertencem ao Banif, que ficou reservado para as duas filhas de Roque. Na prática, Paula Caetano ficou com o controlo accionista maioritário das duas seguradoras, avaliadas em mais de 100 milhões de euros.

Teresa Roque, a filha mais velha, é quem está agora a gerir directamente as empresas do pai, às quais, aliás, já estava muito ligada, sobretudo na direcção do Banif. Cristina continua os seus estudos, mais precisamente um doutoramento, no estrangeiro.

Há muitos anos no top-ten dos homens mais ricos de Portugal, Horácio Roque deixou bens e propriedades não só em Portugal continental mas também na Madeira, Brasil e África do Sul.

Além das actividades financeiras, em que estava especialmente empenhado, o empresário mantinha outros negócios, do turismo ao imobiliário. Detinha, por exemplo, metade da Siet Savoy, que dividia a meias com o amigo e também empresário Joe Berardo, com três hotéis na Madeira.

A Empresa Madeirense de Tabacos foi outro dos negócios em que manteve sociedade com Berardo. Diversos projectos na área do imobiliário, empresas de rações para animais e produtos avícolas, foram outros tantos investimentos.

Os rumores sobre um possível diferendo entre Paula Caetano e as filhas do empresário a propósito do testamento são desmentidos por fontes próximas da família.

"Ainda que existissem divergências do foro pessoal entre as filhas e Paula Caetano, que não existem, Horácio Roque deixou bem expressa a sua vontade no testamento", diz ao CM fonte próxima da família Roque. Mais: "As filhas são as herdeiras universais, e a mulher com quem viveu, mas não estava casado, ficou designada como legatária."

O EMPRESÁRIO DE OURO

Horácio Roque esteve durante os últimos anos entre os dez homens mais ricos do País. De origem humilde, o empresário nasceu na aldeia de Mogadouro, a 80 quilómetros de Oleiros, em Castelo Branco. Com apenas 14 anos, viaja para Luanda, com uma pequena escala em Lisboa, só com 500 escudos no bolso. Aí teve os dois primeiros trabalhos da vida, como caixeiro-aprendiz e empregado de restaurante.

Troca Angola pela África do Sul em 1976, depois de ter perdido tudo o que tinha no pós-25 de Abril. Em Joanesburgo, torna-se amigo e sócio de Joe Berardo. Funda o Banif em 1988, banco que viria a ser o principal foco da sua vida empresarial e deu origem a um império, o Banif Grupo Financeiro. O empresário só saiu do grupo restrito de milionários internacionais da revista ‘Forbes’ em 2008 – nesse ano aparecia na 843ª posição, com uma fortuna calculada em 1,40 mil milhões de dólares (1,12 mil milhões de euros). Morreu com 66 anos.

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