Administração vai pagar a motorista do presidente, por rescisão amigável de contrato, uma indemnização de quase 110 mil euros
A administração da EPAL, liderada por João Fidalgo, vai pagar uma indemnização, por rescisão amigável de contrato de trabalho, de quase 110 mil euros a Filipe Rodrigues, motorista do presidente da empresa. Com 26 anos de funcionário da EPAL, Filipe Rodrigues – que é apontado como militante socialista e cuja mulher trabalhará na Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS – tem um salário mensal de cerca de 1360 euros, mas, por cada ano de casa, receberá uma indemnização de 4230 euros, equivalente a mais de três ordenados por ano.
A EPAL, em resposta às perguntas do CM sobre os critérios que estiveram na base da atribuição de uma indemnização de cerca de 110 mil euros a Filipe Rodrigues, justifica essa medida de forma simples: "Tem vindo a ser prosseguida nos últimos anos uma política de racionalização e renovação de trabalhadores na EPAL, com efeitos evidentes na progressiva redução do seu quadro de efectivos, tendo-se considerado adequado estendê-la ao número de motoristas da administração."
A empresa liderada por João Fidalgo, gestor público próximo do primeiro-ministro José Sócrates, precisa que "o processo seguido no caso presente [de Filipe Rodrigues] resultou de iniciativa do trabalhador e segue os preceitos legais em vigor, sendo mais favorável em termos económicos para a empresa do que o adoptado em relação aos outros trabalhadores em 2010". O conselho de administração da EPAL aprovou a indemnização a atribuir a Filipe Rodrigues, relativa à sua saída da empresa, numa reunião realizada na passada quinta-feira. O motorista de João Fidalgo ingressou na EPAL em Outubro de 1984 como servente, depois passou a lavador de carros e só mais tarde havia de integrar a equipa de motoristas da frota da empresa.
João Fidalgo foi nomeado presidente da EPAL no mês de Maio de 2005 pelo então ministro do Ambiente, Nunes Correia. O primeiro governo de José Sócrates tomara posse em meados de Março, apenas dois meses antes.
CONTRATAÇÃO DA CUNHADA DE SÓCRATES
A EPAL contratou no Verão passado a cunhada de José Sócrates para assessora do conselho de administração. Mara Fava, irmã de Sofia Fava (ex-mulher de José Sócrates), ingressou nos quadros da EPAL após quase dois anos como trabalhadora a recibos verdes.
Mara Fava terá um salário mensal de 2103 euros. No mesmo mês, entrou também na EPAL Mariana Henriques, mulher de Jorge Moreira da Silva, ex-secretário de Estado do Ambiente, ex-consultor do Presidente da República e vice--presidente de Passos Coelho.
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