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Obras vão suspender pagamento de portagens

A subcomissão de Segurança Rodoviária da Assembleia da República está a apreciar dois projectos-lei que visam suspender ou reduzir o preço das portagens quando existam obras na rodovia. O ministro Mário Lino acompanha com interesse o desenvolvimento dos trabalhos.

09 de abril de 2006 às 13:00

A Assembleia da República está a estudar dois projectos-lei que visam suspender ou diminuir os preços das portagens quando existirem obras na rodovia. O assunto encontra-se em discussão na subcomissão de Segurança Rodoviária e existe já um consenso entre todos os partidos para a necessidade de introduzir aquele mecanismo nos contratos de concessão a celebrar no futuro. Em relação à entrada em vigor desta medida nas actuais auto-estradas, a questão é mais delicada e o Partido Socialista (PS) ainda não tem uma posição clara. “É preciso saber se uma auto-estrada em obras deixou de servir os utentes pelo lado da segurança, se deixou de servir pela quebra de velocidade, ou se, por outro lado, os utentes devem comparticipar na manutenção das auto-estradas? São tudo questões em aberto. Estamos a ouvir todas as entidades intervenientes neste processo e depois tomaremos posição”, afirmou ao CM Nelson Baltazar, deputado do PS e presidente da subcomissão de Segurança Rodoviária.

As propostas que estão em cima da mesa são as do PSD: uma resolução que consagra a suspensão da cobrança ou alteração do valor de portagens devidas pela circulação em lanços de auto-estrada onde se realizem obras ou trabalhos cuja duração seja superior a 60 dias, desde que impliquem supressão ou estreitamento de vias ou de bermas.

A do Bloco de Esquerda (BE): o projecto de Lei n.º 164/X que considera “obras” todos os trabalhos na via de circulação dos quais resultem a supressão de bermas, redução do número de vias utilizáveis, desvios da faixa de rodagem ou impliquem uma redução do limite máximo da velocidade de circulação. Mais, no regime previsto pela proposta do BE a suspensão não se aplica no caso das obras com duração inferior a 48 horas.

E, finalmente, o do PCP: projecto de Lei n.º 145/X que isenta as obras com duração inferior a 48 horas, mas para os trabalhos com duração superior refere que “durante a realização dos trabalhos, as auto-estradas e travessias rodoviárias sujeitas a regime de portagem ficam isentas do seu pagamento, na extensão correspondente aos sublanços onde tenha lugar a execução da obra”.

Para o deputado do PSD, Luís Rodrigues, “seria desejável que a subcomissão chegasse a um consenso em relação às questões da suspensão ou redução das portagens e da informação a prestar aos automobilistas no caso de obras”.

Aquele responsável considera que existem condições que ainda “não se encontram fechadas” e refere que “em face da necessidade de alteração dos contratos de concessão é necessário que o Estado salvaguarde os seus interesses e não seja penalizado com mais despesa”. No entanto, Luís Rodrigues adianta que “no que se refere às actuais concessões é preciso avaliar a introdução do mecanismo de suspensão dos pagamentos nas portagens num prazo aceitável”.

Os ministros dos Transportes e da Economia deverão ser chamados à subcomissão de Segurança Rodoviária no próximo mês de Maio.

À semelhança de outros países também Portugal pode vir a ter, no futuro, taxas municipais de acesso para os automobilistas que queiram aceder às grandes cidades. Para Guedes de Carvalho, professor da Universidade da Beira Interior, a inserção destas taxas é uma medida que pode trazer mais-valias ao próprio fluxo de trânsito na cidade, descongestionando os eixos citadinos.

Falando ao CM, o professor salientou que, no caso português, só seria possível impor estas taxas em Lisboa. Isto porque no Porto, à semelhança de outras cidades portuguesas, “há demasiados eixos de passagem” e o trânsito é menos caótico do que na capital.

Guedes de Carvalho, que falou à margem do Congresso Rodoviário, revela ainda uma excepção que deve ser levada em conta, caso a política das taxas municipais entre de facto em vigor: o turismo. “Uma pessoa vem de fora visitar o País e ainda tem de pagar?”, questiona, acrescentando que estas medidas poderiam afectar fortemente o fluxo de turistas e a própria imagem da cidade.

ALGUNS CASOS RECENTES

Os últimos casos de obras prolongadas em troços concessionados provocaram vários constrangimentos aos automobilistas. Foi o caso da auto-estrada Lisboa-Cascais que esteve mais de um ano em obras com uma redução significativa da velocidade entre a Parede e o Estoril.

O mesmo aconteceu na A1 entre Santa Maria da Feira e os Carvalhos, com a redução da velocidade para os 60 quilómetros, provocando enormes filas de trânsito. Actualmente, as reparações realizadas na A2, no troço compreendido entre Fogueteiro e Coina, limita a velocidade aos 80 quilómetros por hora, o que, segundo alguns, a torna numa “auto-estrada virtual”.

SEGURANÇA TOTAL (Brisa Auto-estradas de Portugal)

“Para a Brisa é fundamental a segurança e a informação dos automobilistas e dos trabalhadores que exercem a sua actividade no melhoramento das rodovias concessionadas.”

REVER O CONTRATO (Grupo Aenor)

“As regras que determinam o preço das portagens fazem parte do contrato celebrado entre a concessionária e o Estado. Qualquer alteração nessas regras terá consequências neste cenário.”

MELHORAR A CONDUÇÃO

A Universidade de Coimbra, subcontratada pela Estradas de Portugal, desenvolveu veículos preparados para apoiar a recolha de dados relativos ao comportamento dos condutores. Estes “veículos instrumetalizados” estudam “como induzir nos condutores comportamentos mais correctos”, explicou Álvaro Sêco, um dos investigadores daquela Universidade. Estes simuladores já tiveram um importante contributo no desenho de rotundas.

MAIS QUALIDADE

“A qualidade de serviço nas redes concessionadas é muito superior em relação à qualidade das redes não concessionadas”, defendeu António Laranjo, presidente das Estradas de Portugal durante o IV Congresso Rodoviário. “O estilo de condutores e de condução nas auto-estradas é muito diferente”, acrescentou.

ATROPELAMENTOS

A introdução do limite de 30 quilómetros por hora nas zonas residenciais e na proximidade de escolas e lares é uma das medidas apresentadas no estudo de João Dias e Humberto Paula, investigadores do Instituto de Mecânica do Técnico, para diminuir a sinistralidade pedonal.

CONCESSÕES

O Programa de Concessões Rodoviárias contou, entre os anos de 1998 e 2005, com a intervenção do sector bancário na concessão de financiamento e garantias no valor de 5500 milhões de euros, adiantou durante o IV Congresso Rodoviário Artur Santos Silva, presidente do Banco Português de Investimento (BPI).

ROTUNDAS CONTRA A VELOCIDADE

A introdução de rotundas à entrada das localidades veio substituir os sinais de limite de velocidade com muito mais eficácia.

ACIDENTES EM DUAS RODAS

Um estudo do Instituto de Mecânica do Técnico diz que o factor humano é o grande responsável pelos acidentes em duas rodas.

VALAS CENTRAIS

Mesmo conduzindo dentro dos limites de velocidade, um veículo em despiste pode transpor a vala central da auto-estrada.

TEMPO DE ULTRAPASSAGEM

Um estudo realizado por Ângelo Jacob e Carlos Rodrigues do Técnico refere que o tempo de ultrapassagem é, no mínimo, de oito segundos.

SEGUNDA FILA

Um ou dois veículos estacionados em segunda fila dentro de um quarteirão (100 metros de comprimento) inutiliza, em média, 50,3 metros.

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