O arquivamento do processo "não é uma declaração de inocência" dos pais de Maddie, recordou ontem ao CM Gonçalo Amaral. "A Procuradoria-Geral da República não diz que são inocentes" e o ex-responsável da Judiciária na investigação do caso, desde o início convicto da culpa de Kate e de Gerry por encobrirem a morte, espera que "seja reaberto a qualquer momento".
O coordenador agora aposentado sabe o que terá faltado à PJ para que se desvendasse o crime, mas remete as pistas para o seu livro, ‘Maddie – A Verdade da Mentira’, apresentado na quinta-feira.
Para já ficam sem resposta todas as pontas soltas nesta investigação. As contradições insanáveis em depoimentos no seio do grupo; um turista irlandês e a família que garantem com 80 por cento de certeza terem visto Gerry passar em direcção à praia com uma criança na noite do crime; cães especialmente treinados pela polícia britânica que detectaram a presença de sangue e de odor a cadáver no apartamento, no carro e até nas roupas de Kate; o casal britânico que descreveu à polícia os comportamentos suspeitos que detectaram nas conversas entre Gerry e o David Payne, elemento do grupo, e que indiciavam sexo com menores. Maddie foi referida.
Gonçalo Amaral promete falar de 'factos' na quinta-feira, depois de em Outubro de 2007 ter sido afastado deste caso e deslocado da PJ de Portimão para Faro. Ainda assim, lê-se num comunicado do Ministério Público emitido ontem, não foram obtidas 'provas da prática de qualquer crime por parte dos arguidos' Kate, Gerry e Robert Murat, este último já afastado da hipótese de rapto há cerca de um ano.
O MP ressalva que quaisquer diligências 'sérias, pertinentes e consequentes' poderão levar à reabertura do inquérito, mas Kate e Gerry McCann, numa declaração lida ontem, dizem ser 'difícil descrever como foi desesperante'. 'Saudamos as notícias de hoje [ontem], embora não seja causa para celebrações.' O processo foi arquivado sem quaisquer arguidos.
EXAMES: CONTAMINAÇÃO DOS VESTÍGIOS ERA POSSÍVEL
'EXISTE ADN DE MADELEINE?'
A comparação dos resultados de um vestígio biológico e a determinação de que trata efectivamente do ADN de uma determinada pessoa está longe de ser uma ciência exacta. Em complemento ao relatório do laboratório inglês para onde foram enviados os vestígios sinalizados pelos cães, o perito forense enviou à Polícia Judiciária um e-mail ondegarantia que a conclusão sobre os vestígios recolhidos na bagageira do carro era complexa. 'Existe ADN de Maddie?', perguntava o especialista, respondendo depois que não havia uma única resposta. Ou seja, se era verdade que 15 dos 19 componentes correspondiam ao da criança inglesa (o que permite dar um probabilidade muito elevada) também o era que os componentes individuais no perfil de Madeleine não eram unicamente dela. E explicava: 'É importante sublinhar que 50 por cento do perfil de Madeleine será partilhado por cada progenitor.'
Foi aí que assentou a dúvida. Não podendo ser separados os perfis genéticos dos familiares, era admissível – ainda que por hipótese teórica 'ou por obra do acaso' – que a correspondência fosse uma simbiose dos vestígios da mãe e do pai.
Diz ainda John Lowe, perito forense, que várias questões ficariam sempre sem resposta. Designadamente saber quando e como o ADN foi depositado, de que fluídos corporais era proveniente aquele ADN e se foi cometido um crime.
Refira-se ainda que aqueles vestígios tinham sido recolhidos no carro alugado após o desaparecimento de Maddie – o que impossibilitava que a menina tivesse andado no veículo. O relatório do laboratório inglês diz que não é possível demonstrar que os vestígios recolhidos sejam de Kate e Gerry, mas acrescenta depois que também não é possível provar o contrário.
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