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Predador isolado e odiado na prisão

Guardas criticam “atitude arrogante” de Sotero, que recusa convívio e trabalho. Postura “pouco inteligente” para quem arrisca ficar ali até aos 47 anos.

13 de setembro de 2011 às 00:30

O primeiro ano de cadeia foi duro para Henrique Sotero. Só por se tratar do violador de Telheiras, começou por ser agredido a soco pelo skinhead Mário Machado, ainda na zona prisional da PJ. E agora, por opção própria, já no Estabelecimento Prisional de Lisboa, vive isolado do resto dos reclusos. Sotero recusa participar "em actividades comuns, de trabalho ou de convívio, numa atitude entendida como de arrogância", diz ao CM uma fonte prisional.

Uma postura "que é pouco inteligente", avisam os guardas, para quem arrisca passar ali, na ala reservada aos presos por crimes sexuais, 16 anos de vida – dois terços da pena máxima, altura em que é avaliada a liberdade condicional, no caso de hoje, conforme espera a defesa das 12 vítimas, ser condenado a 25 anos de cadeia. Tem hoje 31 anos; pode sair apenas aos 47.

A leitura do acórdão continua agendada para as 14h00, no Campus de Justiça, mas nem o violador nem as suas vítimas deverão estar presentes. O primeiro, depois de ter pedido dispensa à juíza – "sei que vou ser condenado e quero estar longe nesse dia, não quero ser filmado nem fotografado", justificou Sotero –; as segundas para evitarem emoções que as obriguem a reviver todo o pesadelo. As raparigas, entre os 15 e os 20 anos, estão todas a receber apoio psicológico e foram aconselhadas a não marcar hoje presença.

Depois de ter atacado, sobretudo em Telheiras, do Verão de 2008 a Março de 2010, quando foi preso pela PJ, o violador passou a ter uma relação de atrito com o sistema prisional. "Sempre que é confrontado com actividades, ele questiona logo se é obrigado a cumpri-las, quer saber o que dizem os regulamentos da cadeia sobre tudo, e recusa o contacto com os outros presos", dizem fontes da prisão.

PSP PREPARA UM REFORÇO PARA A SENTENÇA

A PSP já preparou um reforço policial para esta tarde, junto ao edifício das varas criminais do Campus de Justiça, em Lisboa, onde Henrique Sotero vai conhecer a sua sentença pelos 74 crimes que cometeu ao longo de dois anos. Durante todas as sessões e alegações finais, o colectivo de juízes protegeu o violador de Telheiras da publicidade. Hoje, pela primeira vez, e de acordo com a lei, a audiência será à porta aberta – para a leitura da sentença. Será a esquadra do Parque das Nações que vai assegurar o policiamento, com pelo menos uma Equipa de Intervenção Rápida, constituída por oito polícias. O violador de Telheiras não vai estar presente e, segundo fonte da defesa de Sotero, os familiares também não vão estar no tribunal.

SÓ ESCREVE E RECUSA TOMAR COMPRIMIDOS

Desde que entrou na cadeia, Henrique Sotero passa os dias a escrever um livro sobre o seu dia-a-dia na prisão. Aos peritos do Instituto de Medicina Legal, o violador de Telheiras disse que pretendia apresentar o livro num concurso literário. Sotero passa grande parte do tempo a elaborar manuscritos e pede depois à namorada, Ana Filipa Sobral, para passar a computador, aquando das visitas. E é também por causa dos manuscritos que o violador tem conflitos com os guardas prisionais – porque não quer tomar os comprimidos que o ajudam a adormecer.

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