Amigos desesperados com descoberta de corpo, numa ravina junto à A24. Jovem ainda tinha o cinto de segurança e estava no carro.
Tornada remota a hipótese de crime, depois de reconstituído o trajecto de Carina – e por ser quase impossível alguém ter travado a jovem naquele percurso – só restou à polícia procurar o corpo. Ontem, ao final da tarde, uma equipa da Judiciária do Porto encontrou os restos mortais da jovem desaparecida há um mês e seis dias, depois de ter saído de casa, em Lamego, em direcção ao Clube de Caça de Peso da Régua, onde ia ajudar uma amiga. Estava a cerca de um quilómetro do túnel da A24, caída numa ribanceira.
'Por favor, quero morrer contigo amiga', gritavam ontem à noite alguns amigos de Carina, abraçados e em lágrimas, perto do local onde o corpo foi encontrado. Estava dentro do Peugeot que conduzia e ainda com o cinto de segurança colocado. Tudo indica que foi acidente, o automóvel caiu por uma ribanceira e ficou escondido na densa vegetação. Durante a noite, bombeiros e polícias ainda tentavam resgatar os restos mortais da jovem de 21 anos que se encontravam já em adiantado estado de decomposição.
A notícia foi recebida em Lamego com muita dor. Família e amigos da vítima mantinham a esperança de encontrar a jovem com vida e a descoberta confirmou um cenário que todos se recusavam a aceitar.
Fundamental para a descoberta de ontem foi a localização precisa do telemóvel da jovem – que se manteve ligado durante três dias – e também o facto de as câmaras de vigilância do túnel da A24 não terem detectado a passagem do carro de Carina. Limitada a busca, a Polícia Judiciária encontrou o carro.
Inspectores desceram as ravinas com cordas e pelas 18h00 confirmaram o pior cenário. Muito perto do local onde os bombeiros tinham estado, o carro de Carina estava visivelmente danificado. Caiu de mais de 30 metros e a morte da jovem poderá ter sido imediata. Pelo menos nem tentou sair do carro, não há qualquer indício de que sobrevivera ao acidente. A autópsia ao cadáver irá agora dar o resto das respostas aos investigadores.
BOMBEIROS ESTIVERAM PRÓXIMO
O carro de Carina foi encontrado a poucos metros do rio Balsemão, um afluente do Douro, onde as autoridades também realizaram buscas com mergulhadores para encontrar o Peugeot 106 vermelho.
Apesar dos meios envolvidos, era impossível aos bombeiros e à Polícia Judiciária conseguirem avistar o veículo a partir do rio.
A queda do carro pela ribanceira, que acabou por arrastar vegetação, escondeu o Peugeot da jovem, ontem encontrado.
PORMENORES
TELEMÓVEIS
Carina usava dois telemóveis, mas apenas um deles se manteve ligado durante três dias. A Polícia Judiciária do Porto conseguiu a localização exacta do sítio onde tocou o aparelho, através da operadora.
CONTAS BANCÁRIAS
As contas bancárias de Carina mantiveram-se intactas, o que levou as autoridades a afastarem rapidamente a hipótese de a jovem se ter ausentado voluntariamente.
COMPUTADOR
O computador portátil de Carina também desapareceu. A polícia tentou através da localização da internet perceber se o mesmo voltava a ser ligado. Nunca aconteceu.
MILITARES
No final da semana passada, os investigadores da Judiciária ouviram diversos militares dos Rangers de Lamego para tentar perceber se haveria qualquer indício de crime passional.
PERCURSO
O facto de se tratar de um percurso sinuoso levou sempre as autoridades a admitir que pudesse ser um acidente. As margens do rio foram alvo de buscas, mas nada foi encontrado.
ROUBO
Outra hipótese que chegou a ser equacionada foi Carina ter sido vítima de um assalto. Aí, as autoridades admitiam que o carro pudesse ter sido interceptado na rotunda de Lamego e depois desviado para uma estrada secundária.
FAMÍLIA RECEBE AJUDA PSICOLÓGICA
A família de Carina Ferreira esteve ontem no local onde foi encontrado o carro da jovem de 21 anos, mas recolheu para casa onde, ontem à noite, estava a receber acompanhamento psicológico por parte de uma equipa médica.
Mal chegou a notícia de que o Peugeot vermelho tinha sido encontrado numa ribanceira da A24, a família quis verificar no local se se tratava do veículo que Carina utilizara para se deslocar ao Clube de Caça e Pesca, na última noite em que foi vista.
Durante os longos dias de angústia que a família viveu, tanto os pais como os avós de Carina pensaram em todas as hipóteses, tal como o rapto. Mas tiveram sempre a esperança de rever Carina viva. 'Temos sempre esperança de que amanhã seja um dia melhor', dizia, na primeira semana do desaparecimento, o pai, Ernesto Ferreira.
Nas últimas semanas, a ausência de pistas começou a deixar os familiares em desespero. A hipótese da morte, que nas primeiras semanas rejeitavam, tornava-se, cada vez mais, a mais provável.
'Passou muito tempo, começamos a pensar no pior', afirmou ao CM Manuel Catarino, quando passavam 20 dias sobre o desaparecimento da neta. No local, concentraram-se ontem diversos amigos.
AMIGOS CHORAM NO FACEBOOK
'Descansa em Paz, Carina. Nunca esperava este desfecho. Sempre tive a esperança que irias aparecer viva. Tudo termina de uma forma muito triste'. Estes eram alguns dos comentários que os amigos de Carina colocaram na página da internet do Facebook.
Desde o desaparecimento da jovem de 21 anos, a rede social juntou mais de 34 mil amigos.
NOTAS
PJ: CARINA ERA PRIORIDADE
O director da PJ do Porto, Baptista Romão, assumiu a prioridade de encontrar Carina. 'Prometemos que vamos manter-nos no terreno e esgotar todas as possibilidades até a encontrar', disse
EQUIPA: CRIADA PARA INVESTIGAR
Há pouco mais de uma semana, a PJ do Porto criou uma equipa especial para investigar o desaparecimento de Carina. Oito inspectores de diferentes valências foram para o terreno
RANGERS: VIDA AMOROSA
Uma parte da investigação centrou-se em passar a pente-fino a vida amorosa de Carina. A rapariga chegou mesmo a namorar, ainda que por pouco tempo, com um militar dos Rangers
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