É um dado adquirido: Luiz Felipe Scolari abandona o comando técnico da selecção nacional após a participação da turma das quinas na fase final do Mundial da Alemanha, a disputar no Verão de 2006. A notícia em si não apanha ninguém desprevenido, pois já circula internamente, no seio da equipa nacional, há algum tempo.
Mas agora é praticamente oficial. “Se o Mundial nos correr mal, Scolari naturalmente não vai continuar, mas se correr bem, também será impossível segura-lo, embora fosse nossa vontade mantê-lo”, disse ontem Gilberto Madaíl ao CM.
Segura está a sua manutenção no cargo de seleccionador até ao Alemanha’2006. Declarações do próprio Scolari após o jogo contra o Liechtenstein lançaram alguma incerteza sobre esta matéria, mas Madaíl aclarou a situação e garantiu a continuidade do técnico: “O senhor Scolari é uma pessoa muito honesta e o que ele quis dizer com isso é que o seu lugar está sempre à disposição do presidente da Federação. Mas eu, nesta qualidade, reitero plenamente a confiança que nele deposito. Não há mais nada para além disto. Ele vai continuar até ao Mundial. E por minha vontade até ficava para além disso”.
Sobre os objectivos impostos a Scolari para o Alemanha’2006, Madaíl esclarece: “Nós, direcção e equipa técnica, temos dito que estamos entre as oito melhores selecções do Mundo. É nessa condição que queremos continuar após o Mundial. Esse é o objectivo-base traçado, ficar nos oito melhores. Depois disso temos outros objectivos, pois a ambição é chegar o mais longe possível”. À final? “Tenho uma grande fé de que vamos fazer um grande Mundial”, responde.
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que consegue a quinta qualificação da selecção nacional para fases finais de grandes competições desde que exerce o cargo, coloca mesmo a escolha de Scolari como uma das razões que explicam a consumação de mais um apuramento. “Foi uma aposta pessoal nossa e agora está à vista que fez todo o sentido. Ele era um campeão do Mundo quando o fomos buscar. Com ele fomos vice-campeões da Europa e estamos de novo numa fase do final de um Mundial, a lutar de igual para igual com outras selecções”. Madaíl relembra também outros factores que explicam a consistência do futebol português ao nível de selecções, desde há alguns anos. “Tornar o cargo de presidente da direcção uma ocupação de ‘full-time’ foi determinante, mas há outras razões, como a reorganização de serviços internos e a criação de outros, de raiz, que não existiam, como o ‘site’, departamentos de media e marketing, etc. Tudo isto contribuiu para uma mudança estrutural e os resultados estão à vista. Passámos a ser clientes habituais de fases finais”, conclui.
FIGO:"GRANDES EXPECTATIVAS"
Figo reconheceu ontem que a selecção nacional sentiu “algumas dificuldades frente ao Liechtenstein”, mas adiantou que o essencial foi conseguido: “Estamos apurados e isso é que era importante”. Agora, já de olhos postos na Alemanha, Figo garante que “as expectativas são altas para fazer o melhor possível no Mundial”. Sobre a sua continuidade na selecção após o Verão de 2006, o mais internacional português deixa tudo em aberto: “Ainda falta muito tempo. Para já a minha preocupação é fazer uma boa campanha no Mundial”. Figo joga depois de amanhã no estádio do Dragão, frente à Letónia, e regressa ao mesmo local uma semana depois, com o Inter de Milão, para a Liga dos Campeões. Ontem, o jogador já abordou esse embate: “O FC Porto não está na melhor posição, mas é sempre um adversário difícil”.
BALIZA CONTINUA A SER UMA 'FERIDA ABERTA'
A baliza continua a ser uma ‘ferida aberta’ na era-Scolari. Ricardo e Quim têm presença garantida no Alemanha’06 mas o facto de não serem titulares absolutos nos seus clubes é uma pedra no sapato. Ricardo continua a acusar instabilidade, de Quim nada se sabe sobre a sua forma. Bruno Vale pode ocupar a terceira vaga, Moreira e Nélson espreitam.
PAULETA SIM, MAS...FALHAM-SE TANTOS GOLOS
Pauleta corre para a história, mas deve reconhecer-se que o ponta-de-lança da Selecção não dá vazão ao caudal ofensivo da equipa. E Nuno Gomes, mesmo a espaços, acaba sempre por cumprir. O esquema de Scolari apenas contempla um avançado-centro e com o Euro’2004 em pano de fundo (onde Pauleta passou ao lado), é uma questão a merecer reflexão.
NUNO VALENTE SEM OPOSIÇÃO NA ESQUERDA?
Nuno Valente é o único defesa-esquerdo de raiz da Selecção. Situação que poderá obrigar ao deslocamento de um polivalente para o lado canhoto do sector recuado, em situação de indisponibilidade do jogador do Everton. Paulo Ferreira e Marco Caneira são opções, mas não garantem a mesma consistência nas transições entre a defesa e o ataque.
FIGO CONTINUA A MARCAR OS PENÁLTIS?
Figo falhou no sábado o quarto penálti consecutivo, ao serviço da Selecção. A saber: contra a Escócia (20 Novembro de 2002); Grécia (15 Novembro de 2003); Suécia (20 Novembro 2003) e agora. De regresso à Selecção, recuperou esse estatuto, por imposição de Scolari, mas agora deverá ser altura de passar a bola a outro jogador.
SEIS GALOS A LUTAR POR TRÊS POLEIROS
Quaresma, Hugo Viana, Ricardo Costa, Luís Boa Morte, Hugo Almeida e Tiago. Deste lote de seis jogadores, apenas três deverão marcar presença na Alemanha. Com espaço de manobra reduzido estão Manuel Fernandes e João Moutinho, o que significa que não deverá ser injectado sangue fresco na turma das quinas. Opção ou inevitabilidade?
REGRESSO AO PORTO
Scolari concedeu uma curta folga aos jogadores, logo após o encontro com o Liechtenstein. Que alguns aproveitaram para votar. O regresso aconteceu ontem ao final da tarde, numa unidade hoteleira do Porto. Os atletas começaram a chegar a meio da tarde e antes do jantar a comitiva estava de novo reunida, para começar a preparar o jogo contra a Letónia.
TRÊS DE FORA
Petit, Cristiano Ronaldo e Nuno Valente deverão ser poupados por Scolari no embate de quarta-feira com a Letónia. Os três jogadores queixaram-se de cansaço físico, devidamente comprovado pelos clínicos, e Scolari irá optar pela rotatividade de alguns atletas, num jogo que servirá apenas para cumprir calendário. De resto, o único jogador lesionado, no lote de 20 convocados, continua a ser Costinha.
VISITA DE ROSELL
Luiz Felipe Scolari recebeu ontem uma vista do seu amigo Sandro Rosell, no hotel onde a equipa nacional está a estagiar, no Porto. Rosell foi vice-presidente do Barcelona (demitiu-se há cerca de um ano) e tem uma relação de amizade de muitos anos com Scolari. Num momento especial, não se esqueceu de lhe dar um abraço.
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