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Cão de busca da Task-Force 1, Scout, com um bombeiro em Ground Zero

Os cães que há 25 anos encontraram vida entre os destroços das Torres Gémeas

Foram mais de 300 os heróis de quatro patas mobilizados para as operações de resgate em Nova Iorque.

Foram mais de 300 os heróis de quatro patas mobilizados para as operações de resgate em Nova Iorque.

11 de setembro de 2026 às 09:31

Há 25 anos, entre o caos e o desespero que cobriam Ground Zero, em Nova Iorque, após os ataques terroristas às Torres Gémeas, havia quem conseguisse encontrar aquilo que os olhos humanos já não alcançavam. Foram mais de 300 os cães mobilizados para as operações depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. Procuraram sobreviventes, localizaram vítimas e ajudaram bombeiros e famílias a suportar uma das maiores tragédias da história dos Estados Unidos. 

Alguns ficaram feridos e outros tornaram-se símbolos de um trabalho que marcou, até hoje, a forma como se treinam os animais de quatro patas destinados a operações como esta. 

Mais de 300 cães foram para Ground Zero

Nas horas que se seguiram aos ataques, equipas de emergência de vários pontos dos EUA começaram a chegar a Nova Iorque. Com elas, vieram cerca de 300 cães especialmente treinados. 

Os cães de busca e salvamento eram ensinados para detetar o odor de pessoas vivas e procurar sobreviventes presos nos escombros. Havia ainda caninos utilizados para terapia e conforto de quem trabalhava durante horas no local, de forma a aliviar a carga emocional sentida, de acordo com os registos do Memorial e Museu Nacional do 11 de Setembro. 

A missão dos primeiros era particularmente urgente. Enquanto os bombeiros e as restantes equipas tentavam abrir caminho entre as estruturas destruídas, os cães conseguiam entrar em espaços onde os humanos não chegavam e indicar aos tratadores possíveis sinais de vida.  

Trabalharam durante horas num cenário extremo 

Os cães não tinham máscaras, fatos especiais ou outro equipamento de proteção semelhante ao utilizado pelos trabalhadores humanos. Estavam expostos ao mesmo ambiente de poeiras e detritos, mas sem a proteção individual dos socorristas.  

Um , que acompanhou 96 cães envolvidos nas operações, registou problemas como fadiga, desidratação, cortes nas patas, alterações do apetite, problemas respiratórios, exaustão pelo calor e problemas ortopédicos.

Os tratadores tinham, por isso, de estar atentos aos animais enquanto estes procuravam vítimas. Havia cães a trabalhar durante longos períodos, em cima de estruturas instáveis e entre restos de aço e betão. 

Bretagne tinha dois anos quando chegou a Nova Iorque 

Bretagne era uma Golden Retriever de apenas dois anos quando foi mobilizada para o Ground Zero. Integrava a Texas Force 1 e era certificada pela FEMA (Agência Federal de Gestão de Emergências). O 11 de Setembro foi, na verdade, a sua primeira grande missão, onde fez buscas durante cerca de dez dias. 

Mas a sua história não terminou em Nova Iorque. Bretagne continuou a trabalhar durante anos como cão de busca e salvamento e participou posteriormente noutras operações, incluindo após a passagem do furacão Katrina, nos EUA, em 2005. 

Morreu em junho de 2016, aos 16 anos, e foi então considerada o último cão de busca e salvamento sobrevivente que tinha trabalhado no Ground Zero, explica o American Kennel Club numa homenagem partilha online após a morte de Bretagne. 

Apollo voltou aos escombros depois de ser atingido por uma bola de fogo 

Entre os cães que ficaram associados ao 11 de Setembro está Apollo, um pastor-alemão da polícia de Nova Iorque. 

Apollo e o seu tratador, Peter Davis, foram uma das primeiras equipas de busca e salvamento a chegar a Ground Zero. Durante as buscas, o cão acabou por ser atingido por uma bola de fogo e ficou ferido, mas sobreviveu e voltou ao trabalho, explica o dono ao American Kennel Club

“Chegámos lá logo após os prédios desabarem”, disse Peter Davis. “Para chegar aos escombros tivemos que atravessar água quase até à cintura. De repente, ele [Apollo] desapareceu, caiu num buraco. Foi aí que uma grande bola de fogo surgiu e ele saiu a correr”, acrescentou. 

A história de Apollo tornou-se uma das mais conhecidas entre as dos cães que estiveram nas Torres Gémeas, precisamente porque mostra aquilo que acontecia repetidamente durante aqueles dias: os animais eram retirados de situações perigosas, tratados pelos veterinários e, quando estavam em condições, voltavam ao trabalho. 

Apollo
Apollo FOTO: Peter Davis via American Kennel Club

Trakr e o último sobrevivente 

Há ainda outro nome que ficou para sempre ligado aos ataques: Trakr, um pastor-alemão que trabalhava com o polícia canadiano James Symington. 

A dupla chegou a Nova Iorque depois de viajar durante horas desde o Canadá para ajudar nas operações. Na manhã de 12 de setembro, Trakr sinalizou a presença de alguém vivo debaixo dos escombros. 

As equipas de resgate acabaram por encontrar Genelle Guzman-McMillan, que estava presa há cerca de 27 horas. Foi a última pessoa retirada com vida do World Trade Center.  

A história de Trakr teve ainda um capítulo invulgar muitos anos depois. Após a morte do cão, em 2009, o seu ADN foi utilizado num projeto de clonagem que resultou no nascimento de cinco outro cães, como explica a ABC News. 

Quando encontrar sobreviventes deixou de ser possível

À medida que a operação avançava, os tratadores perceberam que os animais encontravam cada vez menos sobreviventes. Para os manter motivados, escondiam pessoas em determinados pontos para que os cães pudessem fazer uma descoberta e receber uma recompensa associada ao sucesso. Era uma forma de manter vivo o comportamento para o qual tinham sido treinados.

25 anos depois, as imagens das torres em chamas continuam a ser as mais associadas aos ataques de 11 de setembro de 2001, mas entre os destroços de Ground Zero, ficaram também as pegadas das centenas de cães que, durante dias, procuraram aquilo que toda a cidade queria desesperadamente encontrar: vida.

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