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Olen e Bohdan

"O nosso coração continua lá": Olen e o filho fugiram da Ucrânia para Portugal e não perdem a esperança de regressar a casa

Olen e Bohdan vivem em Portugal desde setembro de 2022, numa casa que lhes foi atribuída por um centro humanitário.

Olen e Bohdan vivem em Portugal desde setembro de 2022, numa casa que lhes foi atribuída por um centro humanitário.

24 de fevereiro de 2026 às 11:26

“No dia em que saímos da Ucrânia vimos muitos horrores, bombas. Em setembro começaram a levar as crianças das suas casas. Tive medo pelo meu filho e decidimos sair”. Quando, em setembro de 2022, Olen, de 45 anos, e o filho Bohdan, de 11, decidiram deixar Kherson em busca de um local seguro para recomeçar a vida, não sabiam se algum dia voltariam. A cidade estava ocupada, as pontes destruídas e o medo pairava no ar.  

Quando tomou a decisão de deixar a Ucrânia, Olen pensou em Portugal. Já teria estado no País anteriormente e sabia que era um local "onde as pessoas podem viver livremente" e onde "ninguém está em conflito com ninguém". 

A viagem não foi fácil, demorou sete dias e foi feita por etapas. Tiveram de sair pela Crimeia, território russo, porque "não havia outra possibilidade, era o único caminho". Primeiro atravessaram o rio de barco. Depois, uma carrinha levou-os até à Crimeia, onde apanharam um autocarro até à Lituânia. Na fronteira esperava-os outro autocarro que os levou até à Polónia e depois seguiram para França, para, finalmente, rumarem a Portugal.

Olen e Bohdan deixaram tudo para trás. Perderam a casa, familiares, amigos e os sonhos de uma vida. 

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Olen e Bohdan deixaram tudo para trás

VÍDEO: Medialivre

Bohdan, agora com 15 anos, nunca deixou o ensino na Ucrânia, continua a fazê-lo online. Começou este ano a estudar numa escola portuguesa, em Setúbal. E apesar de já ter muitos amigos, o sentimento de pertença ainda não chegou.

A família vive em Setúbal, numa casa que lhes foi atribuída por um centro humanitário. Olen, farmacêutica de profissão, não exerce atualmente em Portugal, devido à barreira linguística, mas garante que quer melhorar o português para poder comunicar mais. Com a mulher e o filho veio também a avó de Olen, doente e atualmente com 88 anos, de quem a neta é cuidadora.

Apesar de estarem longe da guerra, dos ataques, das bombas, o medo permanece e há sons que despertam o sentimento de insegurança. No entanto, o maior medo não é o presente, é o futuro, a incerteza de não saber quando e se voltam.

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Maior medo é o futuro, a incerteza de não saber quando e se voltam

VÍDEO: Medialivre

Quatro anos depois há um sentimento que permanece intacto: o desejo de regressar à Ucrânia. E é à fé que se agarram, tentam seguir em frente de mão dada com Deus, mais confiantes de que um dia tudo acabará e de que levarão Portugal nos corações.

Se a guerra acabasse amanhã, Olen tem a certeza de que "ia para casa", para junto dos seus e da sua pátria. Parece simples, mas para quem viveu a guerra é difícil imaginar esse cenário. Não será apenas o fim da guerra, mas também o regresso a uma vida que lhes foi tirada.

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Se a guerra acabasse amanhã Olen tem a certeza de que "ia para casa"

VÍDEO: Medialivre

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