Olen e Bohdan vivem em Portugal desde setembro de 2022, numa casa que lhes foi atribuída por um centro humanitário.
Olen e Bohdan vivem em Portugal desde setembro de 2022, numa casa que lhes foi atribuída por um centro humanitário.
“No dia em que saímos da Ucrânia vimos muitos horrores, bombas. Em setembro começaram a levar as crianças das suas casas. Tive medo pelo meu filho e decidimos sair”. Quando, em setembro de 2022, Olen, de 45 anos, e o filho Bohdan, de 11, decidiram deixar Kherson em busca de um local seguro para recomeçar a vida, não sabiam se algum dia voltariam. A cidade estava ocupada, as pontes destruídas e o medo pairava no ar.
Quando tomou a decisão de deixar a Ucrânia, Olen pensou em Portugal. Já teria estado no País anteriormente e sabia que era um local "onde as pessoas podem viver livremente" e onde "ninguém está em conflito com ninguém".
A viagem não foi fácil, demorou sete dias e foi feita por etapas. Tiveram de sair pela Crimeia, território russo, porque "não havia outra possibilidade, era o único caminho". Primeiro atravessaram o rio de barco. Depois, uma carrinha levou-os até à Crimeia, onde apanharam um autocarro até à Lituânia. Na fronteira esperava-os outro autocarro que os levou até à Polónia e depois seguiram para França, para, finalmente, rumarem a Portugal.
Olen e Bohdan deixaram tudo para trás. Perderam a casa, familiares, amigos e os sonhos de uma vida.
Olen e Bohdan deixaram tudo para trás
VÍDEO: Medialivre
Bohdan, agora com 15 anos, nunca deixou o ensino na Ucrânia, continua a fazê-lo online. Começou este ano a estudar numa escola portuguesa, em Setúbal. E apesar de já ter muitos amigos, o sentimento de pertença ainda não chegou.
A família vive em Setúbal, numa casa que lhes foi atribuída por um centro humanitário. Olen, farmacêutica de profissão, não exerce atualmente em Portugal, devido à barreira linguística, mas garante que quer melhorar o português para poder comunicar mais. Com a mulher e o filho veio também a avó de Olen, doente e atualmente com 88 anos, de quem a neta é cuidadora.
Apesar de estarem longe da guerra, dos ataques, das bombas, o medo permanece e há sons que despertam o sentimento de insegurança. No entanto, o maior medo não é o presente, é o futuro, a incerteza de não saber quando e se voltam.
Maior medo é o futuro, a incerteza de não saber quando e se voltam
VÍDEO: Medialivre
Quatro anos depois há um sentimento que permanece intacto: o desejo de regressar à Ucrânia. E é à fé que se agarram, tentam seguir em frente de mão dada com Deus, mais confiantes de que um dia tudo acabará e de que levarão Portugal nos corações.
Se a guerra acabasse amanhã, Olen tem a certeza de que "ia para casa", para junto dos seus e da sua pátria. Parece simples, mas para quem viveu a guerra é difícil imaginar esse cenário. Não será apenas o fim da guerra, mas também o regresso a uma vida que lhes foi tirada.
Se a guerra acabasse amanhã Olen tem a certeza de que "ia para casa"
VÍDEO: Medialivre
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