Apoio à ciência escondia planos diabólicos: Epstein queria criar super-raça humana com o seu ADN
Predador sexual estava obcecado com o futuro da genética humana. Pedófilo reuniu grupo de cientistas, entre eles Stephen Hawking, na sua casa nas Caraíbas.
Os mais recentes ficheiros sobre Jeffrey Epstein deixam claro a sua aproximação a cientistas e figuras proeminentes do meio académico. Ao longo de vários anos, o predador sexual investiu energia e dinheiro em iniciativas científicas. Exemplo disso foram os 5,5 milhões de euros que financiaram o Programa de Dinâmica Evolutiva de Harvard, a sua participação, em 2014, em reuniões editoriais da revista ‘Scientific American’, ou a doação de cerca de 20 mil euros à Associação Transumanista Mundial, atual Humanity+, que, em poucas palavras, procura ultrapassar os limites da condição biológica do ser humano e alcançar a imortalidade. Ben Goertzel, vice-presidente da empresa, cujo salário já foi pago por Epstein, disse ao ‘Times’: “Não tenho a menor vontade de falar sobre ele agora. As coisas que leio nos jornais são muito perturbadoras e vão muito além do que eu imaginava que fossem os seus delitos e perversões. Que nojo!”
Uma das ligações que mais surpreenderam neste caso foi a do criminoso com o icónico linguista e filósofo Noam Chomsky. Mesmo depois da primeira condenação do pedófilo, por solicitação de prostituição, este manteve-se do seu lado, escrevendo num email: “Estamos consigo em todos os momentos.” A mulher, Valeria Chomsky, já veio classificar a relação, que também envolveu transações financeiras entre eles, como um “erro grave” e um “descuido” resultante de “manipulação”. Chomsky, atualmente com 97 anos, encontra-se a recuperar de um AVC sofrido em 2023.
Predador queria criar super-raça humana com o seu ADN
Jeffrey Epstein planeava desenvolver uma super-raça humana utilizando engenharia genética, inteligência artificial... e o seu ADN. De acordo com uma investigação da CNN, anos após a sua condenação por crimes de tráfico sexual, em 2008, Epstein financiou testes genómicos e apoiou projetos relacionados com a criação e a modificação de células-tronco, essenciais para a regeneração de tecidos. O seu interesse, no entanto, ia além da saúde pessoal.
Em 2017, numa entrevista à revista ‘Science’, Epstein disse que preferia apoiar cientistas “rebeldes” e criticou organizações como a Fundação MacArthur por serem “politicamente corretas”. Já o ‘New York Times’ avançou que o milionário planeava desenvolver uma super-raça humana aprimorada com recurso à engenharia genética e à inteligência artificial. Epstein esperava disseminar o seu ADN a engravidar mulheres no seu rancho no Novo México, conhecido como ‘Zorro’. Embora existam poucas provas de que o plano tenha saído do papel, cientistas proeminentes, incluindo o físico Stephen Hawking, participavam regularmente em jantares, almoços e conferências promovidos por Epstein, segundo o ‘Times’. Entre esses encontros destaca-se uma conferência realizada em 2006 numa das suas propriedades nas ilhas Virgens Britânicas, que reuniu cientistas como Hawking e Kip Thorne. Embora o programa oficial estivesse focado em questões de física teórica, alguns participantes lembraram posteriormente que Epstein demonstrou maior interesse em discutir possíveis aplicações futuras da genética humana, conforme relatado pelo ‘Times’.
O círculo do pedófilo incluía ainda o engenheiro molecular George Church, o Nobel da Física Murray Gell-Mann, o biólogo evolucionista Stephen Jay Gould, o neurologista Oliver Sacks, o físico teórico Frank Wilczek ou o Nobel da Medicina James Watson.
Paris inicia investigação
As autoridades de Paris apelaram ontem às potenciais vítimas do predador sexual Jeffrey Epstein para que se apresentem, de forma a recolher depoimentos para duas investigações que têm como objetivo apurar eventuais crimes cometidos em França ou que envolvam cidadãos franceses. A procuradora de Paris Laure Beccuau afirmou à estação de rádio Franceinfo que a divulgação de documentos ligados a Epstein, que morreu na prisão em 2019 e que tinha uma residência num dos bairros mais exclusivos da capital francesa, “vai necessariamente reacender o trauma de algumas vítimas”, incluindo pessoas ainda não identificadas pelas autoridades.
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