Escolha o Correio da Manhã como "Fonte Preferida"
Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.
Boeing comprado pelo predador sexual em 1994, foi cenário de abusos. Testemunhas que estiveram a bordo dizem que “tudo se transformava em cama”.
Boeing comprado pelo predador sexual em 1994, foi cenário de abusos. Testemunhas que estiveram a bordo dizem que “tudo se transformava em cama”.
Juliette Bryant tinha 20 anos quando foi recrutada por Ghislaine Maxwell (braço-direito de Jeffrey Epstein), em 2002, na Cidade do Cabo, África do Sul, com a promessa de uma carreira como modelo em Nova Iorque. Contudo, Epstein começou a tocar-lhe à força entre as pernas segundos após a descolagem do Boeing 727-100 que ficou conhecido como ‘Lolita Express’. Ao mesmo tempo, outras mulheres que se encontravam a bordo riam-se enquanto ela era agredida. Em entrevista à Sky News, Bryant não conteve as lágrimas ao dizer que entrou “em pânico” quando percebeu que aquelas pessoas poderiam matá-la.
“De repente, percebi que precisava de ser gentil e amigável, pois percebi que corria grande perigo”, começou por contar. “Ele [Epstein] bateu com a mão na cadeira ao lado dele, eu fui e sentei-me lá. Era uma situação muito confusa para uma pessoa jovem. Estava realmente apavorada”, continuou. Momentos após aterrar em Nova Iorque, a estudante universitária foi levada para o Aeroporto de Nova Jérsia e informada de que iria para a ilha de Epstein nas Caraíbas. O passaporte foi-lhe confiscado e ficou presa na ilha, onde foi violada por Epstein durante os dois anos seguintes. Bryant encontrou uma câmara descartável e fotografou todos os lugares onde sofreu abusos, nomeadamente no rancho do milionário no Novo México. Ela diz que Epstein lhe ofereceu dinheiro para ficar com ele e ajudá-lo a recrutar outras raparigas. Recusou. Os documentos do Departamento de Justiça dos EUA mostram que ela manteve contacto com o predador até 2017.
Jeffrey Epstein usava o seu Boeing 727 particular, adquirido em 1994, para traficar jovens mulheres e meninas de e para todo o Mundo, como os EUA, Brasil ou Reino Unido. Testemunhas que viajaram a bordo dizem que “tudo nele se transformava em cama”. Uma equipa de jornalistas e analistas de dados do ‘Daily Mail’ mostrou que o ‘Lolita Express’ - referência ao livro ‘Lolita’, de Vladimir Nabokov, que aborda a obsessão de um homem adulto por uma adolescente - passou 90 vezes por aeroportos britânicos, já que o predador sexual visitava frequentemente o então príncipe André, acompanhado por Ghislaine Maxwell, a sua companheira. Utilizando o número de série N908JE, o avião terá sido usado principalmente para transportar jovens entre as luxuosas residências de Epstein em Nova Iorque, nas Ilhas Virgens Americanas e em Palm Beach, na Florida.
Uma investigação da BBC revelou que três mulheres britânicas, supostamente vítimas de tráfico humano, constam dos registos de voo de entrada e saída do Reino Unido de Epstein, bem como em documentos relacionados com o criminoso sexual. No julgamento de Maxwell, Lawrence Paul Visoski Jr., que durante quase três décadas foi piloto de Epstein, realizando aproximadamente mil voos, disse que nunca testemunhou qualquer atividade sexual a bordo, nunca encontrou brinquedos sexuais ou preservativos usados, e negou alguma vez ter visto atos sexuais com menores. De referir, contudo, que o criminoso compensou Visoski com um terreno de 16 hectares no Novo México, pagou-lhe a universidade das filhas e deixou-lhe 8,4 milhões de euros em testamento. Em 2024, o podcast ‘Fire and Fury’ divulgou uma entrevista a Epstein, de 2017, em que este fala da sua amizade com Trump e diz que a primeira vez que este e a futura mulher, Melania, fizeram sexo foi precisamente a bordo do ‘Lolita Express’.
1 / 4
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.