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Chernobyl Haiti ou Fukushima: as principais tragédias das últimas décadas

O 'Correio da Manhã' recorda alguns dos desastres que mudaram o mundo.

19 de março de 2026 às 09:00

26 de abril de 1986 | Maior acidente nuclear da história foi há 40 anos

O acesso a Chernobyl continua restrito, 40 anos depois
O acesso a Chernobyl continua restrito, 40 anos depois FOTO: Lusa

Objeto de filmes e séries, Chernobyl faz parte do imaginário popular global, onde a fantasia ocupa espaço privilegiado, com relatos de animais mutantes, plantas medonhas, seres estranhos. Tudo por ação da radioatividade libertada pela explosão e incêndio do reator 4 da antiga central nuclear da ex-URSS, hoje em território ucraniano. Foi há 40 anos, a 26 de abril de 1986, o maior acidente nuclear da história. Terão morrido 30 pessoas, naquele dia e seguintes, mas os efeitos a longo prazo da radioatividade deixaram marcas, com milhares de casos de cancro. A cidade próxima da central, Pripyat, com 50 mil habitantes, foi evacuada e permanece ‘fantasma’. O acesso a Chernobyl é restrito. O perigo radioativo ainda é real em alguns lugares.  

26 de dezembro de 2004 | Tsunami asiático matou 230 mil e chegou a 14 países

O dia da maior tragédia de que há registo
O dia da maior tragédia de que há registo FOTO: US Navy

Nunca se saberá quantas pessoas foram engolidas pelo mar. A ONU estima que tenham sido cerca de 230 mil. Foi uma das maiores catástrofes naturais de que há registo. Com uma magnitude de 9,1, o terramoto teve o epicentro no Índico, a 160 quilómetros da ilha de Sumatra, na Indonésia. Ocorreu a 20 metros de profundidade e provocou um tsunami com ondas que chegaram a atingir os 30 metros, chegando à costa de 14 países. Atingiu, inclusive, a África do Sul, a oito mil quilómetros do epicentro. Dois milhões ficaram desalojados.

29 de agosto de 2005 | Katrina trouxe ventos de 280 quilómetros por hora

1,5 milhões de pessoas desalojadas
1,5 milhões de pessoas desalojadas FOTO: Vincent Laforet/EPA

Foi um dos furacões mais avassaladores da história dos EUA, com ventos que chegaram aos 280 km/h. Atingiu vários estados norte-americanos, mas foi no Luisiana, sobretudo na região de Nova Orleães, que os seus efeitos mais se fizeram sentir. Várias cidades ficaram completamente alagadas, sem energia nem comida. Oficialmente, a passagem o Katrina provocou a morte de 1833 pessoas e deixou mais de um milhão e meio de desalojados. Os prejuízos materiais rondaram os 70 mil milhões de euros (à cotação atual).

12 de janeiro de 2010 | Desde 1556 que não havia um sismo tão mortífero

O sismo na capital do Haiti, Porto Príncipe, afetou cerca de três milhões de pessoas
O sismo na capital do Haiti, Porto Príncipe, afetou cerca de três milhões de pessoas FOTO: Orlando Barria/EPA

O sismo que abalou o Haiti a 12 de janeiro de 2010 é o segundo mais mortífero da história, com 316 mil mortos, suplantado pelo de Shaanxi, na China, que no ano de 1556 provocou 830 mil vítimas mortais. A devastação deveu-se, sobretudo, ao facto de ter ocorrido a pouca profundidade (10 quilómetros) e próximo da capital, Porto Príncipe, e não tanto pela magnitude do sismo (7 na escala de Richter). As construções precárias - o Haiti é o país mais pobre do continente americano e um dos mais pobres do mundo - não resistiram ao abalo, que durou cerca de um minuto, e ao qual se sucederam várias réplicas de grande intensidade. Os repórteres que se deslocaram ao local relataram um cenário de horror, com cadáveres por toda a parte e um odor intenso a morte. Como em todas as tragédias, há sempre lugar a milagres. Neste caso, o de um homem que foi resgatado dos escombros com vida, quase um mês depois da catástrofe.

11 de janeiro de 2011 | Nunca o Rio de Janeiro viu coisa assim

O dilúvio durou mais de 30 horas
O dilúvio durou mais de 30 horas FOTO: Antonio Lacerda/Lusa

Nunca a região serrana do Rio de Janeiro viveu coisa assim. Foram 32 horas de chuva intensa, que caiu, sem parar, sobre sete municípios daquele estado brasileiro, onde vivem mais de 700 mil pessoas. O dilúvio deu origem a um mar de lama tenebroso, que correu pelas encostas abaixo. Centenas de casas foram varridas pela terra; estradas, pontes e ruas desapareceram do mapa. Segundo os dados oficiais, morreram 918 pessoas e 35 mil ficaram sem casa. Dos mais de 300 desaparecidos na altura, perto de 100 continuam por encontrar.

11 de março de 2011 | Fúria da Natureza chegou em três atos

Japão não resistiu a sismo, tsunami e acidente nuclear
Japão não resistiu a sismo, tsunami e acidente nuclear FOTO: Reuters

O país mais bem preparado contra terramotos não resistiu à fúria da Natureza, que chegou em três atos: sismo (9 na escala de Richter), tsunami (com ondas até 15 metros) e acidente nuclear (em Fukushima). Morreram entre 18 a 20 mil pessoas, a maioria devido ao tsunami. O colapso da central nuclear, com a água a alagar as instalações e a libertação de substâncias radioativas, obrigou à retirada de 160 mil pessoas das suas casas. Desde as bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki, que o Japão não vivia uma tragédia desta dimensão.

15 de fevereiro de 2013 | 'Meteorito de Chelyabinsk' deixa rasto de destruição

A onda de choque foi sentida em seis cidades
A onda de choque foi sentida em seis cidades FOTO: Vyacheslav Nikulin/EPA

Só se deu por ele quando uma bola de fogo rasgou o céu dos Montes Urais, na Rússia. O meteorito, com 20 metros de largura e 13 mil toneladas, explodiu a 30 km de altura, fragmentando-se. A onda de choque, equivalente a 35 bombas atómicas, foi sentida em seis cidades, sobretudo Chelyabinsk, a 1500 km de Moscovo. Centenas de pessoas ficaram feridas, sobretudo pelos estilhaços dos vidros, e milhares de casas danificadas. Se alguém tinha dúvidas sobre os efeitos da queda de um meteorito, mesmo pequeno, ficou esclarecido.

24 de julho de 2013 | Distração e velocidade descarrilam TGV na Galiza

Acidente matou 79 pessoas e feriu 143
Acidente matou 79 pessoas e feriu 143 FOTO: Oscar Corral/EPA

Só este ano, a 23 de janeiro, foi encerrado o processo do acidente ferroviário que matou 79 pessoas e feriu 143, na Galiza. O Tribunal Superior da Corunha chegou à mesma conclusão do tribunal de primeira instância que tinha julgado o caso: a culpa foi do maquinista. O TGV, que fazia a ligação entre Madrid e Ferrol, descarrilou próximo da estação de Santiago de Compostela. Entrou numa curva a mais de 190 km/h, quando o limite eram 80 km/h. Ia distraído ao telefone. Seguiam a bordo 218 passageiros. Foi condenado a dois anos e meio de prisão.

8 de março de 2014 | ‘Mayday, Mayday’: onde pára o voo MH370? 

12 anos depois, as buscas continuam
12 anos depois, as buscas continuam FOTO: Bohdan Warchomij/AFP

É o maior mistério da aviação internacional. O voo MH370 da Malaysia Airlines desapareceu. Não houve comunicação de falhas nem pedido de socorro. Nada de nada. Fazia a ligação entre Kuala Lumpur, na Malásia, e Pequim, na China. Seguiam a bordo 239 pessoas. “Boa noite, Malaysia três sete zero”, foi a última mensagem do comandante, quando entrou no espaço aéreo do Vietname. O transmissor de rádio foi desligado e o Boeing 777 sumiu. Anos de buscas, retomadas em finais de 2025, deram em nada, fomentando teorias da conspiração.

19 de abril de 2015 | Desespero transforma Mediterrâneo num cemitério

Naufrágios são frequentes no Mediterrâneo
Naufrágios são frequentes no Mediterrâneo FOTO: Angel Medina G./Lusa

O porta-contentores ‘King Jacob’, com bandeira portuguesa, foi o primeiro a responder ao pedido de ajuda emitido pelas autoridades marítimas que operam no Mediterrâneo. O pesqueiro tinha partido do Egito e feito escala na Líbia, onde embarcaram centenas de migrantes com destino à Europa. Quando o ‘King Jacob’ se aproximou para proceder ao resgate, os migrantes ter-se-ão precipitado para um dos lados do pesqueiro e o barco virou. Do naufrágio resultou a morte de, pelo menos, 700 pessoas. Salvaram 28. O Papa Francisco rezou por todos

15 de abril de 2019 | O incêndio que deixou o Mundo em choque

Notre-Dame foi tomada pelas chamas
Notre-Dame foi tomada pelas chamas FOTO: DR

Os alarmes soarem eram 18h20 em Paris. A missa foi interrompida, os visitantes retirados do local. Mas as chamas demoraram a aparecer. Só 23 minutos depois é que se percebeu o que estava a acontecer, naquele final de tarde de 15 de abril de 2019: a Notre-Dame, construída entre 1163 e 1245 e que serviu de cenário de uma das obras literárias mais famosas do século XIX, ‘Corcunda de Notre-Dame’, de Victor Hugo, estava tomada pelas chamas. Ao princípio da noite, o icónico pináculo de Eugène Viollet-le-Duc, com 93 metros, cedeu e caiu. A catedral reabriu em 7 de dezembro de 2024, após cinco anos de trabalhos de reconstrução. É visitada diariamente por 30 a 35 mil pessoas. Nunca se soube a verdadeira origem do incêndio.

26 de janeiro de 2020| A última viagem do eterno 'Black Mamba'

Kobe foi um dos maiores jogadores de sempre
Kobe foi um dos maiores jogadores de sempre FOTO: Eric Gay/AP

Pentacampeão da NBA e bicampeão olímpico, Kobe Bryant encontrou a morte aos 41 anos, numa manhã de nevoeiro. Viajava de helicóptero com a filha, e mais sete pessoas, quando a aeronave se despenhou na Califórnia. As condições meteorológicas terão estado na origem do desfecho trágico da viagem. Além de basquetebolista, ‘Black Mamba’, que jogou toda a carreira (1996-2016) nos Los Angeles Lakers, também se destacou no mundo dos negócios e até no cinema, onde ganhou um Óscar com o filme de animação ‘Dear Basketball’.

7 a 31 de janeiro de 2025 | Incêndios de Los Angeles atingem celebridades

Fogos duraram semanas
Fogos duraram semanas FOTO: Damian Dovarganes/AP

O número oficial de vítimas mortais é 31, mas a realidade aponta para valores bem superiores. Durante as semanas em que Los Angeles, na Califórnia, viveu os piores incêndios da sua história, que obrigaram ao deslocamento de 200 mil pessoas, houve mais 440 mortes do que o previsto. Anthony Hopkins, Paris Hilton, Billy Crystal, John Goodman, Adam Brody, Mandy Moore, Jennifer Grey, Diane Warren e Ricki Lake foram algumas das muitas celebridades que viram as suas mansões e moradias de milhões de dólares devoradas pelas chamas.

12 de junho de 2025 | A história inacreditável do passageiro do lugar 11 A

Avião caiu pouco após a descolagem
Avião caiu pouco após a descolagem FOTO: Siddharaj Solanki/EPA

Vishwash Ramesh é a prova de que há milagres. Não há outra explicação para o que aconteceu no dia 12 de junho de 2025. O avião que partiu de Ahmedabad (Índia), com destino a Londres (Inglaterra), tinha dez horas pela frente, mas o voo não durou sequer um minuto. O Boeing 787-8 Dreamliner despenhou-se numa zona residencial, pouco após a descolagem. Com os depósitos cheios, transformou-se numa bola de fogo. Das 242 pessoas a bordo (230 passageiros e 12 tripulantes), uma sobreviveu. Ia no lugar 11 A. “Ouviu-se um barulho muito alto e o avião caiu. Havia corpos à minha volta. Foi assustador. Levantei-me e corri”, contou Ramesh. Ainda hoje custa a acreditar como é que conseguiu sair praticamente ileso daquele inferno.

Passagem de Ano para 2026 | "Para nós, o ano de 2026 não existe"

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Dono do bar da tragédia e a mulher FOTO: JEAN-CHRISTOPHE BOTT/ epa

O ano começou com uma uma tragédia difícil de explicar. Na festa maior do calendário gregoriano, 41 pessoas morreram e 119 ficaram feridas num bar da Suíça, o Le Constellation, vítimas de um incêndio. Foi já depois da meia-noite que tudo aconteceu. Velas de faísca (ou aniversário) colocadas em garrafas de champanhe pegaram fogo ao tecto, que rapidamente alastrou a todo o espaço. “Para nós, 2026 não existe”, disse o familiar de uma das vítimas mortais. O dono do bar foi detido, mas acabou libertado, mediante caução de 216 mil euros.

18 de janeiro de 2026 | "Um dia estamos aqui, outro dia estamos no céu"

Acidente raro entre dois TGV
Acidente raro entre dois TGV FOTO: J.J. Guillen/EPA

Uma fratura na via terá estado na origem do descarrilamento e colisão de dois TGV e Andamuz, perto de Córdoba, em Espanha. Morreram 47 pessoas e cerca de 120 ficaram feridas. A rutura de um carril, num ponto de soldadura, é a causa mais provável para o acidente. Ao passar pelo local, as carruagens de um dos comboios de alta velocidade descarrilou. O outro, que vinha em sentido contrário, acabou por colidir com o TGV acidentado. “Num dia estamos aqui, no outro estamos no céu. Não foi a minha vez”, comentou um sobrevivente português.

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