Riquezas na Lua, como é o caso do Hélio-3, considerado essencial para futuros reatores de fusão nuclear, estão a atrair as grandes potências.
Os registos da conquista do espaço dão conta de que doze astronautas já pisaram a Lua, em diferentes missões Apollo (11, 12, 14, 15, 16 e 17), ainda que nem todos estejam convencidos de que o Homem alguma vez tenha estado no satélite natural da Terra. Houve mais uma tentativa, a célebre viagem da Apollo 13, em abril de 1970, mas a aventura foi interrompida pela frase mais icónica da história da exploração do Universo: “Houston, temos um problema.” Após meio século de esquecimento, a Lua voltou à agenda da NASA, com o programa Artemis (a irmã gémea de Apolo, na mitologia grega), a desenvolver em várias fases. A primeira, em marcha, visa colocar quatro astronautas na órbita lunar; a segunda, no início de 2027, descer à superfície; a terceira marcará o início da montagem da primeira estação espacial na órbita do satélite. Outras se seguirão, ‘normalizando’ as viagens à Lua.
O objetivo último é a construção de uma base lunar, com presença permanente de humanos, de pesquisa e exploração de recursos. A agência espacial chinesa, a CNSA, está a trabalhar no mesmo sentido, em conjunto com a agência russa, a Roscosmos, mas introduzindo um fator diferenciador: a base será construída utilizando a composição do solo lunar como matéria-prima, com recurso a robôs de impressão 3D, e alimentada por um reator nuclear, que fornecerá energia à estação.
O súbito despertar do interesse pela Lua não é alheio às descobertas feitas ao longo aos últimos anos, que apontam como provável concentrações significativas de elementos raros no satélite natural, como o urânio, o tório e o disprósio e, sobretudo, o facto de ser muito rico em hélio-3. Também haverá grande abundância de ferro e titânio.
A ambição humana de se estabelecer e criar raízes noutros horizontes, no pressuposto de que a Terra se tornará, um dia, inabitável, pode, assim, ter na Lua os primeiros inquilinos. Elon Musk, que quer colonizar Marte com um milhão de habitantes, é o primeiro a reconhecer que deve ser dada prioridade à Lua, onde quer construir uma cidade autossustentável, em menos de 10 anos, e uma fábrica de satélites de inteligência artificial, que serão lançados a partir dali para o espaço profundo. A conquista do planeta vermelho continua nos planos do dono da SpaceX, mas o sonho foi adiado.
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