Mais de 250 cidades em todo o Mundo seguem a doutrina do arquiteto chinês Kongjian Yu: aprender a brincar com a água e não vê-la como inimiga.
Não podemos lutar contra a água nem vê-la como inimiga. Precisamos de deixar que ela escoe.” Foi a partir deste princípio que o arquiteto chinês Kongjian Yu construiu o conceito das cidades-esponja como forma de evitar inundações. Hoje, mais de 250 cidades em todo o Mundo seguem a doutrina de Yu, que ganhou força em julho de 2012, quando o dilúvio se abateu sobre a capital chinesa. Foram 40 horas de chuvas torrenciais, transformando Pequim e os subúrbios num lago de proporções gigantescas, alimentado por água que corria furiosa por toda a parte. Morreram perto de 80 pessoas. Curiosamente, a Cidade Proibida, que durante cinco séculos serviu de residência a 24 imperadores das dinastias Ming e Qing, permaneceu seca, devido ao seu sofisticado sistema de drenagem. Inspirado nos conhecimentos dos seus antepassados e na sua já longa experiência em planeamento urbano sustentável, Yu consolidou a perceção de que era possível minimizar a repetição de tragédias como aquela que assolou Pequim, com cidades projetadas para que a água da chuva seja mantida e absorvida no local onde ela cai.
O segredo está em conciliar drenagem natural, lazer e preservação ambiental: com parques alagáveis (espaços verdes que ficam inundados durante as cheias e funcionam como áreas de convívio no tempo seco); jardins no topo dos prédios (reduzem o volume de água que vai para os bueiros); pavimentos permeáveis (que permitam a infiltração de água no solo); praças-piscina (áreas desportivas ou de lazer que se transformam em reservatórios temporários em dias de tempestade); pântanos e lagos, com pequenas ilhas de vegetação farta. Em suma, estruturas que permitam reter a água e retardar a sua velocidade. O conceito foi adotado na China no ano seguinte às inundações de Pequim. Segundo Yu, é possível transformar uma cidade em cidade-esponja em cinco anos. Considerado um dos grandes arquitetos urbanísticos do nosso tempo, requisitado para encontros e conferências em todo
o Mundo, Kongjian Yu morreu em setembro passado, no Brasil, num acidente de avião. Ia realizar o sonho de uma vida: conhecer o Pantanal, para desenvolver e aperfeiçoar os seus métodos e conceitos.
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