Após o 3.º lugar em 1966, Portugal assume que quer conquistar o título na nona presença em mundiais.
Foi a 26 de julho de 1966 que um bis de Bobby Charlton acabou com o sonho de Eusébio de levar Portugal à conquista do Campeonato do Mundo de futebol, e logo na estreia. Os Magriços, como ficou conhecida essa Seleção, perderam (2-1) com a Inglaterra nas meias-finais, vencendo depois a União Soviética, por 2-1, para arrebatarem o 3.º lugar.
Sessenta anos depois, a seleção nacional tem a ambição de melhorar aquela que é, até hoje, a melhor classificação num Mundial. Atingir a final já garante esse lugar na história, mas a ambição vai mais longe. “Com este conjunto de jogadores, temos de assumir que queremos ganhar o Campeonato do Mundo”, afirmou Pedro Proença a 8 de janeiro. O presidente da FPF elevou a fasquia, apesar das cautelas do selecionador nacional, Roberto Martínez.
O espanhol, que sucedeu a Fernando Santos em janeiro de 2023, tem defendido que outras seleções são mais favoritas, face ao seu historial. Portugal (6.º do ranking FIFA) não é um dos oito países que conquistaram a prova em 22 edições - Brasil (cinco), Alemanha (quatro), Itália (quatro), Argentina (três), França (duas), Uruguai (dois), Inglaterra (um) e Espanha (um). E em oito participações, três vezes não passou da fase de grupos (1986, 2002 e 2014), em duas ficou-se pelos oitavos de final (2010 e 2018) e numa foi eliminado nos ‘quartos’ (2022). Depois do pódio em Inglaterra, a melhor prestação foi o 4.º lugar em 2006, na Alemanha. O saldo favorável nos jogos também é curto: 17 vitórias (49%) em 35 partidas, seis empates (17%) e 12 derrotas (34%). São 61 golos marcados e 41 sofridos, acertando nas redes contrárias em três quartos dos jogos e não mantendo as suas invioladas dois terços das vezes.
Mas também é verdade que Portugal vai para a sétima participação seguida num Mundial (14.ª em grandes competições somando os Europeus) e que desde 2014, após o fracasso no Brasil, vem numa trajetória ascendente. Acima de tudo, a equipa das quinas conta com um plantel de elevada qualidade (como se viu na conquista da Liga das Nações em 2025), capitaneado por Cristiano Ronaldo. Naquela que deverá ser a sua despedida dos grandes palcos de seleções, CR7 quer arrebatar o troféu que lhe falta. O madeirense vai para a sua sexta fase final de um Mundial: passará a ser recordista, ao lado de Messi, embora o argentino tenha mais jogos (26 vs. 22). Além do sucesso coletivo, Ronaldo procurará somar mais recordes à infindável lista de marcas pessoais. Tem oito golos em Campeonatos do Mundo, seguindo a um de Eusébio. O torneio na Rússia, há oito anos, é aquele que correu melhor ao jogador do Al Nassr (quatro golos), batendo uma vez os guarda-redes adversários em cada uma das outras quatro participações.
A pontaria afinada deixará CR7 mais perto de atingir a marca dos mil golos na carreira. E o mais internacional de sempre até tem mais um jogo à disposição: os 16 avos de final. Essa é uma das alterações naquele que é o primeiro Mundial com um formato alargado. Ao longo de cinco semanas e meia (11 de junho a 19 de julho), 48 seleções disputam uma 1.ª fase com 12 grupos de quatro equipas (Portugal está no Grupo K com Colômbia, Usbequistão e o vencedor de um play-off intercontinental). Passam às rondas a eliminar os dois primeiros e os oito melhores terceiros. Os 104 jogos (um recorde) estarão divididos por 16 estádios: 11 nos Estados Unidos, três no México e dois no Canadá. É a primeira vez que uma fase final decorre em três países (só o torneio de 2002 tinha sido partilhado por Japão e Coreia do Sul), numa solução a repetir em 2030: Portugal, Espanha, Marrocos. No continente americano, além dos relvados, os focos estarão colocados em Donald Trump (quer obter ganhos políticos), nas tempestades que nos EUA ameaçam suspender jogos e na insegurança no México.
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