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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Acordo entre Israel e Líbano é "última oportunidade para alcançar um cessar-fogo global e definitivo", diz presidente libanês

Apesar de um cessar-fogo em novembro de 2024 num conflito anterior, o exército israelita mantinha então cinco posições na região.

04 de junho de 2026 às 14:57

O acordo anunciado em Washington após negociações entre Israel e o Líbano constitui "a última oportunidade para alcançar um cessar-fogo global e definitivo", afirmou esta quinta-feira o presidente libanês, Joseph Aoun, que aguarda "a resposta" do Hezbollah.

O chefe de Estado disse que transmitiria a resposta do grupo aos Estados Unidos, cujo presidente será "o garante" da aplicação deste acordo para um cessar-fogo condicionado a uma "cessação total" dos disparos do movimento pró-iraniano Hezbollah.

"Cada parte deve assumir a responsabilidade, caso não responda favoravelmente", acrescentou, citado pela AFP, sendo que está prevista para esta quinta-feira à tarde uma mensagem do secretário-geral do Hezbollah, Naïm Qassem.

Entretanto, os Guardas da Revolução do Irão exigiram a retirada do exército israelita do Líbano.

"Apoiar a resistência no Líbano é um dever de cada um de nós e expulsar Israel da região é um objetivo alcançável para os muçulmanos", escreveu o general Esmaïl Qaani, responsável pela Força Qods, o ramo de operações externas dos Guardas.

"A exigência mínima da resistência é a retirada do regime usurpador [Israel] e o seu regresso às posições que ocupava antes do início da guerra" contra o Irão, no final de fevereiro, acrescentou Qaani.

Apesar de um cessar-fogo em novembro de 2024 num conflito anterior, o exército israelita mantinha então cinco posições na região.

Israel e o Líbano concordaram, após dois dias de conversações em Washington, na aplicação de um cessar-fogo condicionado.

O acordo condiciona um cessar-fogo a uma "paragem completa" dos ataques do Hezbollah. Prevê a retirada de todos os membros do movimento pró-iraniano de uma zona de 30 quilómetros a partir da fronteira israelita.

O acordo prevê "a liberdade de ação para Israel, com o aval dos Estados Unidos, para atacar Beirute em resposta a disparos contra as localidades e o território israelitas", disse o ministro da Defesa, Israel Katz. Katz disse que no acordo está prevista a criação de uma "zona desmilitarizada".

Um porta-voz em língua árabe do exército israelita, Avichay Adraee, apelou esta quinta-feira aos habitantes da região para que se "abstenham de ir para o sul do rio Zahrani", a 40 quilómetros da fronteira.

As tropas israelitas "continuam a visar" infraestruturas do Hezbollah nesse setor, justificou o porta-voz no aviso à população libanesa.

Um acordo de cessar-fogo tinha entrado em vigor em 17 de abril, mas as duas partes continuaram os ataques a um ritmo quase diário, acusando-se mutuamente de violar a trégua. Esta foi a quarta vez que as delegações de Israel e do Líbano, que não mantêm relações diplomáticas, se reuniram em Washington para negociações diretas desde o início dos combates, em 2 de março.

O Hezbollah relançou nesse dia os ataques contra Israel para apoiar o Irão, alvo de uma ofensiva israelo-americana desde 28 de fevereiro, e arrastou o Líbano para a nova guerra no Médio Oriente.

A nova vaga de confrontos entre Israel e o Hezbollah já provocou mais de 3.400 mortos no Líbano e forçou a deslocação de mais de um milhão de pessoas, de acordo com as autoridades de Beirute. 

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