Embarcação em que seguia foi intercetada por Israel.
Um ativista português envolvido na Flotilha Global Sumud para Gaza denunciou esta quinta-feira ter sido torturado física e psicologicamente durante dois dias pelo exército israelita depois de a embarcação em que seguia ter sido intercetada por Israel.
Em entrevista à Lusa, Nuno Gomes, de 56 anos, antigo motorista de mercadorias internacionais, adiantou que o exército israelita "travou a campanha marítima", que envolvia 58 embarcações e 181 ativistas que pretendiam romper o bloqueio naval israelita e a abrir um corredor humanitário permanente na Faixa de Gaza para levar ajuda humanitária, a 27 de abril e que "sequestrou todos os envolvidos".
Já em Lisboa, depois de ter regressado a Portugal a 02 deste mês, o ativista português considerou "vergonhosa a abordagem" feita pelo cônsul de Portugal em Creta, onde o exército israelita desembarcou 179 dos 181 ativistas, e lamentou que o Governo português continue a pactuar com Israel.
"A intercessão por parte do exército israelita foi feita em águas internacionais, 50 milhas a sul da costa da Grécia. Foi muito violenta, tanto do ponto de vista psicológico como do ponto de vista físico. [...] Apontaram-nos armas com lasers, armas carregadas com munições reais. Não pediram autorização para entrar dentro das embarcações. A partir daquele momento, ficamos com a certeza absoluta que estávamos a ser raptados", relatou.
"Apoderaram-se dos nossos passaportes e deram-nos ordens específicas para que, se não cumpríssemos as ordens, que iam disparar e poderiam inclusivamente matar-nos", acrescentou, admitindo que se assustou e teve medo, apesar de, contou, "saber muito bem lidar com medo", pois teve treino militar no corpo de tropas paraquedistas de 1988 a 1990.
Segundo Nuno Gomes, que reside em Arganil, próximo de Coimbra (centro de Portugal), nas 48 horas em que considerou que "esteve raptado" em pleno navio, sofreu "uma tortura psicológica permanente", pois não os deixavam dormir e foi "atacado fisicamente" em várias ocasiões.
"Intercedi em ajuda perante camaradas meus, não cumpri com algumas ordens que eles me deram e [...] fui penalizado severamente e fui torturado fisicamente, acabando por sofrer lesões graves no meu corpo, incluindo uma costela rachada em dois sítios diferentes, uma lesão também grave que me causa bastantes dores na coluna vertebral e tenho algumas nódoas negras e arranhões pelo meu corpo todo, incluindo esta, que espero que mostre nas câmaras, que está aqui na minha testa. E aqui ainda tenho a cara um pouco inchada", indicou à Lusa.
Nuno Gomes, que em agosto do ano passado já tinha efetuado uma greve de fome diante do parlamento português para protestar contra a intervenção militar na Faixa de Gaza, frisou que a abordagem que o Consulado de Portugal em Creta "foi vergonhosa", pois não foi ajudado em nada.
"Tenho de apelidar esta abordagem do Consulado como absolutamente vergonhosa, mas, também tendo em conta a posição do nosso governo, que continua a negociar com um país [Israel] genocida, isso não me admira", referiu, apesar de considerar positivo Portugal ter reconhecido o Estado da Palestina.
"O cônsul esperou por mim, abordou-me, cumprimentou-me, perguntou-me como é que eu estava e expliquei-lhe a situação, que tinha sido raptado e torturado. Disse-me que não podia fazer nada, que eu tinha o meu passaporte comigo, que eu era um cidadão livre, que eu podia fazer aquilo que eu quisesse, e que tinha que contactar os meus familiares em Portugal para me comprarem uma passagem para eu regressar ao país. Disse-lhe boa noite, obrigado pela sua presença e fui-me embora", contou.
Questionado pela Lusa sobre se faria tudo novamente, mesmo que fosse nas mesmas circunstâncias, Nuno Gomes, foi claro: "voltaria a fazer tudo outra vez e essa seria sempre a minha opção e a razão por que o faria é precisamente por isso".
"Fazendo ou não fazendo algo, tenho sempre uma opção. E o povo palestiniano não tem opções. É tratado como sendo um povo de segunda classe. Isto não é justo, é ilegal. Não lhes é dada qualquer oportunidade de se defenderem. Eu, como cidadão responsável, lá estaria novamente ao lado deles, porque eles são uma lufada de ar fresco para a humanidade", respondeu.
"É um povo que tem sido maltratado violentamente. Os familiares daquelas pessoas são assassinadas, barbaramente assassinadas, estão a sofrer um genocídio desde quase há 80 anos e, no entanto, continuam a ser amáveis, a ter empatia, a mostrar amor pelo próximo e isso é um exemplo para mim, para a minha família e acho que devia ser um exemplo para todos os portugueses e para a humanidade em geral", concluiu.
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