PS fez um contraponto entre as medidas anunciadas em Lisboa e em Madrid, acusando o Governo de Luís Montenegro de, por oposição, não quer ouvir falar de um IVA de 0%.
O Governo admitiu esta quarta-feira no parlamento ajustar a resposta à subida dos preços "se a situação se prolongar" e rejeitou estar a lucrar com a crise, depois de o PCP pedir a regulação de preços de alguns bens.
Num debate no plenário pedido pelo PCP sobre o combate ao agravamento dos preços após o ataque dos Estados Unidos da América ao Irão, o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, garantiu que o executivo vai "agir sempre que necessário", com base "em critérios objetivos" e de forma articulada "com o enquadramento europeu".
"Se a situação se prolongar, estaremos preparados para ajustar a resposta", assegurou, sem dar uma resposta direta ao que o PCP, que pediu regulação dos preços do cabaz alimentar, botija do gás e combustíveis.
O secretário de Estado da equipa do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, disse ainda que as reduções do Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) "demonstram claramente que o Governo não lucra com a crise, mas antes atua para mitigar o impacto nas pessoas".
Em resposta a críticas do PS de estar a tomar medidas aquém das anunciadas em Espanha, salientou que o executivo português atuou antes do Governo espanhol.
A afirmação aconteceu depois de o deputado socialista Nuno Fazenda acusar o executivo de não saber lidar com crises, seja à subida dos preços da energia, seja às tempestades, e de referir que, com a subida dos preços, o Governo "não está a dar nada a ninguém", apenas a abdicar de arrecadar mais receita.
O PS fez um contraponto entre as medidas anunciadas em Lisboa e em Madrid, considerando que Espanha está a dar "uma resposta forte" e acusando o Governo de Luís Montenegro de, por oposição, não quer ouvir falar de um IVA de 0%.
O deputado e secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, critiou o Governo por entender estar "mais preocupado em salvaguardar os interesses dos grupos económicos do que em conter os preços" e, considerando insuficientes as medidas tomadas até agora, pediu coragem para se "regular preços no cabaz alimentar" e não apenas definir um IVA de 0%, como defende o PS.
Raimundo defendeu também medidas imediatas para combater os preços dos combustíveis, pedindo a fixação do preço da botija do gás em 20 euros e a generalização do "acesso às tarifas reguladas de eletricidade e gás natural". Para sustentar a tomada de medidas que controlem os preços, disse que "até a Entidade Reguladora para o Setor Energético (ERSE) reconhece a negociata em torno dos preços dos combustíveis".
O secretário de Estado insistiu que Portugal tomou medidas antes de Espanha e lembrou que, no caso da botija de gás, aumentou o apoio à compra de 15 para 25 euros.
O deputado do Chega Rui Afonso teceu críticas ao PCP, dizendo que ficou na dúvida se estava a ouvir o Partido Comunista de 2026 ou de 1974, e afirmando que o PCP nunca quer baixar impostos, mas antes determinar os preços.
Também o deputado da IL Mário Amorim Lopes acusou o PCP de querer adotar "a receita do costume -- importar comunismo".
A deputada do PSD Isaura Morais disse que o Governo do PSD e CDS-PP está preocupado com os portugueses e a sociedade no seu todo e "não necessitou que existissem situações adversas para começar a tomar medidas", nomeadamente com trabalhadores e os mais vulneráveis.
Luís Testa, do PS, questionou "de que é que o Governo está à espera para adotar pacotes robustos de auxílio às pessoas e empresas" e alertou que, sem essas medidas, poderá acontecer um "terrível desastre económico".
O líder do Chega, André Ventura, defendeu a descida do IVA da eletricidade ou a isenção de portagens, e acusou o PCP de não querer "mais rendimentos na mão das pessoas", mas sim "para o Estado".
O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, acusou o PS de ter chegado "sempre tarde aos problemas" quando governou e, resposta ao Chega, questionou-se sobre o que aconteceria se o Governo decidisse o que o partido defende, perguntando quem mantinha as estradas, o SNS, e quem pagava aos funcionários públicos ou aos pensionistas.
Pelo Livre, a deputada Patrícia Gonçalves pediu ao Governo que trave "aumentos oportunistas das margens de lucro", especialmente dos combustíveis e bens alimentares.
A líder do PAN Inês Sousa Real pediu um IVA zero para o cabaz essencial e o deputado do JPP Filipe Sousa pediu uma resposta política "à altura" para preservar os rendimentos e o emprego.
O deputado do BE Fabian Figueiredo também defendeu a tabelação de preços, dando França e Bélgica como exemplos de países onde "o Estado não se demitiu".
O deputado do CDS-PP Paulo Núncio criticou o PCP dizendo que "está provado e sabido" que a fixação de preços tem duas consequências, levando à falência das empresas e à escassez e carência dos bens. No caso do gás de botija, fixar o preço violaria o direito europeu, o que seria ilegal, advertiu.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.