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Governo guineense preocupado com consequências da guerra no Médio Oriente

Governo vai reunir-se com os operadores do setor dos combustíveis para saber a quantidade do 'stock' disponível no país e quanto será necessário exportar próximos tempos.

04 de março de 2026 às 17:51

O primeiro-ministro do Governo de transição da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, afirmou esta quarta-feira que o país está preocupado com as consequências da guerra no Médio Oriente e já está a tomar medidas preventivas sobre o aumento do petróleo.

Em declarações aos órgãos de comunicação social locais num hotel de Bissau, Vieira Té indicou que o Governo está a estudar "todos os mecanismos possíveis" para fazer face ao provável aumento do preço dos combustíveis.

"Ainda ontem [terça-feira] chamamos os operadores do setor dos combustíveis, porque é a parte mais afetada. O melhor remédio é prevenir. O Governo está a tomar todos os mecanismos que estão ao seu alcance para evitar maiores impactos junto da população", disse o primeiro-ministro guineense.

Ilídio Vieira Té observou que, em Portugal, o preço de venda dos combustíveis aumentou em dez cêntimos de euros e que na Guiné-Bissau ainda não se registou nenhum aumento, mas adiantou que o Governo do país "não quer ser apanhado de surpresa".

"Há toda a necessidade de o país se precaver porque não se sabe se é uma guerra que vai durar uma semana, duas semanas, três semanas, ninguém sabe", frisou Vieira Té.

Na quinta-feira, o Governo vai reunir-se com os operadores do setor dos combustíveis para saber a quantidade do 'stock' disponível no país e quanto será necessário exportar mais nos próximos tempos.

Ilídio Vieira Té adiantou que, no mesmo dia, deve chegar ao país um carregamento de combustíveis.

Questionado sobre se não receia que a campanha de compra da castanha de caju possa ser afetada devido ao conflito no Médio Oriente, o primeiro-ministro guineense afirmou que a campanha vai decorrer conforme o previsto.

A castanha de caju é o principal produto agrícola e de exportação da Guiné-Bissau, cuja campanha ocorre entre abril e outubro. A Índia e o Vietname são os principais compradores do produto que movimenta a economia guineense em cerca de 90%.

"A campanha vai começar na data prevista e de lá vamos ver qual é a evolução da situação, mesmo que aquela zona venha a ser fechada, haverá sempre alternativa, porque o mundo não para", sublinhou.

Ilidio Vieira Té deu como exemplo a guerra entre a Rússia e a Ucrânia para destacar que o país encontrou alternativas para a compra e venda da sua castanha de caju.

Na sequência da situação no Médio Oriente, a Embaixada da Guiné-Bissau na Arábia Saudita emitiu um comunicado a exortar "todos os cidadãos guineenses que se encontram atualmente no reino da Arábia Saudita e nos países circunvizinhos a manterem-se vigilantes".

A embaixada pede aos guineenses na região do conflito que "observem com o máximo rigor as orientações de segurança em vigor no Estado onde residem" e que acompanhem "atentamente todos os avisos e instruções emanados das autoridades locais competentes, bem como desta missão diplomática".

A embaixada informa ainda que se mantém "em pleno funcionamento" e que "continuará a acompanhar de perto o evoluir da situação, emitindo atualizações e comunicações sempre que tal se revele necessário".

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão,  tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

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