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Grupo de eurodeputados pede à UE para suspender venda de armas a Israel

Pedido surge após uma comissão da ONU ter acusado o país de ter como alvo crianças palestinianas.

10 de julho de 2026 às 16:33

Um grupo de 54 eurodeputados, incluindo o português João Oliveira (PCP), pediu esta sexta-feira à União Europeia para suspender a venda de armas a Israel, após uma comissão da ONU ter acusado o país de ter como alvo crianças palestinianas.

Numa carta dirigida aos presidentes do Conselho Europeu, António Costa, da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, 54 eurodeputados recordam que, recentemente, uma comissão de inquérito da ONU denunciou "o alvejar e o assassinato deliberado de crianças palestinianas".

"Entre outros gravíssimos aspetos, o relatório aponta as consequências dos ataques de Israel a infraestruturas críticas essenciais para as crianças -- como as instalações de saúde, orfanatos e escolas -- e o impacto das condições de vida impostas por Israel à população palestiniana na Faixa de Gaza", afirmam estes membros do Parlamento Europeu na carta que partiu da iniciativa de João Oliveira.

Os eurodeputados, que pertencem aos grupos dos Socialistas e Democratas (S&D), Verdes Europeus e A Esquerda, acrescentam ainda que o relatório confirma que "as ações de autoridades e forças militares israelitas constituem violações graves do Direito internacional, configurando o crime de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra".

"A não condenação por parte das instituições da União Europeia (UE) da política de ocupação, colonização e genocídio levada a cabo por Israel contra o povo palestiniano contribui para a sua impunidade e continuação", defendem.

Os eurodeputados pedem assim que a UE tome "ação e medidas imediatas, efetivas e consequentes" para "proteger as crianças palestinianas da brutal violência de Israel", "pôr fim à agressão de Israel ao povo palestiniano", "cumprir o Direito internacional, concretizando o Estado da Palestina como determinam as resoluções da ONU".

Entre as ações que preconizam, pedem em particular que se suspendam as exportações de armas para Israel, se suspenda o acordo de associação com aquele país e se impeça o seu acesso a fundos da UE para fins militares.

Em 23 de junho, uma comissão internacional de inquérito mandatada pelas Nações Unidas acusou Israel de "ter como alvo" crianças palestinianas na Faixa de Gaza, atribuindo "intenção genocida" às tropas das Forças de Defesa de Israel.

No seu mais recente relatório, que se centra mais especificamente na situação das crianças, a comissão de inquérito sublinhou que "o ataque deliberado a crianças é um dos elementos-chave para estabelecer a intenção genocida das autoridades e forças de segurança israelitas de destruir os palestinianos, total ou parcialmente, em Gaza".

Num comunicado, o presidente da comissão internacional, Srinivasan Muralidhar, afirmou que "ao atacar crianças, Israel está a atacar a própria capacidade do povo palestiniano de existir e de determinar o seu futuro".

"As provas mostram que crianças palestinianas foram alvos deliberados e mortas pelas forças de segurança israelitas", afirmou Muralidhar.

Israel condenou o relatório como difamatório, acusando os seus autores de "ignorar as táticas brutais do grupo islamita palestiniano Hamas, que ataca impiedosamente crianças israelitas e usa crianças palestinianas como escudos humanos".

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