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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Guterres alerta para efeitos da "maior crise energética da História" provocada pelo conflito no Médio Oriente

Secretário-geral da ONU considerou que um acordo de paz entre EUA e Irão proporcionaria um "alívio muito necessário".

23 de junho de 2026 às 14:10

O secretário-geral da ONU avisou esta terça-feira que as consequências da "maior crise energética da História", provocada pelo conflito no Médio Oriente, serão duradouras, considerando que um acordo de paz entre EUA e Irão proporcionaria um "alívio muito necessário".

"O conflito no Médio Oriente desencadeou a maior crise energética da História", disse António Guterres numa mensagem publicada nas redes sociais.

Mas, para muitos países em desenvolvimento, esta não é apenas uma crise energética, alertou.

"É uma crise da dívida, uma crise alimentar e uma crise de desenvolvimento", disse.

Uma crise a que "qualquer acordo de paz traria um alívio muito necessário", mas cujos efeitos "serão provavelmente duradouros", lamentou o líder das Nações Unidas.

As declarações de Guterres foram feitas poucas horas depois da conclusão, na segunda-feira, das conversações técnicas entre o Irão e os Estados Unidos sobre o memorando de entendimento que visa pôr fim ao conflito.

A mais recente crise no Médio Oriente começou em fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irão, que desencadeou uma rápida escalada de bombardeamentos e confrontos diretos na região.

A crise acabou por envolver o Líbano e várias bases e infraestruturas de outros países da região, afetando também o resto do mundo devido ao bloqueio que as duas partes fizeram à passagem de petroleiros e outros navios de transporte de matérias-primas pelo estreito de Ormuz.

O secretário-geral da ONU já tinha referido que o impacto da guerra nos mercados de energia ameaçava criar choques globais semelhantes às crises do petróleo de 1970.

Washington e Teerão assinaram recentemente um acordo inicial de paz que estabelece um cessar-fogo permanente e a reabertura do estreito de Ormuz, além de prever o fim imediato das sanções económicas contra os iranianos e o compromisso do país de não desenvolver armas nucleares nos próximos anos.

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