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Hungria pede à UE suspender sanções ao petróleo russo como os EUA

Budapeste tem discordado das posições da UE sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia, opondo-se a muitas das medidas contra Moscovo e as de ajuda a Kiev.

13 de março de 2026 às 10:59

A Hungria pediu esta sexta-feira que a UE siga o exemplo dos Estados Unidos, que suspenderam temporariamente as sanções contra o petróleo russo já em trânsito para travar a subida dos preços.

"É preciso suspender as sanções ao bruto russo e é preciso permitir a entrada dos combustíveis russos no mercado europeu", defendeu o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

A Hungria, com um Governo ultranacionalista liderado por Viktor Orbán, é um país muito dependente do petróleo russo e o principal aliado de Moscovo dentro da UE.

Budapeste tem discordado das posições da UE sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia, opondo-se a muitas das medidas contra Moscovo e as de ajuda a Kiev.

Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira que autorizaram temporariamente a venda de petróleo russo armazenado em navios, devido à subida dos preços desde o início da guerra no Irão.

O Departamento do Tesouro emitiu uma licença que autoriza a venda durante um mês de petróleo bruto e derivados russos carregados em navios antes de quinta-feira.

A decisão "não proporcionará um benefício financeiro significativo ao Governo russo", afirmou o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

Em reação, Kirill Dmitriev, enviado do Presidente russo, Vladimir Putin, para as questões económicas, considerou esta sexta-feira que o petróleo russo é essencial para a estabilidade do mercado global.

"Os Estados Unidos estão, na verdade, a reconhecer o óbvio: sem petróleo russo, o mercado global de energia não pode manter-se estável", afirmou Dmitriev.

No inicio da semana, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha anunciado que ia suspender algumas sanções sobre o petróleo "para baixar os preços", depois de uma conversa telefónica com Putin.

O chefe da diplomacia da Hungria defendeu que a decisão de Washington aumentará a quantidade de petróleo nos mercados, controlando assim os preços.

Mas, "infelizmente, não será assim na Europa", lamentou o ministro húngaro, que acusou a UE de tomar decisões de acordo com os interesses da Ucrânia.

"A Hungria defenderá os seus próprios interesses e não deixará que [o Presidente ucraniano, Volodymyr] Zelensky provoque a subida dos preços", acrescentou.

Budapeste acusa Kiev de bloquear o trânsito do crude proveniente da Rússia pelo oleoduto Druzhba, que foi danificado num ataque russo.

Orbán vetou um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, por considerar que a Hungria e a Eslováquia ficaram sem o trânsito do petróleo russo pelo oleoduto Druzhba por culpa de Zelensky.

Os preços do petróleo dispararam para os 100 dólares por barril nos últimos dias devido à guerra no Médio Oriente, fazendo recear uma crise económica global.

Vários países dependentes das exportações petrolíferas dos países do Golfo Pérsico através do estreito de Ormuz, que está praticamente fechado, adotaram medidas para tentar diminuir os efeitos dos cortes de fornecimentos.

A guerra foi desencadeada pela ofensiva de grande escala lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.

O Irão respondeu com ataques contra os países vizinhos e contra petroleiros no estreito de Ormuz.

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