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Irão reforça à Rússia e Turquia que bloqueio de Ormuz é resultado da agressão

Teerão negou quaisquer negociações entre Washington e a República Islâmica.

23 de março de 2026 às 17:21

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, reforçou esta segunda-feira aos homólogos russo e turco que o bloqueio do Estreito de Ormuz é uma "consequência direta" de uma agressão dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica.

Nos telefonemas com Serguei Lavrov e Hakan Fidan, o chefe da diplomacia de Teerão afirmou que "a comunidade internacional deve responsabilizar estes dois países pelos seus atos ilícitos e crimes" relacionados com a agressão que levou ao encerramento parcial desta via navegável estratégica para a distribuição de petróleo e gás natural liquefeito e fez disparar os preços internacionais.

No domingo, Araghchi tinha afirmado que "o Estreito de Ormuz não está fechado", apesar das ameaças militares da Guarda Revolucionária de bloquear a passagem de navios ligados aos Estados Unidos, a Israel ou aos seus aliados.

"Os navios estão hesitantes porque as seguradoras temem a guerra que vocês iniciaram, não o Irão. Nenhuma seguradora, nem nenhum iraniano, se deixará influenciar por novas ameaças. A liberdade de navegação não pode existir sem a liberdade de comércio. Respeitem ambas, ou não esperem nenhuma", disse numa mensagem publicada na rede social X.

Além disso, assegurou ao homólogo da Rússia, um dos principais aliados de Teerão e com quem falou em várias ocasiões desde o início da guerra, que "a ameaça de atacar as infraestruturas energéticas do Irão constitui um claro exemplo de crime de guerra e genocídio", segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.

Araghchi reiterou que, se as ameaças de ataques contra as infraestruturas energéticas iranianas, dirigidas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, se concretizarem, "a resposta do Irão será rápida e decisiva".

Ao fim de mais de três semanas desde a ofensiva aérea lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, o ministro iraniano falou também com o homólogo turco, argumentando que a decisão de atacar as bases e instalações militares americanas na região "está de acordo com o direito inerente à autodefesa" do seu país.

"Lamentamos que o território dos países islâmicos da região esteja a ser utilizado indevidamente para ataques dos Estados Unidos e do regime sionista contra o Irão", disse Araghchi, citado pelo seu gabinete, após a Ancara relatar vários projéteis lançados contra o país.

O Kremlin (presidência russa) alertou esta segunda-feira pelo seu lado para "consequências irreparáveis" se ocorrer qualquer ataque dos Estados Unidos ou de Israel contra instalações nucleares iranianas, como a central de Bushehr, construída por engenheiros russos.

"Consideramos os ataques contra instalações nucleares potencialmente muito perigosos e com consequências, talvez até irreparáveis", advertiu Dmitri Peskov, porta-voz presidencial, na sua conferência de imprensa diária.

Peskov já tinha indicado que este era o principal tópico de discussão entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros.

"Lavrov salientou que os ataques contra as infraestruturas nucleares do Irão, incluindo Bushehr, são categoricamente inaceitáveis, pois criam riscos inaceitáveis para a segurança do pessoal russo e podem ter consequências ecológicas catastróficas para todos os países da região, sem exceção", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Donald Trump indicou que esta segunda-feira que há negociações com um "político iraniano respeitado", cuja identidade não revelou.

"[Estamos em contacto] com uma pessoa de alto nível. Não se esqueçam: aniquilámos o primeiro, o segundo e, em grande parte, o terceiro nível da liderança. Mas estamos a lidar com um homem que acredito ser o mais respeitado e o líder" do país, declarou o Presidente norte-americano.

Esta declaração surgiu após ter anunciado que prolongou o prazo para Teerão reabrir o Estreito de Ormuz e que os Estados Unidos vão suspender os ataques a instalações energéticas durante cinco dias.

O líder da Casa Branca (presidência norte-americana) acrescentou que a suspensão da ameaça de atacar infraestruturas iranianas está "sujeita ao sucesso das reuniões e discussões em curso".

O Irão negou quaisquer negociações entre Washington e a República Islâmica.

No domingo, Abbas Araghchi afirmou que o seu país "não aceitará um cessar-fogo" no conflito com os Estados Unidos e Israel, pelo qual exige uma compensação pelos danos infligidos à República Islâmica.

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