Para a ministra irlandesa, a Comissão Europeia deve por isso "apresentar respostas mais fortes ao que está a acontecer na Cisjordânia".
A Irlanda, que ocupa este semestre a presidência rotativa da União Europeia (UE), defendeu esta quarta-feira que o bloco comunitário deve "agir agora" para "mudar o comportamento" israelita em Gaza e no Líbano, pedindo respostas mais fortes a Bruxelas.
"Se todos nós na UE acreditamos que a única forma de alcançar a paz na região, permitindo que palestinianos e israelitas vivam lado a lado, é através de uma solução de dois Estados, e se acreditamos genuinamente nisso - e eu acredito que a UE acredita - então a única forma de manter essa visão e essa ambição é agir agora", disse a ministra dos Negócios Estrangeiros, do Comércio e da Defesa, Helen McEntee.
Em declarações a um grupo de jornalistas europeus -- incluindo a Lusa -- que participa esta quarta-feira na viagem para a imprensa da presidência irlandesa do Conselho da União, a responsável assinalou que a Irlanda tem "vindo a instar a UE a tomar medidas mais fortes em resposta ao que é uma catástrofe humanitária em Gaza, que pode ser evitada, pode ser travada, mas continua a acontecer".
"Vemos também um plano muito semelhante a ser aplicado no Líbano, onde dezenas de aldeias e cidades foram destruídas, sem qualquer perspetiva de que as pessoas consigam regressar às suas casas. E agora, o que vemos acontecer no Líbano e na Cisjordânia é um aumento dos territórios ocupados e da violência dos colonos, com uma ambição muito clara de ir ainda mais longe", elencou Helen McEntee.
Para a ministra irlandesa, a Comissão Europeia deve por isso "apresentar respostas mais fortes ao que está a acontecer na Cisjordânia".
"Temos pedido há algum tempo à Comissão que apresente novas propostas, para além da suspensão do acordo de associação [com Israel], que, na minha opinião, claramente não reúne unanimidade nem apoio total", apontou, indicando já ter sugerido "que esta questão fosse levada ao Conselho do Comércio para que se pudesse recorrer à votação por maioria qualificada e ver a possibilidade de um acordo sobre uma proposta de caminho a seguir".
Numa altura em que Bruxelas prepara um conjunto de medidas políticas e económicas em resposta à situação na Faixa de Gaza e ao avanço dos colonatos israelitas na Cisjordânia, Helen McEntee disse esperar "que a Comissão apresente propostas que não se limitem ao acordo de associação, mas que analisem especificamente a proibição do comércio nos territórios ocupados, indo além do que foi proposto ou discutido até à data".
"Penso que este é um momento muito importante para nós, não apenas para discutir e debater o assunto, mas também para defender que possamos votar esta questão o mais rapidamente possível. Podemos falar e debater o tema, mas, a menos que tomemos uma decisão e votemos sobre isto, não alcançaremos nada", alertou.
Segundo a chefe da diplomacia irlandesa, "o objetivo geral sempre foi mudar o comportamento, não punir as pessoas, mas sim mudar o comportamento do governo israelita".
Está previsto que o executivo comunitário apresente estas propostas antes da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE de 13 de julho de 2026, num momento em que vários Estados-membros pressionam por uma resposta mais firme.
Entre as opções em discussão encontram-se a limitação ou proibição do comércio com colonatos nos territórios ocupados, possíveis ajustes ao Acordo de Associação UE-Israel, sanções direcionadas contra colonos violentos e eventuais medidas restritivas contra figuras políticas consideradas responsáveis pela escalada do conflito.
No entanto, estas iniciativas enfrentam divisões internas na UE, o que torna a sua aprovação incerta e politicamente sensível, especialmente no que toca a medidas que exigem unanimidade entre os Estados-membros.
A Irlanda vai ocupar, entre hoje e final de dezembro, a presidência rotativa da União Europeia.
Esta é a oitava presidência irlandesa da UE.
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