Venezuela era o principal fornecedor de petróleo a Havana.
O Governo mexicano anunciou esta segunda-feira estar em negociações com várias empresas privadas que pretendem comprar combustível à empresa estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) para o revender a empresas cubanas para ajudar a ilha.
"Há agentes privados que nos contactaram, por exemplo, para poderem comprar combustível à Pemex e transportá-lo eles próprios para os agentes privados de Cuba (...) Há várias empresas, não apenas uma", afirmou a Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, em conferência de imprensa.
Estas declarações surgiram depois de, no domingo, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que a chegada de um petroleiro russo a Cuba, em desafio ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao abastecimento de combustível da ilha, com uma grave escassez de energia, não tem "qualquer importância", pois "Cuba está acabada".
"Se um país quiser enviar petróleo para Cuba a partir de agora, isso não me causa qualquer problema, seja a Rússia ou não", afirmou Trump, que tinha ameaçado aplicar tarifas aos países que comercializassem hidrocarbonetos com a ilha caribenha.
O Presidente norte-americano suspendeu a entrega de petróleo venezuelano a Cuba, na sequência da captura ex-líder da Venezuela Nicolás Maduro pelos EUA.
A Venezuela era o principal fornecedor de petróleo a Cuba.
O petroleiro russo Anatoly Kolodkin, que transporta 100 mil toneladas de petróleo bruto, chegou a águas cubanas com o primeiro carregamento de petróleo nos últimos três meses.
Estimam-se que cerca de 730 mil barris de petróleo russo serão descarregados em Cuba.
O porta-voz da Presidência russa (Kremlin), Dmitri Peskov, afirmou que a Rússia já tinha discutido previamente com os Estados Unidos o envio de petróleo para Cuba.
"A Rússia considera que é seu dever não ficar de braços cruzados, mas prestar a assistência necessária aos nossos amigos cubanos", disse Peskov aos jornalistas.
O destino final é o porto de Matanzas, um centro estratégico numa ilha que produz apenas 40% do combustível de que necessita e depende das importações para sustentar a rede energética.
A Presidente mexicana disse também que enviou uma ajuda humanitária no valor de 20.000 pesos (cerca de 960 euros) para Cuba, no âmbito da iniciativa promovida pelo ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador (2018-2024) para apoiar a ilha face à crise energética.
"É uma decisão pessoal minha, de Claudia Sheinbaum Pardo, de doar para uma conta que foi aberta por uma série de organizações para poder levar ajuda a Cuba", precisou.
A chefe de Estado esclareceu que esta doação "não tem a ver" com o cargo.
"Como Presidente do povo do México, vou sempre procurar, antes de mais nada, proteger o nosso povo e a nossa nação", e detalhou que a cooperação com Cuba, tanto em matéria de combustíveis como de assistência social, mantém-se sob critérios de soberania e sem afetar os interesses mexicanos.
"O que sempre dissemos é que o México tem todo o direito de enviar combustível, seja por razões humanitárias ou comerciais, mas que não queremos prejudicar o México", afirmou ao explicar que a decisão é avaliada de acordo com condições tarifárias e aduaneiras.
Acrescentou que o apoio humanitário vai continuar apesar das críticas internas, ao referir que "os únicos que não querem que se apoie o povo cubano são alguns opositores de extrema-direita", e sublinhou que o México sempre manteve uma relação de amizade com o povo cubano.
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