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Ministra dos Negócios Estrangeiros britânica salienta "necessidade urgente" de reabrir estreito de Ormuz

Líderes europeus participam em reunião com representantes de mais de 40 países, incluindo Portugal.

02 de abril de 2026 às 13:32

A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica sublinhou esta quinta-feira a "necessidade urgente" de reabrir o estreito de Ormuz, no início de uma reunião virtual com representantes de "mais de 40 países", incluindo Portugal.

"Temos hoje ministros dos Negócios Estrangeiros e representantes de mais de 40 países reunidos para debater o estreito de Ormuz, as consequências do encerramento, a necessidade urgente de restabelecer a liberdade de navegação para o transporte marítimo internacional e a nossa firme determinação internacional em ver o estreito reaberto", declarou Yvette Cooper, que preside à reunião.

Além desta reunião, o Governo britânico pretende "reunir planeadores militares para analisar como mobilizar as capacidades militares defensivas coletivas, incluindo a análise de questões como a remoção de minas ou medidas de salvaguarda assim que o conflito abrandar", acrescentou Cooper.

"Mas na reunião de hoje, estamos a concentrar-nos nas medidas diplomáticas e de planeamento internacional, incluindo a mobilização coletiva de todo o nosso leque de instrumentos e pressões diplomáticas e económicas, o trabalho de garantias junto da indústria, das seguradoras e dos mercados energéticos, bem como ações para garantir a segurança dos navios e tripulantes retidos e a coordenação eficaz de que necessitamos em todo o mundo para permitir uma abertura segura e sustentada do estreito", disse.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, representa Portugal na reunião, que estava previsto juntar cerca de 30 países subscritores de uma declaração, de iniciativa de Londres em conjunto com França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão, publicada em 19 de março.

O texto exige que o Irão cesse as tentativas de bloquear o estreito de Ormuz e compromete os signatários a "contribuir para os esforços adequados para garantir a passagem segura" pela via marítima, por onde transita, em condições normais, um quinto da produção mundial de petróleo, bem como de gás natural liquefeito.

Os ataques iranianos a navios comerciais, bem como a ameaça de mais ataques, paralisaram quase todo o tráfego na passagem que liga o golfo Pérsico ao resto dos oceanos, o que fez disparar os preços daquelas matérias-primas e de derivados como fertilizantes.

Governos e analistas disseram recear que um bloqueio prolongado tenha impacto noutros setores da economia, como a produção agrícola e de medicamentos e fabrico de semicondutores e de baterias necessários para aparelhos eletrónicos ou automóveis.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que responsáveis militares também se vão reunir em breve para trabalhar em formas de garantir a segurança da navegação "depois do fim dos combates".

Starmer avisou que retomar o tráfego marítimo "não será fácil" e vai exigir "uma frente unida de força militar e atividade diplomática", em parceria com a indústria marítima.

Estas discussões surgiram sob pressão dos Estados Unidos, com o Presidente norte-americano, Donald Trump, a afirmar que os países dependentes do transporte marítimo no estreito devem mobilizar-se para o desbloquear.

Trump criticou repetidamente o Reino Unido e a NATO por não apoiarem suficientemente as forças armadas norte-americanas neste conflito, iniciado em 28 de fevereiro quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irão.

O Irão tem respondido com ataques contra território israelita e contra bases militares norte-americanas nos países da região, tendo danificado navios e infraestruturas civis e energéticas, como a importante refinaria de gás natural Ras Laffan, no Qatar.

A guerra provocou mais de três mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, que se viu envolvido no conflito após o movimento xiita Hezbollah, apoiado por Teerão, ter atacado Israel.

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