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"Não estamos imunes": Von der Leyen alerta que UE continuará vulnerável enquanto depender de petróleo e gás importados

Presidente da Comissão Europeia apontou que "se queremos uma verdadeira independência, temos de acelerar a eletrificação".

19 de maio de 2026 às 12:46

A presidente da Comissão Europeia considerou esta terça-feira que a União Europeia (UE) "continuará vulnerável" enquanto depender de petróleo e gás importados, dada a crise energética causada pela guerra no Médio Oriente, apelando à eletrificação do continente.

"A situação no Médio Oriente está a causar um impacto em todo o mundo. Graças às medidas que tomámos nos últimos anos, estamos menos expostos do que antes, mas não estamos imunes", disse Ursula von der Leyen.

Numa intervenção por vídeo na Conferência Europeia sobre Tecnologias Limpas, em Bruxelas, a líder do executivo comunitário vincou: "Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos vulneráveis".

Assim, "se queremos uma verdadeira independência, temos de acelerar a eletrificação" na UE, salientou Ursula von der Leyen, apontando que "os consumidores já estão a agir" uma vez que as compras de veículos elétricos aumentaram 51% desde o início da guerra no Médio Oriente.

Na segunda-feira, a Comissão Europeia admitiu "constrangimentos regionais de abastecimento" de petróleo caso se mantenha o bloqueio no estreito de Ormuz até junho, que afeta, sobretudo, o combustível de aviação, equacionando medidas de poupança no espaço comunitário.

"Embora atualmente não exista escassez de combustível na UE [União Europeia], poderão surgir constrangimentos regionais de abastecimento nas próximas semanas caso o bloqueio do fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz não seja resolvido, sendo o combustível de aviação a principal preocupação", afirmou a Direção-Geral da Energia do executivo comunitário em comunicado.

De acordo com a nota, divulgada após uma reunião esta terça-feira do Grupo de Coordenação do Petróleo -- que juntou especialistas da Comissão Europeia, dos países da UE, da Agência Internacional da Energia, da NATO e representantes da indústria petrolífera --, os especialistas "salientaram que, se a situação persistir, será necessário combinar qualquer libertação dessas reservas com medidas de poupança de combustível, para que as reservas de emergência possam ser geridas de forma mais eficiente e durante mais tempo".

O grupo reuniu-se para discutir a situação da segurança do abastecimento de petróleo na Europa e a coordenação da resposta ao nível da UE, enquanto o conflito no Médio Oriente se prolonga envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão, tendo discutido "as perspetivas para a UE e a abordagem coordenada da União caso a situação se prolongue até junho".

Também na segunda-feira, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, advertiu que a 'almofada' das reservas comerciais de petróleo acumuladas antes da guerra no Médio Oriente e do encerramento de Ormuz se vai esgotar numa questão de semanas.

Numa altura em que se assinalam quase três meses desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da consequente resposta iraniana, já se assistem a consequências para a aviação como aumento de custos, impacto nas operações devido à subida dos preços da energia, perturbações nas rotas e riscos acrescidos para a logística global.

As leis da UE obrigam os Estados-membros a manterem reservas estratégicas para 90 dias de petróleo, sendo que cabe aos Estados-membros decidir que parte corresponde a petróleo bruto e que parte corresponde a produtos refinados, incluindo querosene e combustível para a aviação.

A UE importa a maior parte do petróleo que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética relacionada com o conflito que envolve Irão, Estados Unidos e Israel.

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