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Organização Marítima pede proteção de navios e marinheiros face a 80 ataques no estreito de Ormuz desde fevereiro

Ataques resultaram na morte de pelo menos 22 marinheiros e em muitos feridos.

16 de setembro de 2026 às 12:33

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI) pediu, esta quarta-feira, aos Estados-membros que protejam os navios mercantes e a vida dos marinheiros, referindo que, desde o início da guerra no Irão, já foram atacados 80 navios no estreito de Ormuz.

Num discurso feito perante o subcomité da OMI sobre o Transporte de Cargas e Contentores, Arsenio Dominguez alertou para os graves impactos das tensões geopolíticas na indústria naval.

"Estamos a chegar a um ponto em que estes conflitos estão a ser usados como pretexto para atacar navios mercantes e marinheiros inocentes. Não usem estes conflitos para atacar marinheiros inocentes", afirmou.

Desde o início da guerra no Irão, com ataques lançados em conjunto pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro, a OMI já contabilizou 80 ataques à navegação internacional no estreito de Ormuz e arredores, resultando na morte de pelo menos 22 marinheiros e em muitos feridos, avançou o responsável.

"Nos mares Negro e de Azov, foram relatadas dezenas de mortes como resultado de ataques a navios mercantes internacionais nos últimos meses, embora os números exatos sejam difíceis de verificar", referiu Arsenio Dominguez.

Além disso, os ataques no Mar Vermelho foram retomados, tendo sido confirmadas quatro mortes no mais recente ataque dos Huthis a um navio mercante, a 11 de agosto.

Segundo o secretário-geral, a abordagem das causas profundas destes conflitos geopolíticos está para além do âmbito da OMI, embora o seu impacto seja cada vez mais evidente no comércio marítimo global e nas operações de navegação.

Por isso, o responsável exortou os delegados a discutirem estes impactos na navegação internacional com os seus governos e nos fóruns internacionais apropriados.

"Quando as operações de navegação são interrompidas, as consequências vão muito além do setor marítimo, afetando as economias, as cadeias de abastecimento e o quotidiano" lembrou.

"Apelo para que partilhem estes impactos com os organismos competentes dos vossos países, para que isto possa ser tratado no âmbito das Nações Unidas, conforme apropriado. Cabe-vos a vós, às vossas capitais e aos organismos competentes das Nações Unidas abordar as causas profundas e encontrar soluções", sublinhou.

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