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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

“Parem imediatamente de andar aos tiros”: Trump apela ao fim dos ataques israelitas contra o Irão

Presidente dos EUA teme que regresso das hostilidades possa comprometer as negociações da paz. Guerra no Líbano no centro do conflito.

09 de junho de 2026 às 01:30

A mensagem foi curta, mas reveladora do mal-estar que o recomeço das hostilidades no Médio Oriente provocou na Casa Branca: “Parem imediatamente de andar aos tiros”, escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social, na manhã desta segunda-feira. O apelo do líder norte-americano surgiu horas depois de ter pedido ao primeiro-ministro israelita para não responder à onda de mísseis disparados pelo Irão contra o Norte de Israel, domingo à noite. Mas Netanyahu não acedeu ao apelo e as forças de defesa de Telavive contra-atacaram, o que irritou Trump. As relações entre os dois líderes têm vindo a deteriorar-se nas últimas semanas, devido à operação de Israel no Sul do Líbano, violando o último acordo de cessar-fogo, estabelecido quinta-feira em Washington. O ataque de domingo a Beirute foi a gota de água. Trump não gostou e o Irão entendeu que Israel tinha pisado uma linha vermelha, reagindo de imediato. Ao longo da noite e manhã desta segunda-feira disparou perto de 30 mísseis. Entre os alvos estiveram duas bases aéreas. Não se sabe se o objetivo foi atingido.

A resposta israelita não se fez esperar. “Dezenas de caças realizaram um ataque em larga escala contra sistemas de defesa estratégicos” iranianos, revelou o Exército israelita, acrescentando que a missão foi bem-sucedida. Na mira esteve, também, o complexo petroquímico de Mahshahr. Teerão reconheceu que foi danificada “parte das instalações”. Por volta do meio-dia, o Irão deu por encerradas as operações militares, mas avisou que serão tomadas medidas muito mais severas e repressivas se “as agressões e os ataques [israelitas] persistirem, inclusive no Sul do Líbano”. Duas horas depois, Israel também anunciou o fim das operações. Até que ponto o reacender da guerra pode comprometer as negociações de paz em curso é a questão que agora se coloca. O Irão diz que continua à mesa das negociações e Trump acredita que poderá haver novidades nos próximos dias. Mas tudo vai depender da evolução do conflito no Líbano, onde Israel tem vindo a ganhar cada vez mais terreno, apesar da oposição do Hezbollah, grupo xiita libanês apoiado pelo Irão.

E TAMBÉM

Reino Unido faz apelo

O primeiro-ministro britânico apelou para que “todas as partes voltem a respeitar o cessar-fogo” no Médio Oriente. “Estou profundamente preocupado com o recomeço da violência. Estão em curso negociações sérias, com vista a uma paz duradoura. É importante que lhes dêmos todas as hipóteses de sucesso”, disse Starmer.

EUA fazem exigência

Os EUA exigem ao Irão o fornecimento “sem atraso” de informações “precisas” sobre o enriquecimento de urânio armazenado nos locais bombardeados.

“Ataque o diabo”

Milhares de pessoas, com bandeiras do Irão e do Hezbollah, realizaram um protesto pró-governo em Teerão durante a noite de domingo, após a retomada dos ataques do iranianos contra Israel. Pediram a Majid Mousavi, chefe do Comando Aeroespacial da Guarda Revolucionária, que atacasse Israel: “Ataque o diabo, ataque Telavive.”

PORMENORES

China preocupação

O porta-voz do Ministério dos Negócios chinês, Lin Jian, manifestou esta segunda-feira preocupação pelo regresso da guerra ao Médio Oriente e apelou às partes envolvidas para respeitarem o cessar-fogo e procurarem uma solução por vias políticas e diplomáticas.

UE incentiva negociações

“Voltámos a assistir a uma escalada. A região não precisa de uma escalada, mas sim que as partes se sentem à mesa de negociações e cheguem a um acordo”, apelou a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas.

Protesto nos EUA

Mais de 200 membros da diáspora iraniana concentraram-se no domingo junto ao Estádio de Los Angeles, empunhando bandeiras pré-revolução ‘Leão e Sol’ e protestando contra o Governo iraniano antes do primeiro jogo do Irão no Mundial.

Realizador acusado de propaganda

O realizador iraniano Jafar Panahi, nomeado aos Óscares do ano passado pelo filme ‘Foi Só um Acidente’, perdeu o recurso e viu confirmada sentença que o acusa de “propaganda contra o regime”.

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