Ativistas "serão transferidos para um "navio-prisão" e levados para o porto israelita de Ashdod.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou esta segunda-feira a interceção pelas forças israelitas de uma nova "flotilha para Gaza", acusando-a de ser uma iniciativa maliciosa.
"Estão a conduzir esta operação com um sucesso notável. [...] Continuem até ao fim", declarou o líder israelita ao comandante da marinha israelita responsável pela operação, segundo um comunicado do seu gabinete, que divulgou imagens da conversa.
"Penso [...] que estão a impedir um plano malicioso concebido para quebrar o bloqueio que impusemos aos terroristas do Hamas em Gaza", acrescentou.
O Exército israelita informou que os participantes da frota "serão transferidos para um grande navio de carga", que classificou como "navio-prisão", e levados para o porto israelita de Ashdod. Por enquanto, as autoridades israelitas não divulgaram o número de detidos nem de embarcações intercetadas.
As palavras de Netanyahu surgem depois de o exército israelita ter confirmado a interceção de embarcações ao largo da costa de Chipre, integradas na mais recente vaga de ativistas de uma flotilha, que inclui dois médicos portugueses -Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, embarcados no navio Tenaz (desconhece-se se o barco foi um dos intercetados) -, que tenta romper o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza.
Mais de 50 embarcações partiram na semana passada do porto de Marmaris, na Turquia, naquela que os organizadores da Global Sumud Flotilla descreveram como a etapa final da viagem planeada até à costa de Gaza.
A transmissão em direto da organização mostrou hoje ativistas a bordo de várias embarcações a vestir coletes salva-vidas e a erguer as mãos antes da aproximação de uma embarcação com tropas israelitas.
Os militares, equipados com material tático, abordaram o navio, tendo a transmissão sido interrompida abruptamente. Muitas das embarcações encontram-se atualmente ao largo da costa de Chipre.
Outras imagens mostram forças israelitas em lanchas rápidas a aproximarem-se e a ordenarem aos ativistas que se deslocassem para a parte da frente da embarcação.
Pelo menos 17 barcos foram intercetados nas primeiras três horas da operação, segundo o sistema de monitorização da Global Sumud Flotilla.
Os organizadores indicaram que as embarcações foram intercetadas a 250 milhas náuticas (463 quilómetros) da costa de Gaza. Ao contrário de anteriores interceções, que ocorreram maioritariamente durante a noite, o exército israelita abordou os barcos em plena luz do dia.
As autoridades turcas já condenaram a interceção pelas forças israelitas de várias embarcações pertencentes à Flotilha Global Sumud, considerando tratar-se de "um ato de pirataria".
"Condenamos a intervenção das forças israelitas em águas internacionais contra a Flotilha Global Sumud [...], o que constitui mais um ato de pirataria", escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco num comunicado.
Ancara exigiu que Israel "termine imediatamente a intervenção" e "liberte incondicionalmente os participantes da flotilha intercetados".
"Estamos a trabalhar para garantir que os nossos cidadãos a bordo da flotilha possam regressar ao nosso país em segurança e estamos a acompanhar de perto a situação em cooperação com outros países", acrescentou o comunicado.
A Turquia apelou à comunidade internacional a adotar "uma posição comum e resoluta contra as ações ilegais de Israel" sem demora.
Israel mantém um bloqueio sobre Gaza desde que o Hamas assumiu o controlo do território em 2007, um ano depois de vencer as eleições parlamentares palestinianas.
O bloqueio restringe a circulação de bens e pessoas de e para Gaza. O Egito também encerrou ocasionalmente a passagem de Rafah, que, antes da atual guerra, era o único posto fronteiriço não controlado por Israel.
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