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"O sentimento é de desgaste e revolta": Milhares de exames por corrigir com prazo no fim

Professores continuam a relatar que não conseguem aceder às respostas dos alunos na plataforma eletrónica. Missão Escola Pública apela ao ministro para recuar e optar pela correção em papel.

03 de julho de 2026 às 01:30

A sete dias úteis do fim do prazo para classificação dos exames nacionais, que foi adiado de 6 para 10 de julho, os professores continuavam esta quinta-feira a reportar uma situação de caos e muitos ainda não tinham iniciado a correção. No portal Metaprof, docentes de norte a sul contavam o seu desespero por não conseguirem cumprir a tarefa para a qual foram convocados. “Continuo sem conseguir aceder à plataforma para classificação dos exames de História A. Devia ter iniciado a correção no dia 26/06”, referia um docente de Aveiro. Aqui fica um excerto de outras mensagens de docentes: “Entro na plataforma, mas não há provas para classificar. O meu sentimento é de desgaste e revolta” (Lisboa).

"Não consigo aceder à plataforma de classificação. Começo a quebrar psicologicamente. Pondero colocar atestado médico" (Lisboa). "Faltam dezenas de folhas de continuação, tenho uma resposta com caligrafias diferentes e itens vazios” (Lagos). "Recebi uma convocatória para corrigir exames de 12.º ano de matemática A quando não dou esta disciplina há 10 anos” (Lisboa). “Fui convocada para classificar itens de Matemática B. Continuo à espera" (Guarda).

Segundo a Missão Escola Pública (MEP), há docentes a receberem itens que “já se encontram classificados por outros professores, tendo simultaneamente desaparecido da sua área de trabalho itens que eles próprios já tinham concluído”. A correção de Matemática A ainda não começou e a de História A e Biologia só na quinta-feira se iniciou mas em pequena escala, segundo a MEP, que lamenta a falta de respostas da tutela aos docentes, a quem aconselha a entrega de minutas com escusas de responsabilidade. O movimento considera que está em causa a fiabilidade da classificação e apela ao ministro da Educação para que “determine a distribuição imediata dos cadernos de resposta em suporte papel pelos agrupamentos de exames”.

O ministro Fernando Alexandre garantiu no parlamento que a maioria dos relatos dos docentes são falsos, mas a Metaprof garante que todos os relatos são verificados e até se disponibilizou para apoiar o ministério.

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