Ministro dos Negóicos Estrangeiros defendeu que o mais importante agora é "voltar à diplomacia", considerando que países como o Paquistão e o Qatar têm tido um "papel importante" nessa vertente.
O ministro dos Negócios Estrangeiros responsabilizou esta segunda-feira o Irão pelo retomar das hostilidades no Médio Oriente, acusando o regime de quebrar o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos ao atacar navios em Ormuz.
Em declarações aos jornalistas à margem da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas, Paulo Rangel afirmou que "não há dúvida que estas últimas hostilidades foram muito provocadas pela forma como o Irão esteve em Ormuz".
"Estou a falar mesmo do início desta última fase -- enfim, agora já temos quatro ou cinco dias disso -- mas, de facto, o Irão não está a cumprir aquele que era o memorando de entendimento e isso levou obviamente a um escalar de reações recíprocas", sustentou.
Paulo Rangel defendeu que o mais importante agora é "voltar à diplomacia", considerando que países como o Paquistão e o Qatar têm tido um "papel importante" nessa vertente.
"Agora, o facto de o Irão ter atacado outra vez os Estados do Golfo evidentemente também não ajuda, porque esses Estados, especialmente aqueles que tinham alguma capacidade de mediação, ficam numa situação difícil para o fazer", afirmou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros referiu que Portugal olha para a situação "com muita preocupação".
"Aquilo que a UE pode fazer é exortar as partes a voltarem ao quadro do memorando de entendimento para se poder fechar um acordo", disse, reiterando que a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz é um assunto "inegociável".
"E se o Irão não é capaz de a respeitar, evidentemente que isso não vai ajudar a que tenhamos paz o mais depressa possível", disse.
Esta noite, os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irão, e Teerão retaliou hoje atacando os aliados regionais de Washington --- ações de escala sem precedentes de ambos os lados desde o cessar-fogo de 08 de abril.
A causa das novas hostilidades concentrou-se na questão do Estreito de Ormuz.
Teerão procura manter o controlo da via marítima estabelecido nos primeiros dias da guerra.
O anúncio feito pela República Islâmica no fim de semana, informando que iria voltar a fechar a rota estratégica global para o transporte de petróleo e gás, provocou uma forte subida dos preços do petróleo.
O petróleo Brent do Mar do Norte para entrega em setembro --- a referência internacional --- aumentou mais de 4%, atingindo os 79,13 dólares.
Após quase 40 dias de bombardeamentos num conflito desencadeado por ataques de Israel e dos Estados Unidos a 28 de Fevereiro, um cessar-fogo tinha entrado em vigor em Abril, foi posteriormente formalizado a 17 de junho através de um memorando de entendimento assinado por Washington e Teerão, apesar dos confrontos esporádicos nas imediações do estreito.
No entanto, após ataques na terça-feira passada contra embarcações que tentavam passar por Ormuz, os confrontos foram retomados com intensidade.
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