Enviado especial norte-americano não esclareceu quais os navios que estão a passar pelo Estreito de Ormuz.
O enviado especial norte-americano Steve Witkoff insistiu esta sexta-feira que estão em curso "negociações com o regime iraniano" para resolver o conflito no Médio Oriente e que ainda "esta semana" deverão ter lugar reuniões entre as partes.
Na véspera de se completar um mês desde o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irão, que desencadeou uma retaliação contra vários países da região, Witkoff afirmou "esperar sinceramente" que haja reuniões esta semana.
"Acho que o Presidente (Donald Trump) quer um acordo de paz", afiançou o enviado especial para O Médio Oriente.
Respondendo a questões durante um fórum empresarial em Miami (sul), Witkoff afirmou ainda que um "sinal muito, muito bom" de condições para resolução da crise é que "os navios estão a passar" pelo Estreito de Ormuz, bloqueado por Teerão em retaliação pelos ataques, e por onde passa mais de um quinto das exportações globais de petróleo e gás.
O responsável norte-americano não esclareceu quais os navios que estão a passar pelo Estreito de Ormuz, num dia em que o serviço de monitorização Marine Traffic indicou que dois cargueiros chineses que tentaram atravessá-lo acabaram por recuar por não terem garantias de passagem por parte do Irão, cujo regime é próximo de Pequim.
Neste contexto, o barril de petróleo Brent para entrega em maio fechou a semana acima dos 112 dólares, o nível mais alto desde julho de 2022, indicando que o mercado não vê sinais de distensão no Golfo.
O enviado norte-americano para o Médio Oriente destacou como um sinal positivo para o mercado o adiamento por Trump até 06 de abril de um eventual ataque contra as instalações petrolíferas iranianas, dando espaço para negociações.
"Algumas pessoas negaram que estejamos a negociar. Penso que todos aqui sabemos que estamos a negociar. É evidente que alguns navios estão a passar. É possível que tenhamos uma definição diferente de 'negociar' da que eles têm", afirmou Witkoff.
O Irão tem rejeitado a existência de negociações com Washington, embora não negue que haja contactos.
Na quinta-feira, fonte iraniana citada pela agência de notícias Tasnim referiu que Teerão apresentou cinco pontos que considerou essenciais para uma eventual trégua e que incluem a "criação de mecanismos concretos para garantir que a guerra não seja novamente imposta à República Islâmica", o pagamento "garantido e claramente definido de indemnizações e reparações" e o reconhecimento da soberania no Estreito de Ormuz.
O representante norte-americano referiu-se ao acordo de 15 pontos proposto por Washington, salientando que os iranianos "já o têm há algum tempo" e que aguarda "uma resposta da parte deles".
"Isso resolveria tudo (...) Resolveria a questão do enriquecimento [de urânio], pois hoje em dia não podemos permitir que haja enriquecimento lá. Resolveria a questão do material. Têm armazenado cerca de 10.000 quilos de material enriquecido, ao qual têm de renunciar; bem como a questão do armazenamento e da supervisão. Todas estas são linhas vermelhas para nós", defendeu Witkoff.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse hoje que espera o fim do conflito com Irão "nas próximas duas semanas" e que acredita no cumprimento dos objetivos de guerra sem operações terrestres na República Islâmica.
Após uma reunião do G7 perto de Paris, o chefe da diplomacia de Washington reforçou as palavras de Donald Trump de que os objetivos da guerra lançada em conjunto com Israel em 28 de fevereiro contra o Irão estão "adiantados em relação ao calendário", acrescentando e que podem ser alcançados "sem tropas terrestres".
A propósito do destacamento de milhares de militares para reforçar as operações contra o Irão, Rubio comentou que Trump "tem de estar preparado para múltiplas contingências" e que as forças norte-americanas estão disponíveis "para dar ao Presidente a máxima flexibilidade e a máxima oportunidade de se ajustar às contingências, caso estas surjam".
Nas suas declarações em França, o secretário de Estado norte-americano indicou que Teerão enviou mensagens sobre a oferta de negociações para terminar o conflito iniciado há quase um mês pelos Estados Unidos e Israel, mas não respondeu ainda à proposta de um plano de paz.
"Houve uma troca de mensagens e sinais do sistema iraniano --- o que resta dele --- indicando uma disponibilidade para discutir certas questões", observou, a propósito do plano de 15 pontos enviado ao Irão através das autoridades do Paquistão para terminar o conflito.
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