Irão tinha ameaçado atacar as infraestruturas energéticas no Golfo.
O Irão lançou esta quarta-feira ataques contra os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Qatar, atingindo a principal instalação de gás do território qatari e provocando "danos consideráveis" na mesma, segundo o Ministério do Interior de Doha.
O Irão tinha ameaçado atacar as infraestruturas energéticas no Golfo, em retaliação aos ataques israelo-americanos às suas próprias instalações de gás.
O Ministério do Interior do Catar indicou num comunicado que a proteção civil estava "a gerir um incêndio na zona de Ras Laffan" após um ataque iraniano que, segundo um comunicado da empresa energética pública Qatar Energy, causou "danos consideráveis".
Num segundo comunicado, o mesmo ministério disse que o incêndio estava "sob controlo" e que não tinham sido registados feridos no ataque.
Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Doha considerou que este ataque em Ras Laffan constituía "uma ameaça direta à segurança nacional".
"O Qatar expressa a sua firme condenação e repúdio do brutal ataque iraniano contra a zona industrial de Ras Laffan", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado, criticando uma "escalada perigosa, uma violação flagrante da [sua] soberania e uma ameaça direta à segurança nacional".
Na Arábia Saudita, as autoridades afirmaram ter intercetado quatro mísseis balísticos que se dirigiam para Riade.
Também as autoridades dos Emirados Árabes Unidos anunciaram que o seu sistema de defesa aérea estava a intercetar mísseis iranianos.
"A defesa antiaérea está atualmente a agir contra ameaças de mísseis e drones provenientes do Irão", informou o Ministério da Defesa de Abu Dhabi, precisando "que os ruídos ouvidos são o resultado da interceção de mísseis e drones".
Teerão tinha prometido retaliar os ataques contra o campo de gás de South Pars/North Dome, que é a maior reserva de gás conhecida no mundo, que o Irão partilha com o Qatar.
"A partir desta noite, as linhas vermelhas mudaram. Se o inimigo pensava que com estes ataques poderia aumentar a pressão sobre o Irão para o obrigar a recuar, cometeu um erro fatal de cálculo", alertaram fontes militares citadas pela agência noticiosa Fars.
Teerão acusa os países do Golfo de permitirem que as forças norte-americanas utilizem os seus territórios para lançar os seus bombardeamentos e, no rescaldo do ataque ao campo de gás de South Pars, colocou sob ameaça "as infraestruturas de combustíveis, energia e gás" dos seus vizinhos na região, segundo um comunicado do Centro de Comando Conjunto, Khatam al-Anbiya.
Momentos antes dos ataques, tanto o Qatar como os Emirados Árabes Unidos tinham condenado o ataque contra instalações iranianas que servem o campo de gás de South Pars/North Dome.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, criticou o ataque esta quarta-feira realizado como um passo "perigoso e irresponsável" e uma ameaça à "segurança energética global", bem como à população da região.
Al-Ansari pediu que se "evitem ataques a instalações vitais" e apelou a todas as partes para que atuem com moderação e "em conformidade com o direito internacional".
Ao mesmo tempo, destacou a necessidade de uma redução das tensões "para que a segurança e a estabilidade da região sejam preservadas".
Os Emirados Árabes Unidos dirigiram também palavras ao ataque contra as instalações energéticas ligadas ao campo de gás de South Pars, "que constitui uma extensão de North Dome no Estado irmão do Qatar", advertindo para "uma escalada perigosa".
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