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Teerão suspende tráfego em Ormuz após ataques de Israel no Líbano

Israel lançou esta quarta-feira fortes bombardeamentos contra a capital libanesa, que fizeram dezenas de mortos e centenas de feridos, segundo as autoridades locais.

08 de abril de 2026 às 17:51

O Irão suspendeu o tráfego de petroleiros através do Estreito de Ormuz, segundo a comunicação social iraniana, no seguimento do ataque aéreo israelita em grande escala no Líbano, que esta quarta-feira fez dezenas de mortos em Beirute.

"A passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz foi interrompida após os ataques de Israel ao Líbano", informou a agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária, no primeiro dia de um cessar-fogo de duas semanas, anunciado na terça-feira à noite pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Como parte da trégua no conflito desencadeado pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica, as autoridades de Teerão comprometeram-se a autorizar a passagem de navios no Estreito de Ormuz, após mais de um mês de um bloqueio parcial que fez disparar os preços de petróleo e gás natural em todo o mundo.

O Governo israelita anunciou que concordou com o cessar-fogo, mas esclareceu que a trégua não inclui o Líbano, onde mantém uma frente aberta desde o início de março contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão.

Posteriormente, Donald Trump confirmou que o Líbano estava excluído do acordo, embora o Paquistão, país mediador, tenha afirmado inicialmente o contrário.

Segundo a agência Fars, o Irão permitiu a passagem de dois petroleiros "sem incidentes" pelo Estreito de Ormuz na manhã de hoje, antes dos bombardeamentos em grande escala no Líbano.

A Guarda Revolucionária do Irão também já reagiu e ameaçou responder aos "crimes brutais" hoje no Líbano.

"Uma agressão contra o orgulhoso Hezbollah é uma agressão contra o Irão", declarou o comandante da Força Aeroespacial da força ideológica do regime, Majid Mousavi, citado pela agência IRNA, acrescentando que está em preparação "uma resposta contundente".

O último balanço do Ministério da Saúde libanês regista pelo menos 112 mortos e 837 feridos nos bombardeamentos israelitas em Beirute, nos arredores da capital e no sul e leste do país.

Antes do anúncio do restabelecimento do bloqueio no estreito de Ormuz e das ameaçadas da força ideológica do Irão, o chefe da diplomacia de Teerão, Abbas Araqchi, já tinha acusado Israel de "violações do cessar-fogo" no Líbano.

Além disso, o Irão denunciou ataques no seu território contra uma refinaria na ilha de Lavan, localizada no Golfo Pérsico, e a interceção de um drone na cidade de Lar.

No âmbito da trégua, estão programadas conversações entre as partes para sexta-feira em Islamabad, indicou o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, mas, de acordo com o Wall Street Journal, o Irão está a condicionar a sua participação à aplicação do cessar-fogo no Líbano.

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